12/09/2013

Portugueses no Rio protestam contra homenagem a Relvas

Aqui está gente sem papas na língua e que diz o que tem a dizer, sem calculismos eleiçoeiros.

Para aqueles que andam há anos a anestesiar as lutas populares em Portugal, isto é uma autêntica bofetada.

Vejam se aprendem uma coisa simples: a coragem também se transmite, não apenas a cobardia.

Para ver melhor, por favor, maximizem o vídeo no écrã.


04/09/2013

A SÍRIA, ANTECÂMARA DA 3ª GUERRA MUNDIAL

Na atual crise síria, Obama mostrou que apenas esperava um pretexto para atacar. Como entender que sequer aguardasse pelo relatório  dos peritos da ONU sobre armas químicas? Tudo remete, pois, para um plano de longa data.
(Foto que corre nas redes sociais)
Milhões de sírios nas ruas apelando ao não à guerra. Mas fotos destas não passam nos media mundiais! 

VÁRIAS COINCIDÊNCIAS

Receando a opinião pública americana, de forma clara em maioria contra a guerra, Obama optou por consultar o Senado. Mero pro forma, como se vê pela sua declaração de que vai atacar, aconteça o que acontecer (mesmo que depois recuasse, ante a inteligente proposta russa).

30/08/2013

INCÊNDIOS: O GRAU ZERO DA POLÍTICA

Nota: Este comentário foi publicado bastantes dias antes do PS, PCP ou Bloco tomarem pela 1ª vez posição pública sobre a calamidade que atingiu o País no presente ano. Será coincidência?


Só este verão já morreram 7 bombeiros. Dezenas ficaram feridos com maior ou menor gravidade. É a infeliz notícia sobre Portugal que corre nos media mundiais - ainda ontem na DW-TV. Absolutamente invulgar este número de perdas humanas em Portugal, a que se somam mais de 3,5 mil milhões € de prejuízos materiais. Simbolizam o estado em o país está.  

Não basta lamentar ou fazer campanhas solidárias. É uma exigência cívica responsabilizar quem de direito - os políticos, que deviam ter tomado em devido tempo medidas preventivas. Mas eles preferiram a propaganda e as inaugurações.

Se numa escola ou discoteca morrem pessoas por falta de saídas, toda a gente exige averiguações e punição aos respectivos diretores, por incúria ou cumplicidade. No caso dos fogos, as pessoas agem como baratas-tontas e ninguém exige nada. Choram as vítimas e apontam o dedo aos incendiários o que, infelizmente, não basta.  

A verdade é que chegámos ao ponto de aceitar tudo. Os bombeiros são o novo cordeiro para o sacrifício.  


23/08/2013

Revista Visão: um dos muitos exemplos de manipulação mediática

"Torne a mentira grande, simplifique-a, continue afirmando-a, 
e eventualmente todos acreditarão nela" - Adolf Hitler


A revista Visão publica um artigo em 22 do corrente sobre os cortes nas pensões que o (des)governo pretende impôr em 2014. Trata-se dum exemplo acabado da mais grosseira manipulação.

Em cada linha que escreve a "jornalista" demonstra o seu servilismo aos grandes interesses que assaltam o País. Vejamos alguns exemplos.

Logo a segunda frase do artigo, referindo-se aos aposentados com mais de 75 anos, diz: "Os mais velhos estão mais protegidos".

Ora o artigo é sobre as medidas para extorquir (ainda) mais dinheiro aos reformados da CGA - a todos eles. Quando muito a autora poderia escrever: "Perante esta nova extorsão, alguns dos mais velhos poderão sofrer um esbulho menor". E alguns, porque está demonstrado que só quem acumule todas as condições da lei do OGE 2014 terá menor agravamento. Mas agravamento, sempre!

A escolha das palavras não é um mero acaso. Palavra, é a ferramenta  do jornalista.

22/08/2013

UHF - chamar os bois pelos nomes!



Quem disse que os UHF são foleiros e não tocam nada?

Podem não ser os Dire Straits ou os Radiohead, mas o António Ribeiro é fixe, não tem nada de estúpido, mantém uma voz timbrada e fala claro, o que é uma grande qualidade num país de meias e bolorentas palavras (já nem falando daquela malta que fala um mau Inglês, mas insiste em cantar só em Inglês):




Apesar do tom de desilusão e dalguns equívocos políticos (o António Ribeiro também insiste na tecla - falsa - da corrupção como fundamental causa da crise...), apesar disso há honestidade, único ponto de partida sério para se fazer alguma coisa.

A verdadeira música de intervenção portuguesa de novo, no meio do estado caótico da nossa cena musical?






19/08/2013

Equador: as contradições ambientais da esquerda populista

O presidente Rafael Correa, conhecido pela sua ousadia em afrontar as oligarquias tradicionais e os grandes interesses estrangeiros, acaba de tomar uma decisão que os ambientalistas consideram um enorme recuo.

Contrariando a sua posição anterior, o governo equatoriano mostra agora abertura à exploração do petróleo na floresta de Yunani, um santuário onde num único hectare existem mais espécies animais e vegetais que nos EUA e Canadá juntos, além de viverem ali os Huaorari e uma outra tribo, ainda não contaminados pela chamada civilização.

O Equador havia reivindicado aos países desenvolvidos uma indemnização de 3,6 biliões de dóls. - cerca de metade do valor das reservas em petróleo da região - para desistir de explorar aquele petróleo, mas não viu suas  pretensões atendidas.

10/08/2013

COMPROVADO: TORRES GÉMEAS NÃO CAÍRAM PELO IMPACTO DOS AVIÕES

Acaba de ser comprovado por um cientista dinamarquês, através da análise dos destroços, a presença de sofisticadas nanopartículas explosivas em tão larga quantidade que não podiam ter sido transportadas nos aviões.


O cientista estudou durante dois anos as substâncias referidas, acabando de publicar um artigo científico que comprova que as torres foram demolidas com explosivos anteriormente introduzidos  nos vários andares, até porque a quantidade de explosivos necessários não é credível que pudesse ter sido transportada nos aviões e, se o fosse, não podia ter o efeito que teve.

Aliás, o movimento dos familiares e amigos das vítimas reuniu depoimentos de mais de 1.500 engenheiros que sustentam que jamais prédios modernos e daquele tipo
(com o detalhe da queda vertical e instantânea do 3º prédio, 
uma estrutura em aço de 47 andares, que não foi sequer atingida por nenhum avião ou por escombros das torres gémeas) cairiam só com o impacto de um avião, ainda por cima em derrocada perfeita, a não ser por implosão muito bem preparada com longa antecedência.  

Assim, não parece haver dúvidas de que se tratou dum atentado manipulado por forças capitalistas internas e externas aos EUA, visando gerar hostilidade no público norte-americano contra os muçulmanos e justificar um ataque dos EUA no médio-oriente. Complementarmente, certos magnatas lucraram muito com as indemnizações mas, apesar da coincidência do seguro feito um mês antes dos atentados, parece absurdo que fosse esse o móbil principal dum crime tão b
árbaro.

A quem serve este tipo de ação? A resposta parece lógica. Basta pensar na tensão crescente no médio oriente e em quem ali está cada vez mais isolado politicamente.


Veja as entrevistas e o artigo AQUI.









30/07/2013

UM TEXTO DE FERNANDO DACOSTA

Fernando Dacosta tem sido um dos intelectuais mais desassombrados e incómodos para o poder. 
Estava silencioso (ou silenciado pelos media - isso não sei) desde há uns tempos. 
Veio agora a público com um tema importante, sobre um novo grave ataque do (des)Governo aos aposentados, que recebi pela internet e transcrevo:


Tiro de misericórdia
Fernando Dacosta

No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses. Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros) "terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana".
Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes - "o que qualquer medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer", comenta, a propósito, Nicolau Santos no "Expresso".
Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.
Após ter semidestruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente, psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental.
Sindicatos, partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia - entretanto, os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade da Segurança Social.

Jornal i, 2013-07-25

24/07/2013

O (MAU) RUMO QUE AS COISAS ESTÃO A TOMAR

"Só caloteiros é que fazem eleições, gente inconsciente, sem a noção do poder dos mercados. (...) Não temos dinheiro para comprar mais democracia. Temos de ficar com esta democracia de plástico comprada na loja chinesa, com este manequim que faz de primeiro-ministro, com esta marioneta que faz de Presidente, com esta boneca de trapos que faz de oposição, com estes pés-de-microfone que fazem de jornalistas." 

- José Malheiros, na edição de hoje do Público, citado por QUE SE LIXE A TROIKA





Quem abra a televisão na RTPi e saiba ler os sinais mediáticos, fica com uma ideia cataléptica do País e do rumo que a política doméstica está a tomar.

A maior parte dos programas são estupidificantes e de baixo nível.

Uma telenovela feita para exibir meninas “bétas” todas fardadinhas, com dramas artificiais num colégio de plástico. Programas de humor diários, com ar abandalhado de riso amarelo. Concursos boçais, com o público a ser orientado para comportamentos grunhos. Quase tudo é entretenimento rasca, do tipo "Aqui Portugal" (nomes tão imaginativos...), onde locutores incultos apelam a telefonemas para prémios, em meio a catadupas de música pimba. Futebol servido em debates paranóicos e em doses insuportáveis (serviço público: Hellôoo!! Anybody there?). A própria informação regional não tem o mínimo critério, certas regiões já sobre-representadas politica e economicamente, ainda se vêem ampliadas por este media (para mais análises, ver "Crítica aos media" e "somos todos iguais, mas...).


A NOVA MANIPULAÇÃO IDEOLÓGICA

Mas os noticiários diários são os que refletem melhor o estado dissolvente e feudalizado do País. Emitidos em horário alternado entre Lisboa e o Porto, incluem os telejornais regionais das RTP Madeira e Açores após o telejornal nacional das 20 horas. Não esqueçamos que se trata da RTP-i, montra do País no mundo. Não conheço canal internacional de país nenhum que tenha esta prolixidade folclórica e falta de uniformização.

Aliás, vai-se esboçando que a uniformização e o controle estão reservados ao controle da imagem do poder executivo nacional. Eis um exemplo, extraído do telejornal 24 Horas.

21/07/2013

PR avaliza a continuação do desastre e ignora vontade popular

Cavaco Silva  é o pivô do setor interno que aceita a capitulação perante os interesses estrangeiros representados pela troika e por Merkel
Após ser conhecido o fracasso da sua própria iniciativa de envolver o PS na política de terror económico e de apartheid social (leis fiscais diferentes conforme a categoria social) seguida pelo governo P&P (Passos & Portas), o PR Cavaco Silva fez uma comunicação em que declara a continuidade do governo da direita, procurando ambiguamente dar ideia de algum distanciamento.

Mas destanciamento e imparcialidade do PR não é o que se tem visto. Toda esta manobra parece ter servido apenas para a direita no poder, socialmente minoritária, ganhar tempo e tentar vencer pelo cansaço a opinião pública e as oposições.

A única alternativa que resta aos movimentos populares é constituírem uma grande frente popular e nacional, e virem para a rua até que o desGoverno seja expulso.

Se não o fizerem, estarão simplesmente a ser cúmplices do desastre económico e social e dos próximos assaltos que os homens-de-mão da troika preparam ao bolso dos mesmos de sempre.







19/07/2013

ÚLTIMA HORA: SEGURO AFIRMA-SE (finalmente!)

O secretário-geral do PS, A.J.Seguro acaba de fazer uma declaração ao País que, por uma vez, é clara e inequívoca.


Aqui fica o registo de alguns compromissos publicamente assumidos (ainda que de forma genérica) pelo líder do PS:

- Não aos cortes nas pensões e nos salários da FP
- Apoios para os 500.000 desempregados que estão sem qualquer rendimento
- Não a mais despedimentos na FP
- Renegociação da dívida, com socialização da mesma a nível europeu na parte acima dos 60% do PIB
- Diferimento do pagamento dos juros da dívida
- Não à privatização da TAP, Águas e outros importantes interesses públicos
- Redução do IVA da restauração para 15%

18/07/2013

Encenações com endereço, no meio do Atlântico

 

A cena anacrónica a que assisti hoje na RTP, do Presidente da República ouvido pelo entrevistador oficioso da RTP junto à casa do guarda do parque das Selvagens - ponto perdido no meio do oceano - numa fase crucial da guerra económica que a troika move ao País e em que, numa nação normal,  o PR anularia qualquer compromisso para responder à situação ao minuto, essa cena fica para a antologia do teatro do absurdo político.

Um ato bastante caro para a Marinha, mas que (interessante...) os chefes desta arma cumprem solícitos - veja-se o contraste com o ocorrido na fase inicial do governo Sócrates quando por cortes em nada comparáveis aos atuais, os almirantes-chefes fizeram uma pressão inacreditável num Estado de Direito, chamando a terra todos os navios com pretexto de falta de verbas para os manter no mar!

17/07/2013

Corrupção no parlamento europeu

Escândalo no Parlamento Europeu: 4 deputados foram filmados em pleno ato de corrupção, aceitando pagamento para votar determinadas leis.

Trata-se de deputados do Partido Popular Europeu (centro-direita) e do Partido Socialista Europeu (centro-esquerda), de diversas nacionalidades.

Junto do Parlamento europeu atuam, segundo a reportagem, 5.000 lóbistas, cujas atividades são conhecidas e toleradas.

A reportagem concluiu que, para além dos deputados apanhados em flagrante - cujos gabinetes foram já selados com polícia à porta, preparando-se a sua expulsão -,  muitos outros terão aceite alguma forma de pressão dos lóbistas.

É esta a União Europeia que nos dá lições de moral ?

Aqui está um bom material  para análise do novo paladino anti-corrupção em Portugal, caído de paraquedas na cena pública mas já com direito a coluna cativa (!) no pasquim Correio da Manhã - o ex.vereador do Rui Rio, sr. Paulo Morais, membro da filial portuguesa da associação internacional Transparência.

Tão dedicado  como é a apontar o dedo a casos na região de Lisboa e na AR, classificando Portugal como um dos mais corruptos da UE, e jurando mesmo que a corrupção é o principal fator do endividamento português (1), pode agora reavaliar as suas opiniões, se é que não estão congeladas por interesses privilegiados da sua cidade de origem, o Porto, ou por quaisquer outros, nomeadamente internacionais, já que a sua associação se autointitula "a mais influente do mundo". Quem a fundou e financia, para ter assim tanto protagonismo?

Eis o vídeo com a reportagem referida:


(1) A tese de Morais é que os terrenos foram valorizados por esquemas fraudulentos nos municípios, com garantias sobrevalorizadas, o que veio a originar perdas gigantescas ao Estado e à banca. Acontece que ele não avança com quaisquer números para provar a sua "teoria".

A verdade? As causas do excessivo endividamento externo nos últimos 10 anos são complexas.

A principal - segundo as Contas Nacionais e o economista, membro do Conselho de Estado, Vítor Bento - é o aumento do défice da balança de Pagamentos, resultantes de:
a) Défice comercial (export.-import.)
b) Défice financeiro (queda das remessas de emigrantes e do investimento externo, repatriação dos lucros de estrangeiros).

15/07/2013

Dirigente do PS francês: quando a esquerda faz política de direita, a direita avança

No vídeo (clicar na imagem), o membro do Secretariado do PS francês, Gérard Filoche, contesta com indignação os argumentos que visam justificar o roubo das pensões, o aumento dos impostos sobre as classes médias e a redução dos direitos dos trabalhadores.


Ele diz que, embora "ame o seu governo" - atualmente o PS governa em França - este deveria praticar uma verdadeira política de esquerda. Não o fazer é o que leva ao avanço da extrema-direita.

Aponta como maus exemplos os cortes nas pensões, o aumento da idade de reforma e a redução dos direitos laborais.

Quando o jornalista lhe lança de forma arrogante a habitual fórmula envenenada da direita europeia para vergar os povos: "se não há dinheiro e há cada vez menos população ativa, como é que sustenta tais medidas?", Gérard não se intimida e responde com firmeza: "Nunca em França  houve tanto dinheiro. Precisam de dinheiro? Combatam a evasão fiscal e procurem-no onde está, nos paraísos fiscais e offshores!  População ativa é uma falsa questão - criem empregos para os jovens, que logo aumenta a população ativa" (de base contributiva). E fundamenta tudo que afirma com dados claros sobre as fugas ao fisco, sobre o número de nascimentos e sobre o rendimento em França.

Embora a situação portuguesa seja um tanto diferente da francesa, desde logo porque a França é um pais altamente beneficiário da atual relação de forças europeia, no essencial o raciocínio de Gérard Filoche é aplicável ao nosso país. Como demonstro nutras partes deste blogue, Portugal não é nada pobre, é um país altamente produtivo. O simples facto de no meio duma crise mundial o País ter aumentado significativamente as suas exportações e reequilibrado a balança comercial, só por si comprova-o.


A principal diferença parece estar na pergunta: porque não temos em Portugal  dirigentes políticos como este francês - corajosos, informados e coerentes?

É que com gente medíocre e conivente, como esta "classe política" que nos saiu na rifa, não se faz nada de jeito!





13/07/2013

Resposta a um jovem conformista

 Chamou-me a atenção um comentário  entre vários postados no facebook da plataforma "Que se lixe a troika":

"X.: Concordo com o PR, eleições não são a solução. Basta olhar a Bolsa: se os juros só com esta crise já dispararam, imaginem com a queda do governo. Além disso, a troika é que nos paga os salários e não iria aceitar a queda do governo. Não concordo com este governo ou com a troika, mas acho que não temos dinheiro para brincar aos governos".


É um comentário que traduz a mentalidade da minoria social que ainda apoia este governo e a absurda política da "troika". Mas é também a propaganda típica das agências de desinformação pagas para assediar os media, fazendo-se passar por "gente com dúvidas", quando em ambientes anti-troika.

Aqui vai a minha resposta.



Caro X.:

A sua pouca idade talvez explique em parte um comentário tão simplista. Mas sei que muita gente madura, com a cabeça cheia de "teias de aranha",  pensa do mesmo modo. Esta resposta é, pois, extensiva a todos os que têm ideias turvas como as suas.

1º ponto. A troika é que nos paga os salários?

Saiba que a troika não paga, nem dá nada a ninguém! 
Eles emprestam dinheiro, sim, como o FMI fez já com muitos países, não por altruismo, mas na base de juros predadores. Embora o verdadeiro objetivo seja o de nos amarrarem a políticas que convêm à Alemanha e a alguns outros. Essas políticas, baseadas no euro forte e no "livre comércio" garantem, às multinacionais europeias e a alguns países, os seus gigantescos negócios no mercado global, mas destroem as empresas e os  países mais vulneráveis.
Acha que é por acaso que a crise das dívidas soberanas surge em todos os países após a entrada em vigor do euro? 

06/07/2013

Portugal: oposição ou divagação?





Começa a ser gritante a apatia de plataformas como  "15 de Outubro", "Que se lixe a troika", etc.
Tamanha letargia e falta de estratégia cheira a esturro. E cheira a infiltração do(s) partido(s) que desde há décadas congela(m), fazendo-as degenerar em mero ritual, as lutas de base e induzindo no povo um conformismo que choca, perante a dimensão da tragédia nacional e as indignidades cometidas pelo atual governo, à revelia de inúmeras leis e do próprio Estado de Direito.

O atrelamento daquelas plataformas independentes à Intersindical, como se viu na concentração de sábado em Belém, é um sinal óbvio da sua falta de imaginação e de estratégia autónoma, contrariando a atitude da fase em que apareceram. O que terá a ver certamente com a falta de experiência e de preparação económica e política dos respetivos líderes, mas também com a provável penetração dessas plataformas por elementos dos partidos do centralismo burocrático de inspiração estalinista. A experiência triste da luta recente dos professores, de 2008 nomeadamente, que levou à rua maciçamente a classe, em gigantescas manifestações promovidas por estruturas autónomas, e depois foi sendo desmobilizada pela Fenprof/Intersindical, foi exatamente essa.


Face ao absurdo da situação, a estratégia da "oposição", por outro lado, é patética.

Enquanto o PS, pondo um ar sério, pede eleições e uma audiência ao PR, acreditando levá-lo a romper com quem tem sido sistematicamente cúmplice, o BE reclama num tom mais duro eleições imediatas e faz uma arruada, enquanto o PCP faz o mesmo, mas trazendo para a rua em Lisboa poucas centenas de pessoas que,  segundo o Avante de 5 do corrente (ver vídeo), seriam mais que 1.000.

Será com estas formas de atuação débeis, dispersantes, e sem imaginação, que acham que vão desalojar os agressivos agentes da chantagem política "troikana" ao serviço da capitulação nacional ?

A gravidade da situação exigiria que, no mínimo, os partidos suspendessem a sua regular participação na AR e ameaçassem cortar os laços institucionais com quem colabora nesta política. Paralelamente, exigiria uma atitude pró-ativa de formação duma grande frente popular, unindo todas as forças políticas e sociais contra a eminente ameaça que paira sobre o País.

Mas nada disso se passa. Cada partido parece mergulhado em transe autista, continuando a fazer folclore de protesto, enquanto conta votos a pensar nas próximas eleições.

O prosseguimento desta atuação é o pré-anúncio da derrota dos interesses populares e nacionais, por muito que se propalem palavras de ordem retóricas de que "a luta continua".






02/07/2013

Portugal: governo desagrega-se

A situação vem-se precipitando nas últimas horas.

Após a súbita demissão do ministro das Finanças e o anúncio de que a substituta seria uma das suas Secretárias de Estado, o  ministro dos Negócios Estrangeiros, líder do parceiro da coligação governamental, apresentou também a sua demissão, dando-a por irreversível.

Embora as coisas em Portugal venham tendo um cunho surreal, com a falta de vergonha da direita, persistindo com um governo e uma política repudiados pela generalidade da população - bem patente nas gigantescas  manifestações do ano passado e de 2 de Março com mais de 1 milhão de pessoas em todas as cidades do país, as maiores de toda a Europa - ainda assim, seria insólita a continuação deste governo, quando os sinais de apodrecimento são já tão evidentes.

Colocam-se no imediato algumas questões:

- O que mantém Passos Coelho numa teimosia patética que roça a provocação ao País? Mesmo depois de a população repudiar as políticas da troika, repúdio que avança já à própria base governamental, e quando são reconhecidos internacionalmente os números do desastre  (ver: Le Monde, artigo "Portugal face à derrota da política de austeridade")  (1)

- Para além do óbvio e quase único apoio das forças estrangeiras que conceberam estas políticas, haverá ainda algo mais por detrás, oculto, na resistência  do PR à demissão deste governo?

- Existirão outras soluções, para além da dissolução da AR e de eleições? Por exemplo, poderá o segundo  partido da coligação fazer cair o governo na AR, e propor um novo governo com o apoio do PR?

- Dada a prolongada conivência do atual PR com as injustiças praticadas por Passos , terá alguma credibilidade um governo ainda mais dependente deste órgão institucional?

Perguntas um pouco retóricas, já que a resposta é óbvia. De facto, o que se entrevê como cenário  plausível é a marcação de eleições legislativas a breve trecho.

Seja qual for a solução, com o atual quadro partidário, mesmo refrescado por eleições, mantendo-se  os vícios de partidocracia e de oportunismo eleiçoeiro que domina a generalidade dos partidos, perspectiva-se a continuação do pântano.

A única hipótese regeneradora seria a entrada em cena duma nova formação política, abrangente e inovadora, capaz de assumir as causas do descontentamento popular, e de renovar o sistema político, impondo uma ruptura com o dictat alemão e procurando as alianças internacionais necessárias para uma nova liderança europeia que protegesse mais as fronteiras externas da UE - única forma de travar a invasão de bens de terceiros, reindustrializar e criar empregos - e praticasse uma maior proximidade com os cidadãos, ao mesmo tempo respeitando  as identidades nacionais e regionais dos europeus, não enveredando por fugas para a frente dum maior federalismo como alguns, apatetada ou mal intencionadamente, querem.

(1) Números do desastre: em apenas 2 anos de desgoverno, de resgate da banca privada e destruição deliberada de empregos,  Passos, Vitor & Portas conseguem pior do que nos 3 piores anos do "famigerado Sócrates". O ritmo de endividamento do Estado, atualmente, está em mais de 5.000 milhões de euros por trimestre,  cerca de 2 milhões por hora. Alucinante! A par disso, em 2012, o PIB sofria uma quebra de 3,2%, o défice governamental subia para 6,4% e a dívida pública atingia os 123,6% do PIB, e 127,3% no 1º trim./2013 (fonte: Negócios) . Face aos 108% registados em 2011, são 20% de endividamento em 2 anos!




20/06/2013

Um video brasileiro que não passou nas TVs

Impressionante, a multidão no metro de São Paulo cantando o hino e repetindo "O povo unido, jamais será vencido" durante as manifestações espontâneas (clique na imagem abaixo)

Situação - concentração convocada por redes sociais, culminando na entoação do hino nacional - que se repete, desde as grandes cidades até às pequenas vilas do interior e dos subúrbios. O total de manifestantes, por cálculos objectivos, deve ter atingido  uns 4 milhões só em 20 de Junho, incluindo nesse número tanto as demonstrações pacíficas como as que terminaram em violência sobre bens materiais. Na generalidade, sem a presença de símbolos partidários e sem direção ou coordenação centralizadas. Temas: Não à corrupção e ao excesso de impostos, não aos gastos na Copa do Mundo quando falta dinheiro para saúde, educação, transportes públicos, não à má gestão pública.

Exames: um testemunho de quem está no terreno


Sendo eu professor da Escola Sá de Miranda, importa fazer um relato daquilo que se passou durante a manhã de hoje, especialmente por três razões: para memória futura; para contrariar alguns badamecos que tudo farão para criar uma "realidade" alternativa que em nada se parece com o que aconteceu; numa tentativa de defender os alunos que foram, sem exceção, prejudicados pela incapacidade e intransigência do Ministério da Educação.
Para início, dos cerca de 300 professores convocados para hoje, apenas cerca de 20 apresentaram-se. A adesão à greve foi superior a 90%, e das 22 salas em que o exame deveria ter sido realizado, decorreu em 7. O Ministro pode dizer que 70% dos alunos realizaram o exame, mas em que condições? E passo aqui a relatar as condições em que os cerca de 120 alunos que realizaram o exame no Sá de Miranda o fizeram. E ressalvo que só falo de situações que vi ou que se comprovam com o relato de vários alunos.
- o toque para o início do exame deu-se às 9h37. Isto não quer dizer que os alunos tenham começado a fazer a prova neste momento, porque alguns professores vigilantes (quase todos do 1º, 2º e 3º ciclo) atrapalharam-se com as versões e, pelo menos numa sala, os exames foram distribuídos 4 vezes;
- os professores da escola reuniram-se no Auditório e, por volta das 10h, um dos colegas que vinha de fora da escola disse-nos que um grupo de alunos (depois verifiquei que seriam cerca de 50) tinham saltado as grades e circulavam pelos corredores das salas onde o exame estava a ser realizado. Logo de seguida, fomos informados (ainda no Auditório) que a PSP tinha sido chamada e estava a circular na escola. Posteriormente os alunos afirmaram (alguns para as câmaras de televisão) que entraram nas salas, incitando os colegas a sair, enquanto os vigilantes fechavam as portas e diziam aos examinandos para continuar o exame. Cantava-se nos corredores a "Grândola, Vila Morena" e pontapeavam-se portas fechadas;
- a PSP demorou cerca de uma hora a conseguir que os alunos que circulavam na escola saíssem. Mesmo assim os alunos pararam nas escadas de acesso para cantar o Hino Nacional;
- apesar dos alunos terem começado o exame com vários minutos de atraso, quando se ouviu o toque do fim das duas horas, já os primeiros examinandos estavam no portão da escola, o que significa que os vigilantes não respeitaram a indicação de fazer todos os alunos esperarem pelo toque para abandonar a sala;
- um grande número de alunos afirmava ter ouvido telemóveis a tocar durante o exame, enquanto outros garantiram que os alunos que estavam a fazer exame comunicaram, sem problemas, o conteúdo do exame para quem estava de fora.
Foi nestas condições que os alunos fizeram o exame. Não sei se terá sido assim para os 70% do Crato, mas, se foi, que grande exame!!!
Há que assinalar também que foi a primeira vez em muitos anos (estou nesta escola desde 2000) que a inspeção não marcou presença no 1º dia de exames. Vá-se lá saber porquê.

Colegas, partilhem, por favor. Estas situações não podem ser branqueadas e não é possível que o Ministério sequer tente falar em "normalidade".

18/06/2013

Professores portugueses resistem ao terror económico


Como professor que fui toda a minha vida profissional, não obstante já aposentado, só posso rever-me nesta luta da classe docente, traduzida numa greve que abrange dias de exames nacionais.
O governo, atropelando a lei da greve e pondo em causa as normas de segurança nos exames através do uso de equipas improvisadas, poderá até dizer que "levou a água ao moínho".

Mas os impressionantes 90% de adesão à greve, o semi-caos em que terá decorrido o processo de exames em muitas  escolas (ver relato acima) - processo que tinha  tradições de rigor milimétrico em Portugal , conheço-o bem pois fiz parte do Comissão Nacional de Exames do Ensino Secundário - tem de  considerar-se, face a todas as pressões a que os professores foram submetidos, uma enorme vitória desta classe profissional.

Vejamos, numa breve perspectiva, como se chegou à atual situação:


1. Numa sociedade capitalista cada grupo ou pessoa impõe os seus interesses através da competição, vista como a base do sistema. A desigualdade entre profissionais, carreiras, empresas, é considerada não só normal como desejável à luz da ideologia  dominante. "Sucesso" é ser-se rico, "grande empresário", ter um "bruto" carro ou mansão ou um alto salário.

2. Neste contexto, obedecendo à mesma lógica, cada grupo profissional se organiza solidariamente na defesa dos seus interesses. Os media  mercenários, que são quase todos, tratam de denegrir este "corporativismo" de tipo sindical.

Ou seja, para eles, há uma desigualdade boa, a dos altos cargos empresariais, políticos, ou administrativos, a de certos técnicos privilegiados, futebolistas, gabinetes de engenharia, arquitetura, advocacia, clínicas de luxo, etc., e há a desigualdade  a dos profissionais assalariados que se associam na defesa da sua profissão.

3. Obviamente, esta lógica corporativa tem um preço e o seu lado perverso. É por esse e outros tipos de fatores que o ensino em Portugal se tem vindo a degradar desde meados dos anos 80.

As causas? Complexas.


4. Umas, internas à escola:

Deficiências na seleção inicial dos professores, na avaliação da carreira, na formação contínua e na avaliação do progresso dos alunos. Não menos importantes, as deficiências na gestão escolar e de todo o sistema, onde se instalou muita gente oportunista e incompetente.

5. Outras, quiçá mais importantes, externas à escola:  desestruturação das famílias, aumento dos divórcios e da quantidade de famílias monoparentais; falta de tempo dos  pais para os filhos e falta de regras firmes o que, num clima social dissolvente, favorece vícios como o alcoól, o tabaco, as drogas e a libertinagem junto dos jovens. 

Sendo desagradável e politicamente incorreto, alguém teria de dizer alguma vez o que vou dizer agora: 

Se os critérios fossem sérios, provavelmente metade dos atuais professores, assim como dos gestores do sistema, teria que sair e escolher outra profissão; e talvez mais de metade dos alunos teria que recomeçar dum patamar mais baixo a sua formação, tais os vícios instalados no sistema.

6. Mas mesmo que tivesse um funcionamento 100% perfeito, a escola falharia na sua função, porque a “matéria-prima” que recebe – os alunos – quando chegam a ela vêm num estado lastimoso, na sua maioria: falta de boas regras de relacionamento, mau domínio de funções básicas de análise, expressão e cálculo, além da escassa motivação.

A plena resolução destes problemas exigiria um reforço das equipas docentes e de apoio sócio-educativo aos alunos e suas famílias. Ora é justamente o contrário que está a acontecer, com a redução dos papéis da escola pública e uma política de cortes cegos. 

7. Por outro lado, as metodologias pedagógicas inovadoras testadas por mais de um século como o construtivismo, a escola ativa de Freinet, o Trabalho de Projeto e a Investigação Ação-Participada, combinadas com a Pedagogia por Objetivos e tantos outros métodos científicos, foram sendo adulterados por maus profissionais tanto na base como no topo do sistema, desde a sala de aula às hierarquias que planificam, passando por muitos burocratas das comissões executivas.

8. Resultado: um ensino que, embora não terceiro-mundista (nem de longe) descambou em largo número de turmas na cabulice, na pura memorização, no laxismo, tornando a escola um local desagradável, incapaz de concorrer com a internet, as consolas e a TV. Tudo isto, a par da dominância dum "eduquês" pretensioso, mas oco, entre os teóricos do sistema educativo, criou o caldo de cultura ideal para a investida sobre o sistema duns pseudo-sapientes que não passam de analfabetos pedagógicos, defensores de soluções "fáceis", simplórias, que na verdade são apenas o regresso a modelos dirigistas, rígidos e despersonalizados, baseados na memorização mecânica e no respeito servil à autoridade pela autoridade, seja essa autoridade assumida por um incompetente presunçoso ou por um profissional qualificado.


9. É exatamente essa linha "tradicionalista", na verdade prepotente e incompetente,  a seguida pelo atual ministério da educação (ME).
O contraponto por parte dos sindicatos - uma defesa das carreiras sem a devida avaliação, ou o laxismo nas regras, são a outra face da moeda.

São falsas alternativas que nunca baterão certo, estas em que o ME e os sindicatos corporativos se empenham e degladiam.

10. Os sindicatos, em particular o principal deles, a Fenprof, onde domina a linha sindical do PCP, além de terem uma resposta corporativa, cultivam há muito uma linha conciliatória de aceitar pequenas migalhas em troca de “manter o sistema” sem muitas ondas.

O seu líder principal traiu a luta há uns 6 anos atrás, após as grandes manifestações que puseram na rua 150.000 professores - quase toda a classe - e  o processo fugiu claramente ao controle da Fenprof. Questões como o horário de trabalho, a autonomia escolar, a estabilidade das carreiras, estavam em causa, assim como o desrespeito e a total demagogia por parte do ME, com práticas bárbaras como a separação  puramente arbitrária dos professores em "titulares" e "não-titulares" com o fito apenas de gerar divisionismo numa categoria onde todos já eram efetivos há décadas!

O movimento havia-se gerado espontaneamente em várias regiões, de tal modo que os controleiros sindicais não conseguiram travá-lo. Mas acabam por infiltrar-se nele para, logo que abrandou, o desviarem para acordos capitulacionistas com o ME, que negavam o sentido da luta e desmoralizavam a classe - mais uma vez.

11. É previsível que o mesmo ocorra agora. O referido dirigente da Fenprof, ao  sair da última reunião com o ME, metia "os pés pelas mãos", exibindo nervosismo ao tentar explicar a greve. 

Quem é viciado no corporativismo eleiçoeiro, só pode sentir-se desconfortável com uma luta mais radical, como esta teria que ser inevitavelmente face à tremenda instabilidade lançada na carreira, aos enormes cortes nos salários e pensões que vêm cumular anos sucessivos de perdas, e ainda o aumento do horário em 4 horas semanais.

Um pacote que é uma brutal regressão civilizacional, inimaginável há 30 ou 40 anos atrás, quando fantásticos progressos tecnológicos e organizacionais no "1º Mundo" prometiam todo o contrário e se previa, isso sim, uma redução para metade da jornada do trabalho assalariado, de modo a criar mais empregos e facilitar a vida às famílias.

Carregando o fardo dessa traição de 2007/2008, estes sindicalistas já quase não têm margem de manobra para capitularem de novo, ainda por cima face a um governo abusador, com práticas grosseiramente ilegais, como o não pagamento dos subsídios de férias determinado pelo Tribunal Constitucional.

12. Não obstante as contradições que possa ter, a luta da categoria docente é hoje a fronteira entre a barbárie da troika UE-FMI, e a dignidade deste país antigo, tranquilo e civilizado, pioneiro na conquista de direitos humanos como o direito à vida, à segurança pessoal e às liberdades fundamentais.

13. O prejuízo resultante do adiamento dum exame por 15 dias, que os propagandistas do governo vêm empolando de forma grotesca e ignorante, além de perfeitamente recuperável até numa 2ª chamada já calendarizada, nem se compara com a destruição de direitos civilizacionais como o desemprego prometido para esses 30.000 funcionários, ou os novos cortes no poder de compra de 4,5 mil milhões de euros que porão  em estado de coma a economia do País.

14. É necessário ter a exata consciência de que esta luta, mais que por direitos profissionais,  é a frente principal onde se situa neste momento o combate  contra as forças que visam provocar a degradação social e a total dependência do exterior, levando o País pelo caminho da Grécia e, em última instância, ao derrube das últimas muralhas que defendem a democracia e a independência nacional.