04/07/2016

O CRESCIMENTO ECONÓMICO TEM MUITO POUCO A VER COM CORRUPÇÃO

O problema principal de Portugal (ou do Brasil, da Itália, do mundo) não é a corrupção - ao contrário do que o FMI, o Banco Mundial, o trimilionário Soros e alguns supostos ativistas propalam.

Claro que toda a gente concorda em condenar a corrupção - como não o fazer? 

Mas a este sistema, que faz dos seres humanos robôs formatados por uma cultura da degradação, convém desviar o foco dos problemas principais e pô-lo antes em questões como a corrupção, marginais no funcionamento do sistema, por mais importantes que pareçam.

Se não, veja-se a relação de dados seguinte, em que na COLUNA DA ESQUERDA se mostra o ranking mundial da corrupção (em que a Dinamarca é o país menos corrupto) e na COLUNA DA DIREITA, a variação dos respectivos PIBs:

Fonte: T.I e Google Feedback
Observa-se que os países menos corruptos (na 1ª parte do quadro)
registam frequentemente crescimento negativo.

O contrário sucede com os mais corruptos.





Fonte: Worldatlas, 7/2016
CONCLUSÃO

Compulsando nos links (ver no final) os países cujo PIB mais cresceu em anos recentes, verifica-se que os primeiros 20 desse ranking, com taxas muito elevadas de crescimento, têm todos (exceto o Butão)  graus de corrupção muito superiores aos de Portugal, por exemplo.

Apesar dos mercenários ao serviço do sistema insistirem em que Portugal é muito corrupto - tática que aliás utilizam do mesmo modo noutros países, sejam eles o Brasil, a Espanha, a Itália, etc. - só por má-fé ou ignorância alguém pode continuar a conectar a evolução do PIB (e da economia) à questão da corrupção.

Mas isso, esse desvio do foco, é o que interessa ao sistema, para que continue a saquear os países.

A verdade é que o sistema imperial pode subtrair num só dia a  cada país, através das trocas desiguais, dos juros usurários e de dumpings diversos mais do que os corruptos nacionais roubam num ano inteiro.

Conferir:
Ranking da percepção da corrupção a nível mundial (2014)

24/06/2016

BREXIT - DEMOCRACIA OU "INSIDE JOB"?

Embora desde há muito considere a UE uma coisa perversa e o euro o seu principal instrumento, confesso que não tenho por agora certezas sobre as reais consequências desta saída britânica da UE.


LIDERANÇA DO POPULISMO DE DIREITA NEOLIBERAL

A saída é totalmente liderada pela direita xenófoba ou populista (N.Farage, líder do UKIP, é equivalente à francesa Le Pen, e B.Johnson, ex-mayor de Londres e ex-jornalista, conservador, um "produto" típico britânico - ao nível dos demagagos italiano Berlusconi ou americano D.Trump, na lógica dos interesses das máfias financeiras locais e dos media do sistema, que usa com mestria).

O partido Trabalhista, sob a liderança de J. Corbyn, um social-democrata de esquerda à semelhança do americano B. Sanders, com um discurso populista nos temas do trabalho, nunca hostilizará os grandes interesses estratégicos do sistema global, manteve uma campanha low profile e não retirará provavelmente benefícios desta saída.

O PAPEL DOS INFILTRADOS EM "INSIDE JOB"

Muito duvidoso é o papel de D.Cameron, 1º ministro conservador.

A análise vulgar e interesseira dos media do sistema apresenta as suas ações (como os referendos da Escócia e este último) como "o normal do funcionamento da democracia". E o próprio compõe uma aparência de sinceridade ao promover e participar em tais referendos, dando o ar de defender a parte inglesa.

Mas não há nada de normal nestas ações, ainda por cima vindas dum político dito conservador.

A justificação que os media dão para ele as ter promovido, é que Cameron gosta de correr riscos.

Como se o líder principal dum país com a dimensão do RU, rodeado por conselheiros de alto gabarito, dispondo dos Serviços de Informações mais sofisticados, pudesse tomar decisões numa base temperamental, como se estivesse a fazer um vulgar negócio de família.
Ao que chega a infantilização promovida na "opinião pública" pelos media do sistema...

Raciocinemos um pouco: se você fosse um agente infiltrado e tivesse empreendido deliberadamente uma ação de sabotagem, que outra postura teria, senão compôr um ar preocupado? Estamos a falar de agentes de alto gabarito, muito melhor atores que qualquer ator de teatro.

Na verdade, tanto um como o outro dos atos citados, são brutais  facadas no tradicional capitalismo inglês.

Metamos na cabeça duma vez por todas: Cameron não fez nada daquilo para defender a Inglaterra.

Se há uma classe dominante que sabe usar o cinismo e o taticismo recorrendo a todos os truques formais e legais para contornar os problemas, é a inglesa. Historicamente.

Eles sabem tudo a respeito.
Só que Cameron não procurou contornar nada. Ele procurou deliberadamente que o Reino Unido batesse de cabeça no nacionalismo escocês, e ofereceu igualmente numa bandeja ao "Brexit" toda a oportunidade de ter sucesso.
A aparente sinceridade com que a seguir aparece a "defender a parte inglesa", faz parte da encenação.

Tudo aponta pois - sei que soa chocante, mas é bom as pessoas irem-se habituando, vivemos num mundo muito estranho e perverso  - para que Cameron seja mais um, entre vários agentes infiltrados na alta política mundial, com a missão específica de lançar a confusão no sistema, abrindo espaço para a maior máfia mundial (que, sendo muito eficaz, sabe manter-se na toca, esperando o terreno ficar bem minado e apodrecido para então aparecer à luz do dia) -  tomar o controle do mundo, provavelmente quando a ameaça duma apocalíptica guerra nuclear estiver eminente.

Muita imaginação? O contrário, falta dela e convencionalismo por parte dos que não têm capacidade de análise política e que vão seguramente acusar-me de inventar mais uma mirabolante teoria da conspiração.

CAMERON NÃO É UM CASO ISOLADO

Esta questão dos elementos infiltrados a alto nível, coloca-se noutros grandes países, como a Alemanha (onde A.Merkel vem tendo um papel muito estranho, como se tornou patente no seu apoio à invasão da Europa pelos refugiados, algo completamente irracional, e ainda mais estranho para um país como a Alemanha, tido como altamente organizado e conservador), ou o Brasil e a Venezuela (onde não se entende como deixaram a economia afundar-se e a direita política e judicial avançar  por um caminho que lhe foi escancarado por instâncias máximas da administração).

Na ex-URSS, torna-se hoje óbvio que o regime foi desmantelado deliberadamente a partir de dentro  pela gang de Gorbatchov, ao ponto de entregar as riquezas russas de graça ao capitalismo global. O que só não se consumou pela proverbial resiliência do povo russo, que permitiu ao nacionalista Putin e à sua clique saída do antigo KGB, tomar o poder e estancar a sangria.

Se esse trabalho de infiltração foi conseguido com êxito numa superpotência - ainda por cima socialista - como a URSS, porquê noutras potências menores e capitalistas haveria de ser diferente?

ENFRAQUECIMENTO DUMA PARTE DO SISTEMA

Obviamente que esta saída do Reino Unido enfraquece em primeiro lugar ele-mesmo, admitindo-se agora abertamente a separação da Escócia e da Irlanda do Norte e um brutal enfraquecimento da Inglaterra como potência mundial.

Londres era até agora, junto com a Wall Street, um dos maiores centros financeiros mundiais. polarizando vasta rede global de offshores.

A maior parte dos empréstimos europeus, apesar da ascenção entretanto de Frankfurt e Luxemburgo, continuava a passar pela City de Londres. Ao sair da UE, é inevitável que, de forma massiva, estes fluxos se transfiram para praças continentais, perfilando-se Frankfurt e Paris como primeiros candidatos a substituir Londres.

A Inglaterra é hoje um país de serviços e os investimentos provenientes de todo o mundo são um factor fundamental na sua economia.

Ao sair da UE, a Inglaterra isola-se e perde boa parte da atração. O seu PIB cairá abruptamente nos próximos anos, e ocorrerá um penoso processo de restruturação económica, com contornos dolorosos e violentos.

A UE sofre também uma forte derrota porque, sendo a Inglaterra um parceiro sempre incómodo, as relações económicas e sociais, porém,  eram muito fortes. O "Brexit" constitui uma perda económica líquida, não só pela redução dos fluxos, como também pela instabilidade que o seu efeito de contágio vai produzir no espaço europeu.

QUANTO PIOR, NÃO É NECESSARIAMENTE MELHOR

Para os adeptos dum conceito irracional - o do "quanto pior, melhor" - tudo que cheire a desgaste duma parte do sistema é uma coisa boa.

Esquecem esses adeptos da demagogia tremendista que o sistema é muito mais vasto que apenas uma parte dele.

Mais esquecem que o sistema tem pelo menos dois pólos e duas lógicas - a lógica da grande finança da Wall Street, representada temporariamente por Obama (a seguir virá outro) - e a lógica doutros pólos aparentemente diversificados, mas unidos através duma rede oculta que os manipula e liga (não duma forma mecânica, porque se trata de "inside jobs", mas flexível e complexa, cheia de sombras e tons de cinzento - de que Cameron será um exemplo).

Assim o enfraquecimento do pólo mais evidente do sistema, é seguramente uma vitória, sim, mas de quem se lhe opõe de forma decidida, eficaz, e bem planeada.

O que não é seguramente o caso dos povos do mundo, cada vez mais manipulados e desorganizados, apesar de histerismos e gesticulações patéticas como as que ocorrem nas chamadas redes sociais ou nas ruas de França.

É revelador que nas grandes manifestações brasileiras de 2013 se gritasse tanto por combate à corrupçãosaúde, educação, transporte e habitação e hoje tais slogans quase deixassem de fazer parte da "agenda popular", após a tomada do poder pela direita que começa já a vibrar profundos golpes no poder de compra popular e em todo o setor social-assistencial. E que as manifestações de rua quase tivessem desaparecido (salvo as da central sindical CUT e do MST ou equivalentes, com pouca visibilidade pública já que são abafadas pelos média do sistema).

Aliás, as forças da esquerda tradicional continuam a apostar em estratégias convencionais completamente inadequadas, não percebendo que apostar em figuras desgastadas e duvidosas é ajudar à sabotagem de que o movimento popular foi vítima).

Tudo isto mostra que certos temas que inundam um público facilmente  manipulável, desaparecem do mapa logo que o poder político é tomado pelas forças (ou parte delas) que manipulavam tais temas na sombra.


11/06/2016

VELHO GOVERNO, NOVO GOVERNO

O que o professor José Reis diz no video abaixo é a pura verdade.
Podia talvez dizê-lo duma forma mais simples.
Como andei a explicar este assunto da falsificação estatística no meu blogue durante 4 anos, vou tentar resumi-lo.

FALSIFICAÇÃO DO DESEMPREGO PELA EMIGRAÇÃO MACIÇA

Não houve nenhuma diminuição de desemprego. Foi apenas uma das muitas aldrabices, dignas dos piores burlões políticos.
Na verdade foram destruídos mais de 200.000 empregos.
E nem doutra forma podia ser, basta olhar para a paralisia económica que atingiu o País, os inúmeros estabelecimentos fechados (em muitas povoações, bairros e ruas, mais de metade das lojas fecharam) e para a VAGA DE EMIGRANTES, equiparável à pior fase do salazarismo nos anos 60/70. Não falando no aumento dos sem-abrigo e pedintes, que só não são mais porque os portugueses têm sentido de dignidade e preferem passar fome, ou então emigrar.
Quase meio milhão de pessoas terão emigrado entre 2011 e 2014.
Se emigraram, deixaram de contar para as estatísticas do desemprego.
Será isto motivo de regozijo para um governo?
Pelo contrário, é um atestado de incompetência e traição aos interesses nacionais.

FALSOS CURSOS DE FORMAÇÃO MASCARAM O DESEMPREGO

O outro elemento que mascarou o desemprego foi de facto, como diz J. Reis, que todos os desempregados, a quem era imposto frequentarem cursos ditos de formação (puro passatempo, na maioria) eram artificialmente  retirados das estatísticas do desemprego.
Com truques destes, até a senhora da limpeza "virava" ministra do Trabalho.
E não adianta aquela conversa que tudo começou no tempo do Sócrates, e não-sei-quê.
A hecatombe que se abateu sobre o País, com o saque brutal da troika e a solícita colaboração do anterior governo não é equiparável a nenhum outro período desde há um século, tão grave que só com métodos inconfessáveis podia ser mascarada.

APENAS AUMENTAR O CONSUMO NÃO VAI FUNCIONAR

Discordo porém de José Reis (e por extensão do atual governo) quanto às soluções.
É que para criar emprego não basta incentivar o consumo, como as estatísticas começam já a mostrar.
Boa parte do consumo criado por via do aumento de rendimentos vai escoar-se ingloriamente em importações. Pela simples razão de que o país é demasiado dependente do exterior, e a matriz produtiva não foi modificada.
Será obrigatório criar novas fileiras produtivas ou aumentar a produção das existentes.
O problema é conseguir fazê-lo quando a UE tem uma política de fecho da torneira do financiamento e, pior, de estrito e cego controle da despesa do Estado.
Como financiar novas estruturas produtivas sem dinheiro do Estado?
A resposta intuitiva é: captando investimento privado.
Mas aí coloca-se um problema: que tem Portugal para oferecer de diferenciado aos investidores que os outros não tenham?
As respostas são conhecidas, e podem ser potenciadas, porventura gastando pouco. Mas,

SÓ CAPTAR INVESTIMENTO NÃO VAI CHEGAR

Muito provavelmente o investimento privado não será suficiente.
É pois necessária mais iniciativa e imaginação por parte do Estado, não implicando necessariamente custos financeiros.
Tenho meia dúzia de ideias sobre o que fazer, nomeadamente a criação de projectos especiais por iniciativa do Estado para exportar serviços.
Mas não as vou revelar aqui, não só porque duvido que estes políticos o mereçam, mas também porque elementos provocadores que circulam nas redes rapidamente copiariam as minhas ideias deturpando-as, no seu habitual trabalho perverso e dissolvente.




25/05/2016

O VERDADEIRO ATIVISMO E A PERVERSÃO DAS "REDES"

As redes sociais ditas alternativas estão invadidas pela desinformação, tornando-as em espaços muito mais favoráveis ao sistema que aos que se lhe opõem - por estranho que pareça.

O post seguinte num grupo do Facebook é apenas um dos muitos exemplos.


O post foca a aquisição da Monsanto pelo grupo Bayer e foi publicado sob a interrogação: "Fim duma das empresas mais odiadas do mundo?"

É o tipo de post que caracteriza a incultura política e económico-social prevalecente nas chamadas redes sociais.

Obviamente, a Bayer em nada é melhor que a Monsanto e os seus produtos são no essencial os mesmos: os pesticidas e outros que alimentam o monstro do agrotóxico, que neste momento DOMINA QUASE POR COMPLETO a agricultura que se pratica a nível planetário.

NECESSÁRIO REPENSAR O PAPEL DAS "REDES SOCIAIS" 
E RESPECTIVOS GRUPOS

Temos todos que repensar o nosso papel perante as chamadas redes sociais.

Que podem ser sociais mas apenas na medida em que  fazem socialização, tal como uma festa de antigos alunos, um festival de pornografia ou um encontro de adoradores de ratinhos amestrados - ou de cães e gatos, dá igual - todos são "redes sociais" ou grupos - cada um mais inútil e confuso no conteúdo que o anterior.
Estas "redes sociais" do tipo Facebook, Twitter, Whatsapp, etc. formam grupos aleatórios de pessoas, onde muitas delas sequer se conhecem mas têm em comum a ilusão de transformar algo através da troca de informações na rede.

Informações colhidas e replicadas de forma mais ou menos caótica, em que as fontes raramente são citadas (e na maioria são duvidosas), informações que não resultam geralmente de nenhuma reflexão pessoal séria sobre o tema.

Além disso, estas redes têm o papel extremamente negativo de anular as análises corretas - estou a pensar num post sobre a indústria alimentar que coloquei num grupo e que passados poucos minutos já estava empurrado lá para trás, a seguir a uma série de entulho, muito dele de vários "profissionais" da desinformação de plantão constante nos grupos mais frequentados.

"Profissionais" que, alguns deles pelo menos, têm por finalidade despejar nas redes todo o tipo de confusionismo fazendo-o passar por "progressista" e até por "crítico do sistema" (
por exemplo, podem falar mal da Monsanto ou dos bancos, ou apontar um qualquer caso de corrupção ou de privilégio, mas sempre  de forma isolada como epifenomenos fora do SISTEMA, caídos do céu aos trambolhões). 

logo a seguir - eventualmente com um "perfil falso", já que o mesmo indivíduo ainda por cima pode desmultiplicar-se anonimamente com diversos perfis ou nomes - desencadear um ataque traiçoeiro ao ativista que luta a sério contra o sistema, revelando - o que só é perceptível para quem 'está por dentro' - que não anda ali para agir contra o sistema mas para protegê-lo e reforçá-lo.

Quem ataca os do seu campo não é apenas um falso amigo. É o nosso pior inimigo, ao fazer-se passar por companheiro e na primeira oportunidade nos atacar pelas costas.

O objectivo desses profissionais da desinformação é encher chouriços, através de propaganda-lixo ou falsa crítica ao sistema, métodos muito eficazes para baralhar os menos informados, que no fundo serão 99,9% das pessoas.

Nem doutra forma podia ser, 


Com a informação geral filtrada pelos media do sistema e o próprio  sistema social caracterizado hoje  por uma extrema complexidade, a par da grande flexibilidade e de estratégias multifacetadas de manipulação que lhe permitem integrar até parte dos descontentes, seja pela ilusão e alienação, seja pela imposição.


AS 'REDES' TORNARAM-SE PERVERSAS


A mesma pessoa da sua rede que lhe manda  um excelente vídeo sobre o monstro da indústria alimentar tóxica, logo a seguir pode mandar-lhe um outro "muito humanista" sobre a Venezuela que mais não é que propaganda infecta com a perspectiva do "império do dólar" sobre o tema - e muito eficaz porque é um vídeo com uma "jovem inocente" a clamar "pela paz" e "contra a feroz repressão" aos que "apenas pedem o fim da fome". 

Então começamos a perceber melhor para que servem as "redes sociais".

Os que estrangularam a Venezuela, a Nigéria ou o Brasil pelo esmagamento do preço do petróleo bruto e outras commodities, são os mesmos por detrás das "manifestações de gente inocente", os mesmos que dominam a indústria tóxica alimentar global. E os mesmos que dominam a informação a nível global.

Como pode não se entender que ser contra uma Venezuela social e patriótica - por muito que não nos identifiquemos com o populismo chavista versão Maduro - é estar a favor do 
monstruoso sistema alimentar tóxico, o mesmo sistema que manipula a informação, o mesmo que nos "obriga" a focar o que lhe interessa, em vez do que é realmente importante?

Parece difícil alguém não saber interpretar desta maneira. 


Mas a verdade é que poucos o conseguem.

Para isso, os media e outros agentes usam todo o tipo de manipulação. 

Como a ilustrada pela metáfora abaixo.


DISCUTIR A CASA OU O MÓVEL DA CASA?
Se você quisesse que o estado duma casa podre (em 2º plano, na figura) não fosse discutido, bastaria meter à frente por exemplo um móvel, e convencer o público que o importante é discutir esse móvel. 
Por estranho que pareça, desde que seja bem feito, a maioria das pessoas cai no truque.

ESTARÁ O SISTEMA MAIS FRACO?

Comecemos por assumir que: 

- Quem acha que o combate ao sistema é coisa fácil e que tudo se resume a uma propaganda nas redes... 
- Quem acha que o sistema é "tolerante"  ao ponto de oferecer - e gratuitamente! - os instrumentos que permitem ao simples "cidadão" combatê-lo...
... Esse sofre dum ilusionismo típico dos instalados. 

No fundo, subconscientemente, assumiu os valores do sistema e limita-se a calar a sua má-consciência (ou colaboracionismo...) seja através duma propaganda tremendista caricatural tipo tudo-ou-nada completamente ineficaz, seja através da crítica a aspectos isolados do sistema, como demonstro acima.

Mas na realidade o combate ao sistema implica não cultivar ilusões de facilidade.

Hoje, o sistema capitalista está mais forte do que nunca. 

Apesar da crise permanente em que vive e da desmultiplicação de novos pólos capitalistas, o grande poder financeiro continua intacto e concentrado nos mesmos protagonistas centrais de sempre.

Aparentemente organizados de forma mafiosa e mais articulada que nunca, com um controle fortissimo não só do capital, mas também a nível informativo e cultural através de centrais de intoxicação organizadas, o que se prova com estas próprias redes tecnológicas controladas (pelo menos formalmente) por empresas globais, que se dão ao luxo de facultar uma "ampla liberdade de acesso" sem que o sistema saia minimamente beliscado.

Pelo contrário, as redes informativas têm servido para o sistema dominar novas regiões e países que não controlava antes - caso das primaveras árabes convocadas via facebook e SMS, que criaram uma base social de protestos que permitiram ao imperialismo a destruição da Líbia, a retomada do Egito e da Tunísia por esbirros seus, e a brutal agressão que destruiu a Síria e provocou uma debandada maciça da sua população para a Europa, colocando mesmo esta, 
agora, ante um futuro imprevisível e preocupante.


COMO COMBATER O SISTEMA


Talvez uma das primeiras condições seja a de cada um cultivar uma qualidade essencial mas cada vez menos praticada: a humildade, a modéstia, e pôr o interesse colectivo e geral antes do individual e particular.

Tanto mais que o contrário nos é constantemente induzido: este sistema vive do culto do individualismo, da exibição e da vaidade. A forma como as pessoas se comportam nas redes sociais, o narcisismo de "postar a última foto" no facebook, a mania de ter opinião sobre tudo, mesmo aquilo que nunca se estudou nem conhece, assim como postar "aquele post" com a última-informação-que-vai-salvar-o-planeta, tudo isso não são mais que manifestações de narcisismo doentio e puro individualismo.

A atitude do verdadeiro ativista contra o sistema tem de ser o oposto. 

Cultivar a modéstia, não se armar em perito de tudo-e-mais-alguma-coisa, nem em líder barato dum grupinho de inúteis da internet. Mais um grupo que não serve rigorosamente para nada, a não ser para criar novas ilusões ao fingir que faz alguma coisa de útil.

O verdadeiro ativista não promove ideias fáceis e da moda, nem usa sistematicamente a informaç
ão passada pelos media do sistema. Quando o faz por necessidades práticas, deve fazê-lo num contexto do combate ao sistema, não valorizando a notícia da SIC, da RTP ou do Público e do DN em si mesma, enquanto fonte primária de informação fiável, . mas apenas como um instrumento ocasional e pontual, para ancorar uma opinião própria que o ativista formou a partir de outras fontes mais fiáveis.

O verdadeiro ativista não se ilude com a importância das redes sociais, nem com o potencial revolucionário dos que nelas participam. 

As pessoas que estão num grupo em rede são as mesmas que você encontra no café, no restaurante ou no emprego. Porque haviam de ser diferentes? Apenas porque não está a vê-las e porque emitem umas frases fanfarronas, de quem está protegido pela distância ou o anonimato? Haja bom-senso...

verdadeiro ativista compreende que a fase em que estamos é de profunda desorganização do movimento popular, seja a nível global, seja nacional, dominado que está por partidos e grupos imbuídos duma cultura servil ao sistema, incapazes de o desmontar justamente porque também estão instalados nele.

Mas o verdadeiro ativista, apesar disso, não igualiza as forças políticas, nem transmite a mensagem falsa (e grave) de que esquerda e direita, "os políticos" em geral são todos exatamente o mesmo, e que levam todos ao mesmo resultado. 

Nem nos EUA - centro do sistema - isso é verdade. Quanto mais em Portugal, na Europa, na América Latina ou noutros locais da periferia do sistema.

O verdadeiro ativista não serve os direitos e valores de minorias ativas e agressivas contra a maioria da população. Nem cultiva valores "humanistóides" como a "liberdade" ou a "cultura" em abstrato. 

A liberdade é sempre a liberdade dum grupo determinado, e a cultura também. Não existe isso de liberdade em abstrato, nem de cultura em abstrato

Liberdade e cultura servem para defender os interesses duns grupos e indivíduos contra outros, na disputa política. 

verdadeiro ativista não se coloca de forma acéfala e idiótíca ao serviço duma ideologia, ou duma ladaínha, ou de ídolos e outros entes míticos, sejam eles históricos ou atuais, nem de países e interesses estranhos aos do seu próprio povo.

A única entidade que o verdadeiro ativista pode servir é o seu próprio povo, enquanto parte da humanidade inteira, e esta por sua vez enquanto parte integrante da natureza, do planeta e do universo, em que deve integrar-se harmoniosamente.

O exercício da política é a luta pelo poder, primeiramente no interior do sistema, que o verdadeiro ativista procura enfraquecer para o transformar num sistema novo.

Um sistema novo  onde o controle seja do povo e sirva valores de justiça, igualdade, dignidade, respeito pelos interesses coletivos e individuais, pondo os primeiros à frente dos segundos, assim como da liberdade e da cultura - então sim para a maioria da população, numa primeira fase, e para todos num futuro que nem deve ser longínquo. 

O verdadeiro ativista percebe que a maioria das pessoas - por razões de consciência e de pulsão - não tem potencial revolucionário no sentido de ser organizada imediatamente como vanguarda.

Independentemente de numa fase mais avançada essa maioria poder e dever ser mobilizada para o processo de transformação social.

É muito provável que na atual fase de confusão ideológica e de incapacidade para compreender o sistema - e como ele se configura agora  -, apenas uma em cada mil pessoas (na melhor das hipóteses) tenha esse potencial. 

Isso não deve dar ao ativista nenhum sentimento de arrogância ou de "super-homem". 

Pelo contrário, deve torná-lo muito humilde e fazê-lo preocupar-se ante a imensidão das tarefas a cumprir no caminho para a construção dum novo sistema.

Assim, partir para o arranque (porque é essa a fase que estamos) de qualquer reorganização da vanguarda é uma tarefa extremamente difícil, cheia de resistências e de escolhos. Que o sistema tentará barrar por todas as formas ao seu alcance.

Uma tarefa que isola o verdadeiro ativista, e nomeadamente põe em risco a sua segurança pessoal a própria vida. O suficiente  para que não encare de ânimo leve o seu trabalho. 



03/05/2016

O GLIFOSATO É PARTE DO SISTEMA


GOVERNOS, PARTIDOS, AGROTÓXICO E O SISTEMA


Uma reportagem recente da RTP mostrava as análises feitas a alguns portugueses, com percentagem de glifosato na urina 20 vezes (!) maior que a de alemães ou suiços.

A reportagem, porém, presta um mau serviço, ao misturar assuntos, como o uso pelas autarquias (que não vem ao caso, o importante é a agropecuária tóxica, e os alimentos provenientes dela).

O ministro Capoulas Santos, entrevistado nessa peça televisiva,  metia os pés pelas mãos declarando respeitar as decisões "não de Bruxelas, mas duma comissão de peritos"... de Bruxelas (!).
Na sequência, tenta convencer que o governo vai "estar atento". Mas atento a quê? Ao número de cancros? 
Acrescenta que "é um assunto delicado" e de passagem classifica esta reportagem ignorante como "excelente". Procurando fazer crer que não percebe que as "comissões de peritos" da UE são escolhidas a dedo pelos burocratas de Bruxelas justamente para que dêem seguimento aos interesses das multinacionais e das centenas de lóbis munidos de orçamentos milionários que promovem os seus interesses junto da UE..

Ver VÍDEO com entrevista (clique aqui)

Mas não é apenas este ministro medíocre e anti-nacional (que só pela entrevista se devia demitir), nem a jonalista meia-tijela  da reportagem, quem cultiva uma enorme confusão,.

Confusão que nem percebe que o uso pela Câmaras de pesticidas para "queimar" esporadicamente ervas e arbustos invasores em jardins e zonas abandonadas, nada tem a ver com o centro do problema.

O glifosato está em 90% dos alimentos que consumimos, seja na carne de animais de curral, seja nos peixes de aquacultura, seja nos empacotados, molhos, conservas, pão, feijão, leite, sumos, hortaliças, frutas, tubéculos, etc. - em quase tudo, enfim, já que as plantas OGM, são usadas na esmagadora maioria da agricultura de massa, no chamado agrotóxico e até na agricultura familiar.

Pela simples razão que a grande maioria de plantas e sementes usadas nas culturas e postas à disposição pelos armazéns fornecedores são do tipo OGM, preparadas para resistir a pesticidas como o glifosato, e são "bombardeadas" com glifosato durante todo o ano.

Ora isto tem uma vantagem (imediata) ESSENCIAL PARA O AGRICULTOR, a de lhe poupar milhares de horas de trabalho no arranque manual de ervas daninhas. 

Sendo que a soja, o milho, a canola e outros vegetais transgénicos (também chamados OGM) saem pois IMPREGNADOS DE PESTICIDA, e são usados como alimentos para animais em cativeiro. Consequentemente entram em toda a cadeia alimentar humana.

É por isso que o susbsistema alimentar faz parte dum SISTEMA GLOBAL, não é fruto apenas de conspirações de Maçonarias, como defendem as teorias conspirativas, nem da simples luta de classes (nomeadamente económica, como pretende o marxismo). É fruto SIM dum modo de vida gisado historicamente. Em que as razões económicas têm um peso essencial por via dos custos e da competição,  mas não são exclusivas.

Portanto, para se lutar contra a degradação da qualidade de vida e dos alimentos, há que atacar o sistema que os gera, O que não significa que não haja agentes particulares mais responsáveis pelo seu desenvolvimento,

Em Portugal não há aparentemente ativistas interessados em perceber o funcionamento do sistema, mas apenas em repetir as vulgaridades com que lhes formataram a cabeça.
É por isso que, quando criticam alguma coisa, criticam-na parcelarmente e não como um sistema global.

Atacam agentes isolados ou causas parcelares, evitando atacar o sistema. Ou porque são ignorantes, ou, pior,  porque são coniventes.

Desse modo, continuam a papaguear as mesmas frases repetitivas, que apenas servem em última análise para desarmar e desmobilizar o povo e os ativistas, e têm conduzido em todo o mundo a uma verdadeira hecatombe dos movimentos populares. 

Só não vê quem não quer.

12/04/2016

COMO O BANIF FOI ENTREGUE AO SANTANDER

INTROMISSÃO ABUSIVA do BCE e da COMISSÃO 
PROMISCUIDADE do BdeP e do GOVERNO PSD/CDS
PAPEL DUVIDOSO do ATUAL GOVERNO

Fica-se com a sensação, depois de ouvir e ler atentamente os registos públicos das audiências da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso BANIF que, da parte das autoridades europeias (nomeadamente Banco Central Europeu (BCE) e Direção Geral da Concorrência e Preços (DGComp) / Comisssão europeia), havia um plano - progressivamente apurado nos seus detalhes - de obrigar Portugal a vender o BANIF ao Santander.

Para tanto contou com a promiscuidade clara do Banco de Portugal (BdeP) e do governo PSD/CDS, ainda que em graus e formas diferentes. 

Ao ponto de as autoridades europeias terem resolvido antecipar a "resolução" do banco (traduza-se: venda), primeiro de 2017 para 2016 e depois, num golpe súbito, em Dezembro 2015 antecipando o prazo-limite em três meses e fixando-o em 20.Dezembro.2015.

Registe-se esta "coincidência": António Costa do PS foi indigitado 1º ministro em 25.Novembro.2015.





Eis algumas frases-chave que validam as interpretações anteriores:

Audiência à ex-ministra, Maria Luís Albuquerque:

""O calendário da DGComp" não previa decisões no Banif até final de 2015, evidencia a ex-ministra." " Terá sido aqui que ocorreu uma reviravolta no caso Banif." 
"Maria Luís afirmou que, para além de "inesperada", a solução que o BdP lhe apresentou na carta de 17 de Novembro "tinha para os contribuintes um custo" muito elevado"

Nota: A ex-ministra refere-se à obrigatoriedade do Estado recapitalizar o banco imediatamente, obrigatoriedade que lhe fora transmitida pelo governador do BdeP naquela data.
Anteriormente, o plano era a restruturação estender-se até 2017, não havendo nenhuma recapitalização prevista, além da que já tinha havido com a injeção de 1.100 milhões de euros pelo Estado e que levou este a assumir 60% do capital do banco.

In jornal Público, verifique  AQUI.


Audiências a Jorge Tomé (ex-presidente do Banif) e ao ministro das Finanças atual Mário Centeno:


As responsabilidades do governador do B. de P. , a promiscuidade privado/público

"O Banco de Portugal demorou mais de três meses a conceder o registo de idoneidade aos gestores do Banif. 
Um dia depois de Jorge Tomé informar o actual Governo do impasse, o supervisor emitiu parecer positivo.
Numa carta enviada a 9 de Dezembro ao governador do banco central, Carlos Costa, com conhecimento do ministro das Finanças Mário Centeno (nomeado a 26 de Novembro), Jorge Tomé evoca que “tem vindo a ser confrontado com inesperadas adversidades por parte do supervisor”, especialmente “por falta ou demora de resposta” ou “por imposição de medidas cuja razoabilidade não pode deixar de ser colocada em causa”.

"Onze dias antes da venda e da resolução do Banif, o ex-presidente do banco, Jorge Tomé, escreveu ao Banco de Portugal (BdP) a acusar o supervisor de com as suas acções estar a “descredibilizar” e a “fragilizar” a instituição, pondo em causa a sua viabilidade. E, na sequência, admitiu renunciar ao cargo “por não lhe estar a ser dado o nível de confiança que deve merecer do BdP”."

"E a partir do último trimestre de 2015, lê-se, o BdP não só adiou deliberações, como não deu resposta a problemas que necessitavam de solução imediata. E a 17 de Novembro surgiu ainda com imposições prudenciais que não se previam e que contrariavam as avaliações dos auditores (a PwC) escolhidos por Carlos Costa (e pagos pelo Banif), para além “de colocarem em causa a credibilidade das contas de Setembro de 2015”, entretanto já divulgadas ao mercado com a chancela do supervisor. E onde o banco revelou lucros pela primeira vez desde a nacionalização, no valor de seis milhões".

"Uma das alterações pedidas pelo BdP prendia-se com a necessidade de um reforço adicional de imparidades de 177 milhões que iria colocar ao Banif “um inesperado e injustificado problema imediato de rácio de solvabilidade”, que ficaria abaixo do limite mínimo de 8%. O que não era indiferente. O não cumprimento do rácio era uma condição para o banco central decretar a resolução do banco – que desde o Verão já estava a ser programada nos bastidores do BdP."


"O ex-administrador do BdP, António Varela, que na semana passada esteve na CPI (...) confirmou que em Abril de 2015 começou a preparar um plano de resolução do Banif (criação de um banco de transição para venda) que finalizou em Junho, altura em que arrancaram os contactos com o Santander para a alienação da instituição (o que se viria mesmo a verificar a 20 de Dezembro por imposição da DG Comp). Varela esteve na CPI na dupla qualidade de ex-administrador do Banif em representação do Estado, entre Janeiro de 2013 e o Verão de 2014, e de ex-administrador do BdP, até Março deste ano."

NOTA: Outra "coincidência" interessante mostra a promiscuidade que se atingiu em Portugal e na UE entre pessoas envolvidas até ao pescoço no setor privado e que logo circulam para o setor público para exercerem a supervisão justamente dos setores onde têm interesses. Esse é nitidamente o caso de António Varela, ex-administrador ou funcionário em vários bancos (na UBS-Portugal, que esteve envolvida através duma subsidiária na venda do Novo Banco, administrou também o Banif numa fase anterior, possuia ações do Santander e do mesmo Banif, anteriormente tinha sido administrador da Cimpor, posteriormente passa pela função de regulador na CMVM e finalmente é nomeado administrador do BdeP, com funções de supervisor direto do mesmo BANIF.

Registe-se também que a ministra das Finanças do PSD é muito próxima de António Varela e lhe deu sempre o maior respaldo, mesmo em situação de alguns atritos com o governador do BdeP.


Conferir in http://lawrei.eu/caso-banco-banif/category/ministro-das-financas/
e
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca___financas/detalhe/quem_e_antonio_varela_o_administrador_de_saida_do_banco_de_portugal.html


Sobre  o papel do atual governo PS

É evidente que o atual governo levou de chofre com uma enorme pressão da UE e suas instituições (BCE e DGComp) que lhe retirou margem de manobra no sentido de obrigá-lo a oferecer o BANIF ao Santander.

Mas, mesmo dando o benefício da dúvida, é notório que, no mínimo,  António Costa evitou em absoluto "comprar" uma guerra com as instâncias da UE logo em início de mandato e tratou de atirar a toalha ao chão mal começou o primeiro round, sem esboçar qualquer luta na questão do BANIF.


08/04/2016

"Panama Papers" - AS NOVAS FORMAS DE GUERRA DIGITAL

Aristegui Noticias
Gigantesca filtración de registros financieros ‘offshore’ expone red global de crimen y corrupción http://bit.ly/1X9tVBN
O vídeo acima representa o padrão de "conversa" vendida pelos media dominantes, no âmbito do que - começa já a perceber-se - é uma enorme campanha bem preparada e orquestrada a nível mundial.

Um tipo de conversa que fala muito, mas revela pouco da verdade profunda.
A não ser que descodifiquemos o discurso BEM MONTADO dos apresentadores.

O vídeo "esclarece" (sem esclarecer) a fonte dos milhões de papéis que foram entregues.

Diz a apresentadora mexicana: "A fonte entregou todos os documentos há mais de 1 ano ao jornal Süddeutsche Zeitung (SZ) e este jornal alemão entendeu fornecê-los à Associação Internacional de Jornalistas de Investigação  [NOTA: Esta ICIJ tem sede em Washington - que coincidência...], a qual os distribuiu por centenas de jornalistas de investigação em dezenas de países que os analisaram durante mais de 1 ano".

Portanto, temos aqui uma fonte - que a jornalista se "esqueceu" de informar ser anónima - mas tal foi revelado pelo próprio jornalista do SZ que recebeu os originais  - fonte que não se sabe minimamente quem é, apenas que resolveu entregá-los anonimamente a um jornal alemão de grande circulação.

As mesmas conclusões podemos tirar dum outro vídeo nos antípodas do planeta, duma TV australiana.

Veja-o clicando AQUI e compare a "conversa" com a utilizada pelas nossas televisões caseiras. Vai perceber como afinam todas pelo mesmo diapasão: "Uma grande investigação" que "mostra como os ricos fogem aos impostos e prejudicam os países", que mostra "como o sistema funciona" e por aí fora.

É curioso que pessoas como eu andem há vários anos a denunciar e desmontar este sistema de assalto estratosférico aos países mais vulneráveis, e só agora estes "jornalistas de investigação" dos media dominantes o tenham descoberto, depois de lançada uma operação como esta, com todo o aspecto de jogada política e económica em larga escala, visando justamente esvaziar as denúncias dos verdadeiros ativistas sociais, e mostrando uma pequena parte do sistema para salvar o restante.

Uma primeira constatação: durante mais de 1 ano, dezenas de jornalistas em todo o mundo conseguiram não "vazar" para o exterior nenhuma das importantes informações que tinham. Num mundo onde qualquer informação de interesse que chegue aos jornais é logo explorada desde que venda papel, cabe perguntar, terá sido milagre?

Uma segunda: trata-se duma associação de jornalistas com sede em Washington. Ora, sabendo-se o tipo de (grandes) interesses económicos que dominam os media norte-americanos principais, podemos imaginar a "independência " destes jornalistas. 

Uma terceira: há uma preocupação da parte dos media "oficiais" (incluindo os vídeos acima) de sublinharem  a "credibilidade" dos dados e lhes darem uma exagerada importância, usando termos como "histórico", "nada será como antes", etc.

Em contraste, um outro vídeo - este em gravação dum jornalista freelancer norte-americano, Luke Rudkowski, conhecido pelas suas posições anti-establishment, embora de direita - revela muita coisa por detrás da cena do suposto "grande acontecimento" da publicação destes dados:


Cito textualmente, da gravação:

"Estes são novos instrumentos duma guerra de propaganda digital (...) sabendo-se como os Serviços de Informação norte americanos e ocidentais a executam mesmo à frente dos nossos olhos.

Estamos a viver num novo mundo, numa nova guerra que se trava por meios digitais. Há uma quantidade enorme de desinformação. Há toda uma informação despejada em cima de si e que você precisa de saber quem organiza, quem financia e que impressões digitais estão nela, mas sobretudo, quem beneficia com a maior operação da história do jornalismo.

E todos os dedos apontam para que não apenas beneficiam, não apenas orquestram, não apenas financiam e coordenam tudo isto, mas para [o facto de] os Serviços de Informação americanos e ocidentais e os respectivos líderes de topo estarem a usar [esta campanha] para destruir adversários mais fracos". 


E da sinopse no vídeo do You Tube:

"As impressões digitais [detetáveis] nestas fugas de informação mostram que quem ajudou a organizar e a conduzir a maior fuga de segredos da história do jornalismo foram a fundação Ford, a doação Carnegie, o fundo da família Rockefeller, a fundação W. K. Kellog e a fundação Open Society (Soros)."

Nota: O autor refere-se nomeadamente ao facto de que a associação de jornalistas (ICIJ) que coordena toda esta campanha do Panama Papers  é financiada pelas referidas instituições, assim como, segundo Rudkowski, a figura pública norte-americana de mais alto nível atingida por esta "investigação" ser...  a cantora Tina Turner! 

Rudkowski  refere ainda a estreita colaboração entre a fundação Rockefeller e a CIA em campanhas anteriores contra governos inconvenientes aos EUA.

Convincente, não?


26/03/2016

PARIS-BRUXELAS: A QUEM INTERESSA O TERRORISMO ?

Ainda sob o impacto do terror, particularmente impressivo nos diretos de canais franceses e belgas, com o precedente de Paris a permitir uma melhor leitura...

Desde ações terroristas aparentemente atribuíveis a jihadistas muçulmanos fanáticos
Até à aceitação pelo público europeu duma nova ordem mundial militarizada e dominada
por estruturas centrais sem controle - vai um pequeno passo.


...é  possível apurar alguns dados:

- Alguns dos executantes têm ligações directas familiares e pessoais entre si na vida civil e estarão ligados tanto aos atos terroristas de Paris como de Bruxelas

- Estão identificados vários dos autores dos atentados de Bruxelas, dois deles os irmãos Bakraoui, cabendo ao Ibrahim explodir-se no aeroporto de Zaventem e ao Khalid na estação de Maelbeek; o outro homem que se fez explodir no aeroporto é Najim Laachraui, que fez as bombas tanto de Paris como de Bruxelas e alugou a casa de Auvelais, no sul da Bélgica, onde foi preparada a operação de Paris

Laachraui foi para a Síria em fevereiro de 2013 e era procurado desde dezembro; em setembro, passou pela fronteira austro-húngara sob a identidade falsa de Soufiane Kayal, na companhia de Salah Abdeslam e de Mohamed Belkaid, o outro membro do grupo, um argelino abatido pela polícia no bairro Forest, de Bruxelas

- Os executantes do atentado do aeroporto, paradoxalmente, foram diretamente de táxi desde a casa alugada para o local do atentado, deixando malas-bombas e vário material para explosivos o que denota precipitação; deixaram também abandonado num contentor de lixo o computador dum dos irmãos que manifestava nervosismo e receio de ser preso "tal como ele" - referindo-se provavelmente a Abdeslam

- Este elemento do grupo, Salah Abdeslam, fora preso cinco dias antes numa operação no bairro de Forest, sendo dois outros elementos abatidos na altura; tudo indica que esta operação policial precipitou os atentados, que já estariam em preparação há meses

- Fayçal Cheffou, jornalista free-lancer de temas muçulmanos, foi dado, com base no depoimento do taxista, como o terceiro terrorista do aeroporto de Zaventem, aquele que fugiu sem explodir a carga, desconhecendo-se de momento a razão da fuga; curiosamente, Faiçal foi preso à saída do edifício do Ministério Público belga mas posteriormente libertado por se ter concluído ser inocente, o que mostra muita desorientação e falta de informação suficiente por parte das autoridades

- A Bélgica parece ser a nível europeu um país preferencial no recrutamento para o jihadismo devido à presença dum forte contingente de muçulmanos vivendo em regime de ghetto, manifestamente desintegrados e rejeitados pela população tradicional. Mas é a meu ver um erro crasso estabelecer uma relação de causa direta entre estes problemas sociais e os atos e redes terroristas. Quem o faz presta um bom serviço político aos verdadeiros mentores deste tipo de terrorismo.

QUE LÓGICA POLÍTICA EM TUDO ISTO?

A escolha de Paris e de Bruxelas como alvos, assim como o facto de não existirem praticamente ações bombistas noutros países - que supostamente para um jihadista seriam alvos principais - estando mesmo alguns desses países a bombardear o Daesh - mostra que a UE é o verdadeiro alvo político de quem está por detrás dos grupos bombistas, a manipulá-los na sombra; aliás, bem no topo da pirâmide, as verdadeiras cabeças estão protegidas nos seus gabinetes dum edifício luxuoso duma qualquer capital ocidental ou do Médio-oriente.

Um outro facto causa interrogações na própria imprensa belga e ocidental: a falta de eficácia das polícias europeias, em particular das francesa e belga; apesar de terem identificado suspeitos deste grupo operacional há meses, deixaram-nos movimentar à vontade pela Europa (como se vê no relato acima) a prepararem tranquilamente o atentado seguinte.

Será apenas incompetência ou há fatores paralisantes mais graves, como infiltrações nas cúpulas policiais e políticas?

Também interessante é o alarido feito agora pelo nefando Erdogan, da Turquia  - responsável por ataques recentes às forças que combatem efetivamente o Daesh (curdos, sírios e russos) enquanto se acumulam provas do envolvimento da Turquia e da NATO no apoio logístico a esse mesmo Daesh através do fornecimento do mais diverso material e da compra de petróleo ao grupo terrorista.

Não é credível que esta óbvia conivência da Turquia com o Daesh seja apenas fruto de interesses hegemonistas regionais da Turquia de Erdogan, e que a NATO, de que a Turquia é um importante membro na região, não tivesse capacidade de o persuadir a alterar a sua postura caso tivesse real interesse. Uma NATO muito ativa quando se trata de atacar os interesses russos ou regimes como o de Kadafi ou o de Al Assad, mas estranhamente paralisada e ambígua quando se trata de meter na ordem Erdogan ou o próprio Daesh.

Muito estranho também o silêncio de Israel e da Arábia Saudita no auge da guerra síria, enquanto as cúpulas do Pentágono subitamente mostram preocupação em propagandear uma pretensa eficiência contra os terroristas no Iraque e na Síria, eficiência que nunca tiveram nos dois anos precedentes.


A ANÁLISE AO PLANO DESTABILIZADOR DA EUROPA TEM QUE SER GLOBAL

Ficam por explicar ligações doutras "pontas" como a vaga de emigrantes, o papel da srª Merkel que apelou à sua vinda, e da Turquia que os estimulou a invadirem a Europa e agora consegue um acordo trilionário promovido pela mesma Merkel.

Haverá ligação destes factores perturbantes da estabilidade europeia com o esquema terrorista, igualmente perturbador dessa estabilidade?

Assim como da campanha que já circulava na Internet contra os muçulmanos ainda antes da grande vaga de refugiados e que claramente era manipulada por centrais de intoxicação internacionais, em textos e imagens muito bem elaboradas também em Português, e reencaminhados por pessoas ingénuas (ou não).

Uma propaganda tão invasiva nunca poderia ser espontânea nem ter origem local, se olharmos à sua qualidade técnica e à presença persistente e sistemática nas chamadas redes sociais, e ao facto de não haver presença relevante de comunidades islâmicas e muito menos ações terroristas em espaços lusófonos que de perto ou de longe a motivassem.
Ver exemplo dessa propaganda AQUI.

Uma questão se impõe: quem tem interesse nestes atentados? 

Seguramente, aquelas forças que querem transformar a Europa num espaço acéfalo e acrítico, cujos povos se submetam ao medo e aceitem todo o tipo de controles e um sistema de governo centralizado e opaco - mesmo que camuflado atrás dum discurso pseudo-liberal de tipo federalista ou outros discursos europeistas e transatlânticos que dão muito jeito porque douram a pílula das verdadeiras intenções - abdicando os povos do que lhes resta de soberania e liberdades fundamentais em nome da segurança, agora ferida de morte nos atentados.

MENOSPREZAR A GUERRA IDEOLÓGICA E PSICOLÓGICA SERIA IDIOTA

Não por casualidade somos "bombardeados" simultaneamente por mensagens subliminares como em mais uma superprodução estreada recentemente, Assalto a Londres London has fallen. Deve ser coincidência tais filmes aparecerem justamente a seguir aos atentados de Paris e antes dos de Bruxelas. A programação em Hollywood é feita com muitos meses ou anos de antecedência. No filme os terroristas e seus líderes máximos têm todos fisioniomias árabes ou iranianas e vivem no meio de velhas medinas tomando chá;  a história é a dum assalto terrorista em larga escala a uma cidade europeia, no caso Londres, coordenado no topo por um "poderoso" e enigmático traficante de armas, algures no meio duma cidade poeirenta e antiga do Médio-Oriente muçulmano.

De notar que este filme faz parte duma série iniciada em 2013 com Assalto ao Olimpo, tendo exatamente os mesmos roteiristas e elenco, e o fabuloso arsenal técnico e humano de Hollywood posto ao serviço duma ideologia e quiçá mesmo dum plano, se olharmos às datas de eventos mundiais relacionados.

No caso do primeiro filme da saga o foco era um suposto assalto norte-coreano à sede oficial do "poder imperial", a Casa Branca, em Washington D.C.

Se pesquisar no Google vai ver que as datas coincidem: o 3º ensaio nuclear norte-coreano (o mais potente, e o primeiro sob a presidência Kim Jong-un, o que causou maior reação do Pentágono), em 12 fevereiro 2013Olympus has Fallen, lançado em Março 2013;

Que original...  E "nada a ver" com a agenda do combate ao Eixo do Mal segundo definição do Pentágono, claro. 

Tudo factos "nada  intencionais" nos timings e temática.



Fontes: Sites on-line através do Google; TV5 Monde, TVFB, TVSuiça, BBC, AlJaZeera