17/07/2014

DECIFRANDO O QUEBRA-CABEÇAS - parte final

Em Inglês, um artigo revelador, da conhecida publicação britânica Economist

  
The new age of crony capitalism - Political connections have made many people hugely rich in recent years. But crony capitalism may be waning

Tentando uma breve leitura em diagonal, este artigo da Economist critica o "capitalismo de compadres" (do qual é um exemplo bem conhecido o mexicano de origem libanesa Carlos Slim, o "homem mais rico do mundo", dono de telecoms no México e por toda a América latina, além de inúmeros outros negócios). 

A revista considera que este capitalismo de compadrio é praticado numa série de países emergentes -  Ucrânia, Rússia, China, México, Brasil, Índia, Turquia - onde no passado muitos magnatas se produziram à custa de negócios fraudulentos protegidos por políticos corruptos, hoje postos em causa pelos novos ventos que sopram.

"BOM" E "MAU" CAPITALISMO

Então, para a Economist, o "bom capitalismo" seria representado sobretudo pelos norte-americanos e ingleses, e por  esta União Europeia onde "gente virtuosa" no poder estaria decidida a acabar com os privilégios dos antigos "magnatas do compadrio".
 

Será que a Economist pensa em Obama ao atribuir tal intenção? É que há um problemazinho, o próprio presidente dos EUA reconhece que não conseguiu reformar quase nada... veja-se a sua muito tímida tentativa no sistema de saúde, visando mudanças mínimas no  fraudulento e predador capitalismo norte-americano - falhou rotundamente.

Quanto às boas intenções da UE de Merkel, os povos da periferia europeia ocidental conhecem-nas bem, e a destruição da classe média e do Estado social em Portugal e na Grécia são exemplos mais que esclarecedores.  

Diz a publicação que este capitalismo de compadrio baseado em favores do Estado teve uma forte expressão
nos EUA do séc. XIX. Deve ser uma imprecisão da revista, o século dezanove é considerado pelos compêndios um expoente da concorrência perfeita. 

Em conclusão do artigo, o autor apura o seu melhor e mais imaginativo estilo literário, concluindo que:

"O boom que criou uma nova classe de magnatas também criou a sua nemesis.

Há um novo culto  da classe média urbana e dos contribuintes que exige a mudança. 
E isso é algo que tanto os magnatas como os líderes eleitos não podem mais ignorar, a não ser que queiram correr sérios riscos".
 

Em suma: o bonito filme da Economist é o duma nova revolução capitalista em curso nos países emergentes, mas sobretudo nos países ricos, que mete na ordem todos os  velhos monopólios abusivos . 

E o 'happy ending' deste muito imaginativo filme neoliberal seria um hiper-capitalismo de saudável concorrência entre empresas. E, claro, pleno de bondade para com as classes médias...

MÁSCARA SORRIDENTE DA SINISTRA NOVA ORDEM CAPITALISTA

É mais um dos "admiráveis mundos novos" à Aldous Huxley, cuja propaganda ciclicamente o capitalismo engendra, depois de (quase) cair no abismo em cada crise mundial e histórica.

A ver vamos se desta vez consegue sair por cima, como nas anteriores. Por mim, deixo o aviso de que tenho as mais sérias dúvidas. (1)ver justificação em rodapé

A talhe de foice, por falar em Economist,  agora percebo porque Passos Coelho organizou essa encenação da Cimeira/Summit de Fevereiro 2014 em Cascais (onde ele foi aliás o único 1º ministro - uma Summit a solo (!) - peculiaridades da nossa Parvónia...), e percebo porque teve o aval da revista inglesa - nada como juntar clientes da mesma "causa" para classificar como positivos os 3 terríveis anos de saque desenfreado executado pelo grupo P&P sob a batuta da troika.

Passos Coelho, apesar da inexperiência executiva que lhe é atribuída,  mostra o quanto está "por dentro" da boa propaganda ao estilo "nova ordem".
 

Nova ordem onde os grandes tubarões globais arrasam os magnatas à antiga, enquanto  proclamam um imaginário capitalismo cor-de-rosa caído do céu.
 

Você acha que tais proclamações são apenas propaganda? Se respondeu sim, acertou!

Propaganda aliás com contornos sinistros na presente conjuntura, onde a fantasia delirante da Economist é brutalmente contrariada pela realidade do esmagador desemprego jovem, da precaridade, dos salários miseráveis, do criminoso assalto aos fundos dos pensionistas que pagaram toda a vida para os financiar, do não cumprimento dos serviços mínimos na saúde, na educação, nos transportes, na justiça, que o Estado - esvaziado por este capitalismo da nova ordem -  deveria prestar às populações.

Mas não é falsa em relação à ordem antiga - cuja destruição é real.  O terrível "detalhe" é que esta nova ordem é, e será de forma cada vez mais óbvia, muito mais implacável com o povo do que a antiga.

CAVALGAR O TSUNAMI DA CRISE

Para lá do "barulho das luzes de néon" dos falsificadores de serviço nos media, a crua realidade arrasta no tsunami da crise tanto os antigos grupos económicos nacionais como as classes médias e os  trabalhadores, com perda de direitos conquistados ao longo de séculos.  

No fundo, pela propaganda, procura-se esconder o RESULTADO ATERRADOR das políticas em curso - um dos mais violentos saques perpretados na História - em que os países mais ricos (EUA, Europa do norte) saqueiam os outros (3º mundo, ascendentes, Europa do sul), e os grandes tubarões da economia global saqueiam as classes médias e, à boleia, aproveitam para  tomar o lugar dos tais "magnatas do compadrio" agora fragilizados.

Portugal é um excelente exemplo disto. 

A  queda fragorosa do grupo Espírito Santo, não só está permitindo aos habituais capachos mediáticos do novo capitalismo de casino darem-se ares progressistas com críticas ao "velho capitalismo" do GES,  como gerou uma onda de alegria serôdia  naquela esquerda avessa ao raciocínio mas sempre pronta a salivar quando quem controla a agenda mediática lhe lança um biscoito sob a forma de notícia.

Passos Coelho e António Costa logicamente também cavalgam esta onda. 

Na mesma onda flutuam ainda uma série de personagens e grupos que, receosos de se afogarem, marcam já o seu lugar na fila, ávidos dum minuto de fama mediática e  babando à vista duma "promissora carreira" a partir de qualquer plataforma "realista" e "governativa" que lhes seja proposta pelo próximo governante colaboracionista da nova ordem.

Aliás, o  tempo se encarregará de tornar óbvio o papel que cabe a cada  protagonista ou figurante, como António Costa, Ana Drago, Podemos, MAS, 3D, Livre, BE, PCP, Marinho Pinto, etc. etc.

Fiquem calmos, em breve conhecerão o próximo capítulo desta lamentável prestigitação partidário-mediática nacional.

Infelizmente, o relógio corre contra NÓS, PESSOAS, cidadãos comuns.


Porque esta forma de fazer política e de gerir a economia não só não beneficia as classes médias e o povo, como os vai  lançando numa vida cada vez mais medíocre, pobre e sem esperança.  

Mas essa, não é justamente a experiência portuguesa em curso, tal como a irlandesa, a espanhola, a italiana, a grega, a cipriota ?

Este artigo da Economist, se alguma vantagem tem, é a de esclarecer o que os tubarões da nova ordem capitalista dos clubes Bilderberg e cia.
andam a tramar, aqui e no mundo todo. 

O puzzle que permite a sobrevivência de figuras tão improváveis e desclassificadas como Coelho, Cavaco ou Portas, ou esse outro que está por detrás da complexa trama das troikas da UE-FMI, assim como o sentido real dos rearranjos à esquerda e ao centro, começa a decifrar-se. 

O enigma caminha rapidamente para o epílogo.

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(1) Sérias dúvidas de que  as potências capitalistas ricas desta vez possam "dar a volta por cima" como nas anteriores grandes crises históricas.
Essa seria matéria para um outro artigo.

Mas, resumidamente, acredito que estamos perante um novo paradigma em que os emergentes ganham o espaço que lhes é próprio a nível mundial.
Só os cinco BRICS - que recentemente oficializaram o seu próprio e novo FMI -  representam já 65% do crescimento global, e em 2015 pesarão um quarto da economia mundial. 

A única forma de barrar o tsunami económico e social que eles representam é uma nova guerra mundial.
Apenas truques financeiros e medidas predadoras - que são, no fundo, a sórdida realidade por trás da máscara moralista das Economist deste mundo - por mais ardilosos e subterrâneos que sejam, dificilmente impedirão a gigantesca massa de emergentes + 3º Mundo de recuperar a fatia do bolo da riqueza mundial que lhes pertence.



10/07/2014

Israel: 400 toneladas de bombas por dia sobre Gaza

A recente vaga de ataques sionistas na faixa de Gaza é difícil de compreender numa primeira avaliação. Pretenderão dividir mais os muçulmanos chiitas dos sunitas? Testar a atual capacidade da resistência palestiniana? Será um ato provocatório do sionismo ante a nova arrumação de forças no médio oriente que lhe é cada vez mais desfavorável?

É que nada de novo se vinha passando aparentemente na resistência palestiniana, salvo o facto de Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestiniana e homem subserviente a Israel, se encontrar cada vez mais desacreditado junto do seu próprio povo (cfr aqui).

Gaza é dominada pelo Hamas, partido aliado dos regimes chiiita do Irão, o do sírio Al Assad, Hezbolah do Líbano e sunitas do Iraque. 

A Turquia e o Qatar são também apoiantes do Hamas, o que preocupa o regime sionista e a ditadura militar egípcia, novo aliado de Israel na região.

Grupos chiitas ou sunitas conflituam em vários países, do norte de África ao Paquistão. Aparentemente os EUA e Israel alimentam ora uma ora outra das facções, mantendo-as num permanente estado de guerra fratricida que só favorece os interesses financeiros de perpetuação do sionismo e do império do dólar na região. 

Lembremos que Israel foi fundado artificialmente após a 2ª Guerra Mundial, pela ação de guerrilhas judaicas apoiadas pelo movimento sionista (sobretudo norte-americano) e poderosos interesses financeiros judeus de todo o mundo. 

O pretexto foi a atribuição de um lar aos judeus perseguidos pelo nazismo, mas o verdadeiro interesse era o petróleo, já que eram do médio-oriente as grandes reservas conhecidas, e tendo em vista contrabalançar a força das  novas nações árabes após o fim do colonialismo inglês e francês.

MAPAS: COMO A PALESTINA FOI ENCOLHENDO ATRAVÉS DAS GUERRAS JUDAICO-ÁRABES










Mapa da região
Mapa da faixa de Gaza antes do desmantelamento dos colonatos judeus
A faixa de Gaza tem  cerca de 45 km de comprimento por pouco mais de 5 km de largura, totalizando uma área de 345 km2, menor que a ilha do Pico e pouco maior que o município de Coimbra. Apenas 10% dessa área é arável. 

A população residente é de 1,7 milhões de habitantes, na sua maioria jovens, sobretudo famílias de refugiados palestinianos expulsas à bala e à bomba dos seus territórios ancestrais pelo sionismo judaico após a 2ª Guerra Mundial.

Ali se fixaram sob a proteção do Egipto, antigo detentor do território, que o cedeu exatamente para abrigar os refugiados.

Israel, após as vitórias sobre as nações árabes nas guerras de 1967 e 1973, aceitou coexistir com os territórios palestinianos remanescentes - Cisjordânia e Gaza - mas tratou logo de instalar abusivamente lá dentro colonatos judeus e tropas que perseguem constantemente os palestinianos, além dum alto muro que lhes dá o controle de todas as saídas e entradas.

Após os acordos de Oslo entre a OLP de Arafat e Israel de Begin (1993), os colonatos judeus são desmantelados em Gaza e o território fica sob a alçada da Autoridade Palestiniana com sede na Cisjordânia.

O partido sunita Hamas ganhou porém todas as eleições no território e declara não aceitar o atual Estado de Israel.

Houve posteriores invasões militares terrestres e aéreas israelitas com pretextos anti-terroristas, enfrentando em Gaza uma resistência cada vez mais organizada que provoca significativas baixas a Israel

Por isso,  a tática israelita mudou e passou a privilegiar a vigilância e intimidação através de  drones e ataques aéreos cirúrgicos que fazem dezenas de mortos civis.

A resposta do Hamas tem sido lançar foguetes rudimentares sobre Israel, o que de pouco mais serve que para dar pretextos ao Estado sionista que facilmente os intercepta no ar.

As agressões sionistas ignoram as resoluções da ONU e mantêm sequestrados na sua própria terra os palestinianos ao controlar-lhes as fronteiras, bloqueando as vias aéreas e marítimas assim como as telecomunicações, enquanto os espia, bombardeia e aterroriza de forma ilegal e impiedosa.

A tragédia do povo palestiniano não pode deixar indiferente qualquer pessoa civilizada e minimamente sensível.




01/07/2014

BES: começa a ruir o mito "em Portugal a crise não é da banca"

Ana Gomes (AG), eurodeputada do PS, falando à antena pública, põe "de caixão à cova" toda a mentira longamente montada pela direita de que a crise em Portugal não é devida essencialmente ao sistema bancário.

AG põe a nu nomeadamente o papel de Ricardo Salgado - líder do Banco Espírito Santo - na vinda da troika, lembrando as suas declarações de que ela viria "ajudar o país", posição logo secundada por toda uma corja de comentadores e políticos sem vergonha.

AG foca as ligações do BES a uma série de interesses em Portugal, como criador de empregos graúdos ou nas famigeradas PPPs, sugerindo mesmo que o lugar dos principais responsáveis do BES seria na prisão dada a gravidade da prolongada mistificação das contas do grupo que neste momento tem um buraco na ordem dos 8.000 milhões de euros, se considerarmos não só o BES Portugal, como o BES Angola, país cujo Governo irá cobrir o prejuízo do BESA em troca da sua nacionalização, segundo os jornais de hoje.

As últimas notícias apontam também para que o regime venezuelano possa ser a tábua de salvação do BES, a par da PT, trocando os seus créditos no banco por um aumento da participação no capital do mesmo.

Entretanto as agências da Wall Street - que sempre arranjam forma de camuflar as fraudes bilionárias da sua alta finança - aproveitaram de imediato para enterrar o BES, o que mostra que o desmoronamento da alta finança portuguesa interessa à alta finança internacional para ganhar posições.

Estejamos atentos. Muitas ligações até hoje escondidas estão a destapar-se - como os  comentadores tipo MST que criticam tudo menos o papel do BES no regime - como bem reparava um membro dos "Gato Fedorento", assim como o papel da televisão SIC mantendo esses tendenciosos comentadores em "prime time", sem contraditório, além do evidente apoio que presta a António Costa na tentativa em curso para alterar a linha do PS.

Na verdade, é quando as grandes pedras do regime começam a esboroar-se que se percebem as contradições dos principais partidos, afinal pouco mais que arietes desses mesmos interesses, e os compromissos dos vários grupos e personagens dentro destas (podres) pedras angulares do regime.

Nota: Ao citar AG, é bom que se entenda que não quero fazer dela a "salvadora da pátria" - quem se mantém num PS tão conivente com o regime não o poderia ser, já não falando do seu passado no MRPP do qual - que se saiba - nunca se autocriticou. Mas essencialmente é lamentável que AG cite as autoridades britânicas e norte-americanas como garantes da legalidade -  é como alguém ser agnóstico ou budista, mas citar o tribunal da "Santa Inquisição" como garante em matéria religiosa. 
O que não invalida as revelações importantes que AG traz a lume.  

Pode conferir a entrevista de Ana Gomes AQUI.

20/06/2014

Depois da Síria, a guerra civil estende-se ao Iraque

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"Quando eu morrer, vou contar tudo a Deus" - diz criança síria ferida

A guerra na Síria, mas não só na Síria, também no Iraque (agora reacendida de forma brutal), no Egipto, na Palestina, no Líbano, na Líbia, no Sudão, na Somália, enfim, em todo o Médio Oriente e África do Norte, é uma acumulação de barbaridades e genocídios intermináveis.

Não cabe uma análise simplória, de que a culpa é deste ou daquele.

Por isso não vou culpar apenas os fundamentalistas boçais (há-os de vários lados - sunitas, chiitas, judeus, cristãos...), nem o "imperialismo americano" ou outros imperialismos, porque estas regiões já tinham problemas antes da intervenção americana no Iraque.

Mas, no mínimo, é lícito responsabilizar as maiores potências económicas e militares mundiais pela sua omissão ao não apoiarem estas regiões no seu desenvolvimento, única base segura para que os fundamentalistas e outras máfias deixem de ter espaço para medrar.

Não esquecendo, claro, a brutal intervenção militar de americanos e ingleses (com a assessoria do nefando Barroso e do aldrabão Aznar) no Iraque e, mais tarde, na Líbia, e essa fonte  permanente de problemas que é o artificial e agressivo Estado de Israel incrustado em terreno árabe e sempre concatenado com o pior belicismo Ianque.


13/06/2014

Os movimentos anti-homofobia, racismo, etnicismo, etc. e o seu aproveitamento pelo capitalismo

Considero-me uma pessoa de espírito aberto.

Já estou a ver a crítica: "e daí, os maiores racistas e homofóbicos dizem o mesmo".


Em Bratislava, homens carregam cartaz pelos direitos humanos: atualmente paradas gays mobilizam milhões de pessoas nos cinco continentes. A de São Paulo é considerada a maior do mundo
Foto: AFPmarcha


Mas não comigo, eu tenho provas. Logo aos 18 anos, mesmo sem perceber nada de política, aconteceu-me ir dar, por breves 3 meses, aulas no interior de Angola, quando esse território era ainda uma colónia portuguesa.

Na escola onde lecionei, encontrei os meninos e meninas sentadinhos "espontaneamente" da seguinte forma: brancos nas primeiras filas, negros nas de trás. Achei absurdo e tratei imediatamente de os distribuir por ordem alfabética. Ficaram todos misturados, e o ambiente da classe foi sempre ótimo.

Havia também um menino/a que era hermafrodita, ou seja, tinha nascido com órgãos sexuais masculinos e femininos simultaneamente. Só o soube, porque os pais acharam por bem (avisadamente) prevenir-me e informar que mais tarde, quando atingisse a maturidade, ele/ela faria uma operação para definir o sexo. Mesmo não sabendo nada do assunto, tratei de integrá-l@ na classe com toda a normalidade. E foi tão bem, que hoje já nem me lembro dele/a nos meses seguintes, sinal de que era uma criança normal sem o menor problema.

Tive na vida múltiplas situações em que apoiei, com prejuízos pessoais, pessoas negras e de várias minorias contra preconceitos.

Na escola onde lecionei a maior parte da vida, por algum motivo ou coincidência, havia uma concentração invulgar  de professores homossexuais. Tanto que alguns deles chegaram a dirigir a escola. Igualmente tive alunos/as homossexuais ao longo da vida. Para que conste, posso apenas dizer que das pessoas com quem trabalhei toda a vida, alguns homossexuais foram dos mais inteligentes e sensíveis. Dois dos meus colegas, supostamente homossexuais, eram meus amigos pessoais. Por triste coincidência, há bastantes anos atrás, ambos morreram em circunstâncias trágicas, o que me deixou chocado.

Por tudo isso, sinto-me à vontade para fazer a análise que segue.

O sistema, e quem nele manda nos vários países, já percebeu que explorar as fobias raciais, sexuais, étnicas, etc. mas também, ATENÇÃO, os movimentos CONTRA essas fobias, é um filão inesgotável. E excelente para desviar as atenções.

Foi por isso, aliás, que puseram um negro na presidência dos EUA. Ou pensam que foi por acaso? Santa ingenuidade...

Já pensaram, um presidente branco a dizer de peito cheio e voz pomposa, como o Obama fez: "A Rússia é uma mera potência regional que agride os seus vizinhos".


Ou seja, por outra forma, "nós, EUA, somos a potência global com um arsenal maior que todo mundo junto, mas somos os «bonzinhos»". Que importa se a CIA ou outro departamento dos EUA  (todos sob a administração Obama, ou não? ...), segundo dados PÚBLICOS de fontes oficiais, investiu largos milhões nos movimentos neonazis ucranianos para derrubar o Ianukovich? Mas claro, os media corporativos omitem-no, e só falam nas manigâncias do Putin no leste da Ucrânia... (Cfr http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=688277 ou
http://www.portugues.larouchepub.com/outrosartigos/2014/0202-ukraine_nazi_coup.html)

Já pensaram, se o presidente fosse um branco, era uma barbaridade. Assim, "tudo numa boa"... Que grande golpe propagandístico, o "negro" Obama na presidência!

Em Londres - um dos centros mundiais do sistema capitalista parasitário, as paredes do Metro estão cheias de cartazes de associações gays/lésbicas alertando contra a homofobia. Mas que progressistas, os "british"... e que bem tolerados são os gays pelo centro mundial capitalista, com direito a publicidade milionária no "tube" londrino, vista diariamente por milhões de pessoas!


Londres já era, nos anos 60, uma Meca dos gays. Qualquer pessoa informada o sabe. Falar de homofobia ali hoje, é de rebolar no chão a rir... mas percebe-se este uso da publicidade no Metro, convém marcar a posição do lóbi gay num centro mundial, não é? (lá vou eu ser incinerado pelas ligas LGBT por dizer isto ...)

A verdade é que, enquanto o pagode andar distraído com os (reais ou imaginários) racismos, sexismos, fobismos, nacionalismos, etc., vai-se estupidificando cada vez mais e perdendo o fio condutor da QUESTÃO FULCRAL: o sistema capitalista mundial, e como ele funciona.

Isto, já não falando nas taras futebolísticas e nos nacionalismos de mão posta no coração quando toca o hino, com que somos bombardedos por exemplo na Copa - esses, mais primários, e destinados à "ralé" do sistema, como diria o grande linguísta e politólogo (judeu americano) Noam Chomsky.


Enfim, caminhando e andando... (para onde, eis a questão)


09/06/2014

Ana Drago e o debate na esquerda portuguesa

Esta é apenas uma parte do debate necessário, sobre os muitos temas a analisar.
Mas podemos começar por aqui. 




Ana Drago tem-se desdobrado em declarações, quer no seu blogue quer em entrevistas aos media corporativos dominantes.

Infelizmente, apesar do tom sincero e espontâneo a que nos habituou, não me parece que Ana avance com qualquer ideia que faça a diferença e seja verdadeiramente capaz de mobilizar novas energias à esquerda.

Vejamos alguns tópicos centrais da sua entrevista ao Público de 8/06/2014, seguidos do meu comentário. 

AVISO: Alerta-se os apreciadores de coisas superficiais que a leitura a seguir poderá ser indigesta, uma vez que usa argumentos sólidos e aprofundados q.b. (para um simples blogue)
Pensem bem antes de ler, e vejam se não preferem ficar pelas generalidades dos media corporativos ou "burgueses", continuando a chafurdar tranquilos no lamaçal em que este País está a ser transformado.

1. Justificando o suposto desvio de votos para o PCP

Ana Drago: "(...) o PCP funciona como um cofre. Vota-se, e o partido guarda o voto, faz uma defesa do Estado Social, da democracia (...)" 

Aparentemente para A.Drago o PCP terá essa capacidade de fixar o voto do povo mais fiel a Abril, mas não consegue ir além disso. Porque em sua opinião (noutro ponto da entrevista) o PCP se remete a uma atitude defensiva que não dá abertura para outros setores da sociedade.


Tem em parte razão A.Drago neste ponto, mas a forma como exprime a sua ideia, talvez para evitar ser truculenta, 
resulta numa grande falta de rigor.  É que, ao contrário do que afirma, o PCP não defende de forma coerente o Estado social. 

Se o fizesse, perante o brutal ataque da troika aos pensionistas, o PCP devia ter a REPOSIÇÃO DAS PENSÕES como palavra de ordem central nos seus cartazes da última campanha eleitoral e não apenas DOS SALÁRIOS como fez.


Devia ter também conduzido os sindicatos a chamarem os seus trabalhadores reformados para reuniões com vista a organizar o combate à violenta espoliação de que foram alvo, em vez de deixá-los entregues ao seu isolamento.

A verdade é que nem sequer no primeiro OGE do atual governo, que cortou os 13ª e 14ª meses, o PCP requereu a inconstitucionalidade, deixando ao BE e a alguns deputados do PS as "custas" dessa luta.


Só quem anda muito distraído não se apercebeu destes factos centrais. 

Que de modo algum podem ser considerados ocasionais num partido como o PCP, que planifica meticulosamente o discurso e as suas ações. A atuação do PCP nada tem de ocasional, antes resulta da sua total subordinação ao eleitoralismo dentro da lógica interna do sistema, que analiso no ponto seguinte.



04/06/2014

Comentário sobre Ana Drago


Eis o comentário que fiz à partilha que Ana Drago (ex-dirigente do Bloco de Esquerda) produziu no seu facebook.



Link aqui: facebook Ana Drago.

Nota: é um 1º comentário feito ao primeiro post dela sobre o tema, dentro de horas farei um outro mais desenvolvido sobre as entrevistas que a Ana Drago tem dado.
  
«A Ana parece-me bem intencionada.

Mas o problema não é só de pessoas, é de linha política.

Um partido não pode às 2ªs, 4ªs e 6ªs defender os interesses (reais ou imaginários) de ínfimas minorias que dispõem de fortes lóbis, e às 3ªs, 5ªs e sábados defender os aposentados, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados, etc. que são a esmagadora maioria.

Por outro lado isto já não vai lá com apelos bem intencionados à unidade das esquerdas.

O PS, o PCP, o BE, os grupúsculos como o Livre, o 3D, os trotskistas do MAS, apesar da cortina de palavreado empolado mais ou menos marxista, representam sectores socialmente instalados DENTRO do sistema capitalista, cujas reivindicações e crenças provêm do estilo de vida consumista induzido pelo sistema (em graus diferentes, para cada um deles).
 
A população em geral desconfia e não se revê em tais partidos, nem tãopouco nos partidos de direita.

Por isso é que a abstenção atingiu quase três quartos do eleitorado.

Os 32,5% do PS, os 29% do PSD+CDS, os 12.5% da CDU, os 7,2% do Marinho Pinto, têm que ser reduzidos a um quarto, pois essas percentagens são em relação ao ¼ do eleitorado que votou nos partidos, estão referidas a essa base de cálculo restrita.

Deixem-se pois os partidos de proclamar vitórias da treta. A verdade é que ninguém ganhou estas eleições, a não ser a abstenção (ou seja, os não-votos, mais os brancos e os nulos). O que é triste, mas é verdade.

E não venham igualmente tentar dar lições de moral a quem se absteve, porque muitos dos abstencionistas sabem mais de política com os olhos fechados do que os politiqueiros com os olhos abertos.»


11/05/2014

ABSTENÇÃO! - PERANTE A CONIVÊNCIA E A DEMAGOGIA EXTREMAS



O momento que o País vive é duma demagogia eleitoralista que roça o patético.

Apenas possível numa sociedade mergulhada em profunda alienação, fruto da chantagem troikista e da incompetência da oposição. Chantagem que só resulta porque há uma população despolitizada e confundida por décadas de subsidiodependência da UE, à qual nunca nenhum partido se opôs de forma consequente.

Depois de 3 anos de brutal espoliação que fez pagar a "crise" aos aposentados, aos funcionários públicos, aos desempregados e a outros grupos mais vulneráveis, que vem desmantelando o SNS e a escola pública, que pôs a economia em estado comatoso, mandando em 3 anos cerca de 250.000 pessoas para a emigração (nível dos piores anos do fascismo), que fez regredir o poder de compra duma grande parte da população para 40 anos atrás e colocou na pobreza mais de 1/3 dela, que só no último ano destruiu 229.000 empregos (link), apesar da vergonhosa manipulação da taxa de desemprego procurar convencer-nos do contrário...

... depois de tudo isto, o grupo no poder ainda se atreve a embandeirar em arco, proclamando vitória pelo suposto fim da troika (que é falso, porque a tutela da UE e do FMI vai continuar por 20 anos, e isso FORMALMENTE pelos acordos assinados) e manipulando os números da economia, que na verdade levará, ao ritmo atual e apenas se tudo correr bem, 5 a 7 anos a regressar ao nível de produção anterior à intervenção, mas com tudo o resto - desigualdades, qualidade de vida, serviços, centros de decisão, etc - diferente para pior.

A confusão espalhada na população é total. E isso muito deve à incompetência da oposição para ler correctamente a situação e desmontar com clareza a gravidade das agressões cometidas pela clique no poder.

Assiste-se a uma mistura de níveis de responsabilidade, metendo-se no mesmo saco a clique golpista no poder e o PS. Quando, apesar das pesadas responsabilidades e da óbvia conivência do PS, este nunca fez a tentativa de assalto ilegal às pensões e aos salários a que assistimos nestes 3 anos - naquilo que é um autêntico golpe de Estado.

Grupúsculos pseudo-radicais - na verdade funcionando como lebres doutros interesses ou partidos para despistar os cidadãos - ao sabor da agenda dos media mercenários, lançam campanhas como "prisão dos responsáveis pela dívida" que, além de escolherem alvos insignificantes como o Duarte Lima, sobretudo não destacam o papel do terrorismo financeiro internacional como responsável maior da crise, por isso ilibam-no.

Por outro lado, alguns partidos apontam o euro em abstrato como responsável da "crise". Ora isto assim posto, é brincadeira de crianças já que não responsabiliza ninguém em concreto, nomeadamente os que foram coniventes com o terrorismo financeiro internacional.

Jamais Portugal teria precisado de qualquer "resgate" se o BCE e a Alemanha tivessem combatido desde início os especuladores (como hoje fazem, após a ameaça que atingiu a Itália), até porque a dívida pública portuguesa era então apenas 2/3 da que é agora.

Entretanto, partidos de esquerda e a grande maioria dos sindicatos metem no mesmo saco as camadas mais fustigadas - aposentados, função pública, etc., aos quais a clique no poder aplica leis especiais - só visto em regimes de apartheid, naquilo que é um autêntico golpe subversivo da Constituição e de centenas de leis que regulam as carreiras - e ao fazê-lo, tais forças políticas põem os espoliados no mesmo plano doutros grupos com cortes relevantes, sim, mas que não assumem a natureza golpista ilegal dos primeiros.

Daí, dessa avaliação errada e desse confusionismo, os partidos e os sindicatos (quase todos) mantêm uma atitude institucional conivente perante a clique do poder, fingindo não perceber a mudança destrutiva do regime democrático e a radical perda de soberania subsequente à intervenção estrangeira - que se prevê durar décadas, como já foi dito acima..

Essa conivência e este confusionismo  dos partidos e centrais sindicais são razões mais que suficientes para que, desta vez. se deva votar apenas como protesto: ABSTENÇÃO!

27/03/2014

QUANDO A CENSURA É FEITA PELAS PRÓPRIAS JORNALISTAS:

Esta funcionária da RTP, paga pelos nossos impostos, no fórum da RTPi sobre os cortes nas pensões em que ela devia ser simples moderadora - inclusive tinha um comentador-convidado, o seu próprio Director de Informação, e o programa era para os cidadãos opinarem - teve um comportamento execrável.

Ela tentou impor as mesmas mentiras repetidas pela clique no poder,
e interrompeu um cidadão que desmontava a apregoada "insustentabilidade da Segurança Social" (mostrando que os governos têm desviado muitos milhares de milhões colocados nos fundos de pensões pelos aposentados) .

A dita jornalista, armada em sabichona, cortou várias vezes a palavra ao ouvinte (que se exprimia com toda a correcção, diga-se) impedindo-o de concluir.

No fascismo, a censura era feita por oficiais do exército reformados que não percebiam nada de política e agiam maquinalmente, cortando conteúdos das notícias conforme as ordens recebidas. 

Agora é muito pior. São mercenários com carteira de jornalista que, ganhando "brutos" ordenados, fazem uma censura cirúrgica extremamente eficaz para efeitos de baralhação e manipulação do comum cidadão.

E dizem que é democracia. Ao que isto chegou...!



ROUBO, MANIPULAÇÃO E ALMOFADAS

Hoje as três TVs noticiosas - todas, que coincidência...- fizeram uma "antena aberta"/fórum de debate com os espectadores sobre as notícias que os esbirros do desgoverno passaram para os jornais como-quem-não-quer-a-coisa, tornando permanentes os cortes nas pensões através do truque de mudar o cálculo de modo a depender do factor demográfico e do PIB.

Até aqui, tudo bem.
OU, na realidade, TUDO MAL, porque as pensões já estão rebaixadas em certos casos para metade de quando a clique Passos & Portas entrou. A aplicar tais factores, deveria ser quando as pensões ainda estavam no seu nível inicial. Agora, significará apenas mais roubo continuado, a somar ao saque já feito.
 

E TUDO MAL, porque este desGoverno faz sempre o mesmo número ritual - lança o balão de ensaio por interposta pessoa, entretanto vai dizendo que não e, no fim, aplica mesmo aquele imposto ou outro pior.

AGORA A QUESTÃO: porque é que os media, que em 90% do tempo colaboram na propaganda burlona da troika e do seu desGoverno deram aqui a voz aos ouvintes, e todos o fizeram no mesmo dia? E porque é que cada vez dão mais destaque às passeatas-propaganda da CGTP e à cassete ilusionista do PCP?
 

Porque é que a APRe! - associação de aposentados - habitualmente ignorada, foi desta vez convidada por todos os canais a falar?

EIS A RESPOSTA: porque o desGoverno já percebeu a inépcia e vacuidade da APRe!, da CGTP e de TODA a "oposição" parlamentar. E a clique P&P percebeu também que sózinha não vai conseguir estancar a indignação que tanto saque provocará.

Assim, os media matam dois coelhos dum só golpe: ajudam o desGoverno a lançar o barro à parede e colocam ao mesmo tempo como único representante dos reformados uma organização que nada tem feito, o que é uma forma hábil de criar falsas expectativas, paralisando os saqueados.

CONCLUSÃO: o principal problema dos novos milhões de espoliados pelas atuais medidas fascizantes e perversas (eles ainda têm a lata de falar de justiça quando as tomam) - não é o desGoverno que as aplica.

O principal problema é a "oposição" que lhe serve de almofada, desarmando as vítimas da extorsão com o seu palavreado oco e a constante fuga à luta.

A manipulação tem dois braços e duas cabeças: a dos que tomam as medidas, e a dos que fingem lutar contra elas, anestesiando as vítimas para evitar que se revoltem.


Os predadores mais eficientes, antes de devorarem as presas, tratam de paralisá-las com veneno.  

06/03/2014

15.000 polícias protestam frente à AR, em Lisboa

MAIOR PROTESTO POLICIAL DE SEMPRE

Numa ação marcada por longos períodos de tensão, ameaças de invasão que originaram vários feridos, só paradas por um impressionante dispositivo de centenas de polícias de choque e pelos histéricos e insistentes apelos dos líderes sindicais à boa ordem, com os piquetes sindicais a reforçarem mesmo a polícia de choque...

... tudo acabou na paz podre do costume, como é da praxe nas manifs da CGTP, com o dirigente da ASPP, Paulo Rodrigues na típica retórica do sindicalismo amarelo a dirigir palavras elogiosas ao poder na pessoa da presidente da AR, por sinal bastante desprestigiada pela sua desorientação recente, além da choruda pensão que recebe pelos escassos anos de trabalho no TC.

Nem uma palavra destes dirigentes sindicais apelando à unidade dos portugueses em torno da espoliação comum às várias categorias sociais, nem uma palavra exigindo a demissão dos corruptos e colaboracionistas com o saque, nem uma palavra para uma estratégia de revolta no futuro.

Fica a nota positiva duma vontade de lutar expressa no rosto e nas palavras de ordem espontâneas dos  homens e mulheres desta classe profissional, alto e bom som:
"Passos, escuta, és um filho da P...."

Mas o epílogo imediato, sabemos qual vai ser: umas migalhas como paga pelo "bom comportamento" dos sindicatos amarelos, propaladas como "vitória da classe" ou no mínimo "a vitória possivel".

Mais uma vez  se constata o papel do sindicalismo amarelo e dos partidos capitulacionistas por trás dele,  como importantes almofadas do poder reacionário e anti-nacional que dirige o País.

Dez feridos na maior manifestação de sempre de polícias

05/03/2014

A MAIOR FRAUDE DA HISTÓRIA

Clique na imagem em baixo para lançar o vídeo no You Tube

Aqui está uma opinião bem estruturada, que fala claro e põe o dedo em algumas das principais feridas do sistema atual.

A notar no final, a referência à tentativa da Turquia criar um sistema bancário independente do sistema mundial. Talvez isso explique muito do que se está passando tanto na Turquia como noutras regiões.

Mas, o mais importante:

Há muito que venho defendendo esta tese, que passa por perceber que os EUA emitem - através do seu sistema bancário, como fala o autor,  mas também por outros meios - triliões de dólares DE GRAÇA, que usam para manter artificialmente a sua economia, corromper as sua classes médias e sustentar a sua formidável máquina militar, de espionagem, de subversão e propagandística, que lhes permite o domínio absoluto - político e ideológico - do mundo. Dançamos todos, literalmente, ao compasso da banda norte-americana!

Como textos longos já quase ninguém lê, espero que em vídeo alguém procure assimilar.

Chamo a atenção que isto é apenas o começo do muito que as pessoas devem entender para saberem como funciona o mundo atual  (sendo que a opinião do autor não coincide exactamente com a minha, já que ele põe o foco nos custos para o contribuinte norte-americano, enquanto eu o ponho no facto dos EUA se servirem do dólar como moeda mundial para viverem à custa disso - incluindo os seus contribuintes).

Espero que em Portugal as pessoas comecem finalmente a "cair na real" e deixem de acreditar nas tretas mirabolantes de que a culpa da crise portuguesa e europeia é "nossa", resultado do "viver acima das posses", ou mesmo dos trocados gastos pelos sucessivos desGovernos com fundações e corrupção, e mais isto e aquilo!

Deixemo-nos de faits divers. O foco é a manipulação dos mercados e a parasitagem mundial dos especuladores financeiros, com os grandes bancos mundiais na 1ª linha (como uma investigação recente apurou no Reino Unido).

A crise, como demonstrarei brevemente, é fruto do terrorismo financeiro mundial e dos seus ataques especulativos feitos cirurgicamente quando convém, e DESFEITOS quando os desGovernos que os servem, como é o caso do P&P (Passos e Portas), estão no poder.




23/02/2014

Da Ucrânia, com amor

Eis o meu comentário a este artigo inserto no blogue "Da Rússia", do jornalista José Milhazes 

Vejo pelos comentários ao blogue em referência que há muita desinformação inclusive dos que se acham tão espertos que já fizeram "o filme todo" da situação. Presunção e água benta, cada um toma a que quer...

O que eu sei - e sei pouco, sei-o nomeadamente por informações pessoais de ucranianos amigos que moram na minha zona - é que na Ucrânia, independentemente dos vários governos que passaram, a corrupção é generalizada, paga-se por baixo da mesa para se ser tratado no hospital público gratuito (onde, apesar disso,se é melhor tratado que em muitos hospitais da área metropolitana de  Lisboa), ou que só corrompendo a polícia se passa na fronteira sem problemas, mesmo tendo todos os papéis legais. E sei que há muita pobreza e desemprego - se assim não fosse, com a crise que grassa em Portugal, os imigrantes ucranianos  já tinham regressado todos. Alguns fizeram-no, é certo, mas uma boa parte continua por cá, mesmo a viver de subsídios ou biscates, nalguns casos.




O Partido Comunista ucraniano apoiava o corrupto Ianukovitch, que acaba de ser deposto, o que mostra bem o papel e as responsabilidades no degradar da situação social duma certa esquerda tradicional, como refiro abaixo. Seria bom os militantes deste tipo de partidos refletirem sobre os abismos para onde a sua cegueria partidária os pode levar.
(clique a seguir para prosseguir a leitura)

04/02/2014

O SENTIDO DO ANACRONISMO DAS PRAXES

Este é o debate do momento nos media portugueses, despoletado pela tragédia da praia do Meco em que morreram seis  jovens duma universidade privada, quando simulavam os rituais a aplicar aos novos alunos.


OS ARGUMENTOS MAIS COMUNS CONTRA AS PRAXES...

O sinistro facto gerou um natural movimento de repúdio contra essa aberração que são as praxes, com os seguintes argumentos:

- As praxes são humilhantes e, ao contrário do que dizem os seus promotores, elas não integram, antes estupidificam e tornam submissos os alunos ao imporem-lhes atos humilhantes e muitas vezes perigosos, através duma coação chantagista

- As praxes são uma coisa anacrónica, reminescência dum passado tradicionalista e conservador que hoje não faz sentido.

- As autoridades universitárias, ao não imporem regras que limitem os abusos, estão a ser coniventes

- Vários dos comportamentos impostos aos "caloiros" e o tipo de organização que enquadra as praxes chegam a assumir um nível criminoso, infringindo direitos pessoais básicos, intocáveis. e indisponíveis

... E UMA ANÁLISE MAIS PROFUNDA

Concordo com tudo isso. Mas é preciso ir mais fundo na análise e perceber o que é que a persistência de hábitos tão boçais tem a ver com a estrutura e a conjuntura atual da sociedade portuguesa.

(para ler mais, clique abaixo)

29/11/2013

CTT: a luta pelos correios - que lições?

NOTA: Esta luta ocorreu no período do governo de direita PSD/CDS (Passos/Portas). Mas a maior parte da análise mantém-se atual.

Os trabalhadores dos CTT estão em luta.

Infelizmente, o facto da liderança ser das cúpulas bolorentas da CGTP e da UGT promete apenas mais um simulacro de luta para trabalhador ingénuo ver.

Nada foi preparado para um combate duro e prolongado. Que poderia nem passar por greves, mas passaria sempre por um minucioso estudo de estratégias diversificadas e imaginativas, em espiral crescente, com alternativas preparadas para cada vez que uma ação fosse anulada.

Podiam, por exemplo, oferecer serviços gratuitos aos clientes, com o uso ou não das estruturas da empresa para o efeito (dependendo da adesão da classe). Ou, sendo mais criativos, mandar imprimir um grande selo simbolizando a destruição do País a par da dos correios, e vendê-lo para angariar um fundo de resistência, ou simplesmente oferecê-lo.

NOTA: Na Carris, antes de 1974, numa situação em contexto social diferente mas não mais grave que o atual os trabalhadores deixaram os passageiros viajar de graça, numa ostensiva desobediência civil.

Mas, agora mesmo, os sindicatos dos transportes da CGTP, ao invés, insistem em greves que parecem desenhadas para irritar o público.
E repetem, repetem, repetem mais do mesmo... há décadas, numa persistência cega no erro que é difícil alguém entender.
ém