Esta é apenas uma parte do debate necessário, sobre os muitos temas a analisar.
Mas podemos começar por aqui.
Ana Drago tem-se desdobrado em declarações, quer no seu blogue quer em entrevistas aos media corporativos dominantes.
Infelizmente, apesar do tom sincero e espontâneo a que nos habituou, não me parece que Ana avance com qualquer ideia que faça a diferença e seja verdadeiramente capaz de mobilizar novas energias à esquerda.
Vejamos alguns tópicos centrais da sua entrevista ao Público de 8/06/2014, seguidos do meu comentário.
AVISO: Alerta-se os apreciadores de coisas superficiais que a leitura a seguir poderá ser indigesta, uma vez que usa argumentos sólidos e aprofundados q.b. (para um simples blogue)
Pensem bem antes de ler, e vejam se não preferem ficar pelas generalidades dos media corporativos ou "burgueses", continuando a chafurdar tranquilos no lamaçal em que este País está a ser transformado.
1. Justificando o suposto desvio de votos para o PCP
Ana Drago: "(...) o PCP funciona como um cofre. Vota-se, e o partido guarda o voto, faz uma defesa do Estado Social, da democracia (...)"
Aparentemente para A.Drago o PCP terá essa capacidade de fixar o voto do povo mais fiel a Abril, mas não consegue ir além disso. Porque em sua opinião (noutro ponto da entrevista) o PCP se remete a uma atitude defensiva que não dá abertura para outros setores da sociedade.
Tem em parte razão A.Drago neste ponto, mas a forma como exprime a sua ideia, talvez para evitar ser truculenta, resulta numa grande falta de rigor. É que, ao contrário do que afirma, o PCP não defende de forma coerente o Estado social.
Se o fizesse, perante o brutal ataque da troika aos pensionistas, o PCP devia ter a REPOSIÇÃO DAS PENSÕES como palavra de ordem central nos seus cartazes da última campanha eleitoral e não apenas DOS SALÁRIOS como fez.
Devia ter também conduzido os sindicatos a chamarem os seus trabalhadores reformados para reuniões com vista a organizar o combate à violenta espoliação de que foram alvo, em vez de deixá-los entregues ao seu isolamento.
A verdade é que nem sequer no primeiro OGE do atual governo, que cortou os 13ª e 14ª meses, o PCP requereu a inconstitucionalidade, deixando ao BE e a alguns deputados do PS as "custas" dessa luta.
Só quem anda muito distraído não se apercebeu destes factos centrais.
Que de modo algum podem ser considerados ocasionais num partido como o PCP, que planifica meticulosamente o discurso e as suas ações. A atuação do PCP nada tem de ocasional, antes resulta da sua total subordinação ao eleitoralismo dentro da lógica interna do sistema, que analiso no ponto seguinte.
















