03/06/2013

O ECONOMÊS VEM EM SOCORRO DA POLÍTICA DE DESASTRE NACIONAL E EUROPEU

Perante o afundamento total da política da troika FMI+BCE+UE, traduzida na recessão e desemprego que já atingem o coração da Eurozona, em Portugal o descrédito da política de terror económico atinge um ponto tal que o sistema pede socorro aos pesos-pesados outsiders para tentar repôr alguma autoridade moral a este destroço à deriva que é o governo, num caminho desgovernado que não deixa de causar "mortos e feridos".

Três exemplos destes "independentes insuspeitos" são os srs. Horta Osório - CEO do Barclays Bank, em Londres -, Augusto Mateus - do ISEG, ex-ministro da Economia, e em tempos longínquos líder do radical MES -, e  Silva Lopes - ex-ministro e ex-presidente do Montepio.

O primeiro deles, em entrevista a Gomes Ferreira da SIC, vem com a história da Carochinha do país acima das posses, e que agora não só tem que pagar, como reajustar a Procura à sua capacidade de produção. O velho truque da linguagem popularucha ("viver acima das posses"), em que se descreve a Economia dum país como se fosse a duma família. Tipo, "gastaste muito, agora tens que ser poupadinho e pagar". Ôlalá. toma que já almoçaste! Com uma frase assassina calam-se todas as bocas, não é?... Oops... Mas há sempre alguém que se recusa a fazer figura de estúpido cooperante.

O azar é que este receituário é aplicado há pelo menos dois anos e os resultados são desastrosos. A Economia afunda, o Estado endivida-se exponencialmente a 2 milhões € / hora, e a dívida externa não há meio de baixar, porque entretanto tem que se pagar empréstimos com novos empréstimos acrescidos de juros e honorários da troika. Não falando no modo revoltante e grosseiramente discriminatório como se divide os portugueses em cidadãos de primeira (os grupos amigos do governo, certos empresários e altas funções) de segunda (os trabalhadores do privado) e de terceira (os reformados, desempregados e funcionários públicos) - naquilo que é já um aviltante e vergonhoso novo apartheid social.

UMA ECONOMIA NACIONAL NÃO É IGUAL À DUMA FAMÍLIA

A Economia dum país não é como a duma família. Nenhuma família urbana se quiser ter carro, casa, eletrodomésticos, roupas, energia, água, é autosuficiente. Já um país, sim, tendencialmente pode sê-lo, embora com custos pesados num sistema aberto. Mas um país pode efetivamente gerir a sua própria crise, tomando decisões em relação ao que deve produzir e como, em relação ao que deve pagar, quando e como. Apenas terá que aplicar uma palavra que parece impossível de pronunciar para alguns: RUPTURA.

A propósito, tomemos uma afirmação do citado e voluntarioso Horta e Costa (HC). Quando questionado sobre a curialidade dos métodos usados pelos EUA e RU ao aumentarem exponencialmente a emissão de moeda como estimulo à Economia, HC quis mostrar fibra e com um sorriso ligeiramente amarelo, diz: "Bom, eu não deveria responder a essa questão, mas vou fazê-lo... A solução adotada pode considerar-se válida se a considerarmos como uma exceção à regra. Dado que a economia americana estava com reduzida velocidade das transações (V), o seu governo compensou fazendo entrar mais moeda em circulação (M). É uma estratégia que pode ser usada transitoriamente".

HORTA E COSTA A INOVAR A TEORIA ECONÓMICA?

Ora aqui temos - digo eu - uma "bela" inovação da teoria quantitativa do valor da moeda, que se ensina como  explicação da inflação no primeiro ano de qualquer curso de Economia ou até no Secundário, sendo traduzida pela fórmula: MV = PT, onde M é quantidade de moeda em circulação, V  a velocidade de circulação da moeda, P o nível geral de preços e T a quantidade de transações efetuadas nessa Economia.

Como em qualquer equação, aumentando um dos lados por causa da moeda em circulação - necessariamente tem que aumentar o outro lado também, sob pena de deixar de haver equação.

Se a quantidade de moeda aumenta exponencialmente (caso dos EUA, que vem injetando triliões de dólares), é impossível que T (quantidade de transações) acompanhe esse ritmo, portanto só pode dar uma inflação acentuada, por aumento de P para equilibrar a equação. Então porque não temos aumento da inflação? É o que Horta e Costa esconde, e nisso deveria ter havido insistência do jornalista. Infelizmente, alguma subserviência, acompanhada duma certa falta de preparação, impede estes jornalistas de serem mais agressivos em questões cruciais.

A verdade é que só pode haver uma causa para o não aumento da inflação nos EUA, Reino Unido, etc. Como venho explicando neste blogue desde há muito, só não aumenta descontroladamente a inflação porque o dólar é a moeda mundial, logo, pode comprar mercadorias em qualquer parte do mundo. Elas  faltam no país emissor, os EUA? "No problemo". Há sempre "transações" mundiais suficientes para alimentar a Economia dos EUA, evitando assim a subida do  P (preços) na equação. Resta um óbice: como é que esse dinheiro que sai do país para o mundo é compensado na Balança de Pagamentos, para equilibrá-la? A única resposta só pode vir de entradas sob a forma de investimentos ou de remessas unilaterais.

Não tenho nenhuma agência de detetives ao meu serviço, mas por mera lógica, tudo aponta para o uso de offshores e negócios de fachada, para essa compensação monetária. E porquê países terceiros, como China, Brasil, países árabes, etc., deixam passar tais negócios que permitem um país rico viver à custa deles e doutros? A resposta é complexa, mas a base é manter a estabilidade do sistema que doutra forma colapsaria, arrastando o mundo inteiro. Perder um pouco para ir ganhando alguma coisa, melhor do que perder tudo numa megacrise mundial, será o raciocínio destes países.

O que pretendo provar com esta desmontagem da "teoria" do sr. HC é a miséria do economês. Estes agentes do neoliberalismo, independentemente de seguirem a via da injeção monetária fraudulenta norte-americana ou britânica (esta última através das suas múltiplas off-shores), ou a do espoliação terrorista das classes médias do sul da eurozona (de inspiração alemã), baseiam-se em teorias completamente fraudulentas. Uma das prováveis consequências que a atual crise do capitalismo está a provocar é o desmoronamento das teorias económicas tradicionais ensinadas nas faculdades, com  a demonstração de que muitas delas têm um carácter puramente ideológico e utilitário, ao serviço dos grandes interesses económicos mundiais.

Um bom exemplo é a teoria das vantagens comparativas, produzida por David Ricardo (economista inglês de origem judaica), que mais não fez do que defender os interesses imperiais da Inglaterra vitoriana, traduzidos na imposição a vários países dos produtos industrializados britânicos, reservando aos outros o papel de "especialistas" em produzir matérias pimas minerais e agrícolas, de muito menor valor.

MATEUS E LOPES FAZEM O PAPEL DE BOMBEIROS

O sinuoso Augusto Mateus, em recentes relatórios (muito bem pagos, decerto) diz-nos  que "a culpa do mau uso dos fundos europeus em 30 anos foi nossa". Porque somos "fraquinhos", e nem houve interesseirismo nenhum dos "bonzinhos" dos países do diretório europeu, subentende-se.  Já o "independente e reformado" Silva Lopes, vem muito utilitariamente declarar que as "pensões de reforma altas" devem mesmo ser cortadas e ele é dos que não se importa nada com a sua. Pois não, mas devia informar dos cargos milionários que tem tido ultimamente, entre eles o de administrador da EDP, que obteve recentemente, depois de sair do Montepio invocando (?!) excesso de idade, pelo peso dos seus 75 anos, que afinal no cargo da EDP já não lhe pesam.

Quanto a estes senhores, principalmente o primeiro - o único que valerá a pena - a quem um colega do ISEG chamava "peixe de águas profundas" (para bom entendedor) deixarei para um comentário mais aprofundado. Que este já vai longo.







10/05/2013

GOVERNO AGE PERVERSA E ILEGALMENTE, "OPOSIÇÃO" NÃO MOSTRA CAPACIDADE DE RESPOSTA

As recentes decisões do Tribunal Constitucional ilegalizaram várias rubricas do OGE 2013, algumas delas reincidentes pelo segundo ano consecutivo, caso do corte dos (impropriamente) chamados subsídios de férias e de Natal (impropriamente porque não são complementos, são sim duas das parcelas regulares anuais do rendimento-base dum cidadão).

NOTA IMPORTANTE: A Constituição, ao contrário do que alguns pensam, não é um vago conjunto de princípios que se cumpre ou não conforme dá jeito. É UMA LEI, com várias partes, capítulos e artigos, e ainda por cima é a lei máxima, à qual todas as outras têm que se subordinar. Como lei que é, caracteriza-se pela coactividade, generalidade e obrigatoriedade. Tal como o Código de Estrada, o Código Civil, ou qualquer outra lei. Portanto, tem que ser cumprida -  e por todosnão é facultativa, como parece entender o (des)Governo em exercício. Implica ou deveria implicar sanções pelo seu não cumprimento, sobretudo em caso de reincidência. É isso (também) que significa coactividade. Se um cidadão assaltar um banco, ou desviar indevidamente dinheiro da conta bancária de alguém, é condenado com uma pena exemplar. Mas pelos vistos, um governo que assalta as pensões de reforma, mesmo depois de o tribunal máximo na matéria ter ilegalizado o ato, é  considerado "normal".

PENSÕES SÃO O ÚNICO BEM MATERIAL SUSTENTÁVEL DOS APOSENTADOS

Ora as pensões de reforma são, além do mais, o único meio de sobrevivência e o mais importante bem material da grande maioria dos reformados. Esta situação, que já existia num período normal, acentua-se muito com a queda do mercado imobiliário. Quem é dono duma casa, hoje, dificilmente a consegue vender. Se conseguisse, além de ficar sem casa própria e aumentar custos com um aluguer, conseguiria com o escasso valor obtido cobrir apenas as despesas correntes da sua vida por um ou dois anos.

Assim, o confisco das pensões de reforma, - em curso há vários anos, mas acentuado despudoradamente na atual legislatura - é uma medida gravissima, autêntica condenação à morte - mais lenta ou mais rápida, conforme os casos - de pessoas na sua grande maioria físicamente debilitadas, que se programaram com base em carreiras estribadas num quadro legal, legitimado e reforçado por décadas de vigência.

E deve notar-se que o ataque aos reformados, bem como a outros setores sociais bem específicos,  sejam quais forem os pretextos usados, são uma mera tática destinada a dividir o país e atacar segmentos da população que parecem alvos mais fáceis.

OPOSIÇÕES PARLAMENTARES - WRONG ANSWER!

Infelizmente. as oposições mostram-se incapazes de responder à altura da gravidade da ofensiva do governo. Uma primeira "wrong answer" que dão é falarem em expectativas defraudadas dos cidadãos. É que isso leva a pensar que se trata apenas de expectativas subjetivas. Mas não. Trata-se de carreiras legítimadas por toda uma imensa bateria de leis, carreiras sujeitas na sua esmagadora maioria a sucessivos concursos públicos e avaliações rigorosas, tomadas de posse publicadas em D.R., com leis que vigoraram por décadas e muitas ainda vigoram. Tudo isto é muito objectivo e preciso.

Outro erro grave das oposições é designar aquilo que é apenas uma política de  espoliação e roubo, por "POLÍTICA DE AUSTERIDADE", na mesma senda das troikas agressoras.

O carácter conciliatório e capitulacionista desta forma de fazer oposição vê-se quando se deixam atrelar às mentiras perversas de quem nos desgoverna. Detalhemos:

IGUALDADE, MAS SÓ PARA ESPOLIAR E NIVELAR POR BAIXO

A maioria parlamentar agita a bandeira da igualdade no tratamento dos sectores público e privado, dando seguimento ao que afirmam ser o exigido pelo TC. Ora, acontece que o TC não disse nada disso, nem podia dizer.

A rejeição pelo Tribunal Constitucional do confisco, não teve por base nenhuma  igualdade em abstrato, ou absoluta, entre categorias de cidadãos. Nunca poderia ser esse o espírito duma constituição revista por sucessivas maiorias que fazem fé cega na economia de mercado, logo, no princípio da desigualdade que é a matriz deste sistema económico.

A igualdade de tratamento invocada, era-o especificamente em matéria de impostos, e apenas nessa. Além do artigo 13º (Princípio da Igualdade), era fundamentalmente baseada no artigo 104º, que estabelece:
"O imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar".

Fica assim claro que o imposto sobre o rendimento  pessoal é:

- Único - facto a que o Governo não obedeceu e, pelo contrário,  "inventou" múltiplos impostos sobre o rendimento, contrariando o princípio do imposto único, e aplicando diferentes impostos às diferentes  categorias profissionais/sociais de trabalhadores ou aposentados
- Progressivo - o que significa que a única diferenciação que pode ser feita em matéria de impostos sobre o rendimento é a de que, quanto mais se ganha, maior é a taxa de IRS.

Ora este governo, não contente com aumentar drasticamente as taxas dos diferentes escalões de IRS (o que foi uma brutalidade, mas não necessariamente uma ilegalidade), deu-se ao desplante de criar impostos suplementares sobre o rendimento de cada categoria de cidadãos, com base na profissão ou no estatuto do reformado.

PRÁTICAS COM CONTORNOS MAFIOSOS

Já ficou claro que a igualdade que a Constituição prevê, é no tratamento perante os impostos. Não há nenhum outro tipo de igualdade (financeira, ou de carreiras, como demonstro a seguir).

O (des)Governo distorce as coisas grosseiramente não só reincidindo, como acrescentando novas inconstitucionalidades - caso da não retroatividade dos direitos e garantias - artºs 18º-2. e 19º-1 - desvirtuando assim claramente o espírito e a letra da Constituição.

É o caso da pretensa "convergência das pensões entre os setores público e o privado". Pretensa porque, além do mais, há vários e diferenciados subsistemas privados, o que o Governo omite e compara apenas com o pior deles, de modo a rebaixar o rendimento garantido contratualmente ao longo de décadas de carreira.

Ou seja, invoca-se a igualdade, mas o que se está de facto a fazer é impôr a desigualdade de direitos e oportunidades, contrariando o artº 13º-1, que diz que "todos os cidadãos são iguais perante a lei". No caso, as leis que estribaram todos os concursos e carreiras públicos. Temos aqui a sonegação do direito a ter uma carreira diferenciada, contrariamente ao que é normal. A constituição não prevê de modo algum uma equalização de rendimentos e carreiras, mas o seu contrário. É isto que significa igualdade de oportunidades. As oportunidades são iguais mas após a seriação dos candidatos o resultado lógico é a sua diferenciação com vista à escolha dos melhor classificados.

Este governo não tenciona instituir o sistema da Coreia do Norte, como parece perante o caso em apreço. Ele jamais atacará os rendimentos dos magnatas e dos altos cargos. Pelo contrário, ele defende os poderosos (sobretudo estrangeiros) e garante os direitos dos ricos e das grandes empresas, enquanto morde os tornozelos das classes médias-médias  e médias-baixas.

Aliás, a invocação de justiça social  só para atacar direitos legais das classes médias, com décadas de vigência, é recorrente. Mas começa a assumir contornos mafiosos, não só pela violência da espoliação como pela impressiva carga de mentira, inversão da verdade, que o discurso oficioso contém face à realidade.

Trata-se dum procedimento típico de máfias ou oligarquias, e seus agentes na política, justamente treinados para manipular e mentir, numa sociedade onde cada vez mais as grandes organizações esmagam literalmente o indivíduo, enquanto o poder da alta finança é mais opaco e se esconde atrás de várias cortinas ou firewalls destinados a impedir a visibilidade dos seus privilégios.

DESVIAR O FOCO DAS VERDADEIRAS DESIGUALDADES

A base desta estratégia consiste em pôr o odioso nas pequenas diferenças entre vizinhos ou profissões de nível muito próximo, omitindo e retirando completamente o foco das verdadeiras grandes desigualdades sociais, das inúmeras mordomias dos altos privilégios e castas, dos colossais lucros dos grandes grupos económicos. Poucas décadas atrás, os novos senhores feudais do capitalismo podiam dar-se ao luxo de proporcionar uma relativa prosperidade às "suas" classes médias. Então, tudo corria sobre rodas.

Hoje, perante o agravar da crise, um tal sistema deixou de ser sustentável e as novas oligarquias mundiais e respetivos mordomos nacionais tratam de manipular em nome duma pretensa igualdade - mero pretexto para nivelar por baixo e reduzir a uma existência penosa e medíocre as anteriores classes médias - enquanto tentam a todo o custo garantir que os seus  lucros não só se mantenham, como aumentem, por entre o caos económico e a degradação de crescentes camadas sociais, enquanto os media lançam continuas campanhas de confusionismo e intoxicação.

De resto, o argumento de que há privilégios para o setor público é falso. Muitas empresas privadas declaram salários falsos só para reduzirem os impostos e os descontos para a Segurança Social. No privado, as carreiras são o mais desiguais possível, algumas delas ganhando dezenas de vezes mais que as suas equivalentes no setor público: TAPs, EDPs, Bancos, Seguros, medicina privada, altas advocacia, arquitetura e engenharia, grandes multinacionais, etc. têm carreiras muito diferenciadas, tanto para os trabalhadores no ativo como para os respetivos pensionistas.

A LEI DA SELVA

Quando uma pessoa escolheu uma determinada carreira, pública ou privada, há 20, 30, 40, 50 anos, fê-lo na base de todas as vantagens e desvantagens previstas na mesma, que incluiam naturalmente as inerentes condições de passagem à reforma como parte integrante. No caso dos funcionários públicos, as carreiras têm a legitimidade suplementar de na sua esmagadora maioria terem sido objecto de concursos públicos transparentes. Se uns conseguiram entrar e outros não - tal como acontece numa grande empresa privada - foi dentro de regras e numa classificação e triagem que ninguém, na altura ou ao longo de décadas, contestou.

É por isso que num Estado de direito,  as leis não podem ter efeito retroativo, sob pena de perda total desse  princípio basilar que é a segurança jurídica, ou seja, que o quadro de vida das pessoas deve ser algo com um mínimo de estabilidade e previsibilidade, sob pena de caos social e duma espécie de lei da selva.

Mas parece ser essa lei, precisamente, a única que o (des)Governo e a sua tão venerada troika querem instaurar.

Estamos perante um verdadeiro golpe palaciano silencioso contra o Estado de direito, uma espécie de instauração dum estado de sítio não declarado, com recurso à ilegalidade mais primária.







07/05/2013

Governo desacreditado insiste na sua ofensiva contra as classes médias e o País

Depois da rejeição pelo TC de algumas das mais graves medidas do OGE 2013, como o roubo da 7ª parcela anual do rendimento-base (designada subsídio de férias), o desGoverno às odens dos grandes conglomerados internacionais não aprendeu o que quer que fosse e, mesmo desacreditado, efetua uma sistemática  ofensiva contra as classes médias - nomeadamente reformados, desempregados e funcionários do Estado -  e prepara-se para acentuar a ruína da Economia real.

Nesta nova fase,  a tática refina: para além do ataque aos setores sociais já causticados, desenvolve um truque que denunciei noutro local deste blogue , anunciando medidas terroristas - uma sobretaxa sobre os reformados - que afinal parece ser mero fogo de vista e manobra de diversão das graves medidas que de facto querem tomar.

O espetáculo dado pelo (des)Governo é patético, com  o 1º ministro a anunciar essa medida, para logo dois dias depois o ministro de Estado e parceiro da coligação governamental vir rejeitá-la publicamente.

A dúvida é se se trata de uma contradição real ou apenas duma encenação criada para "povão" e "troika" verem.

Seja como for, o efeito é o mesmo: como se dissessem ao cidadão atingido "a nossa primeira proposta é dar-te um tiro na cabeça, mas estamos abertos a negociar a hipótese de apenas te amputar uma perna".

É este grau zero, esta ignomínia selvática, a do regime apodrecido dum Portugal tutelado pela agiotagem internacional.

Entretanto, ante o silêncio cúmplice dos partidos todos, os agentes da agiotagem internacional preparam aquele que é no fundo o principal objetivo de toda a operação de "take of" sobre o Euro, essa guerra silenciosa e secreta que nos movem: a privatização das grandes empresas e bens públicos,  transporte aéreo, ensino, saúde, águas, correios, minérios e outros recursos naturais, muitos dos quais mantidos em sigilo, como o petróleo.

Porque é que nunca se fez o furo real dum poço para testar a dimensão e rentabilidade das reservas petrolíferas portuguesas? Seria interessante saber.




21/04/2013

Ex-militar denuncia atentados de Boston como encenação

Um vídeo onde o ten.-coronel Potter, que serviu os EUA por décadas em muitos lugares do mundo, denuncia o que se prepara - segundo ele o mais grave momento da História do seu país após o assassinato de Kennedy - alertando para que dissidentes da hierarquia militar norte-americana são os verdadeiros responsáveis pelo atentado de Boston.



Potter invoca detalhes - vídeos e fotos feitos por telemóveis de testemunhas - que mostram que algo não bate certo no relato oficial. Ele aponta um exercício policial sobreposto ao atentado, que terá servido de camuflagem. Aponta também que há muito tempo já a polícia americana fora prevenida por países estrangeiros dum possível atentado, assim como alertas nos altifalantes do evento desportivo avisaram de pessoas transportando mochilas, o que a polícia e o FBI ignoraram.

Refere também a coincidência das ações do FED (Banco Central) provocando a descida do preço do ouro nos mercados, enquanto o mesmo FED desincentivava os Estados que expressamente o solicitaram -  Texas, por exemplo - de fazerem o resgate do seu ouro depositado no FED.

Vale para já como reflexão. Eu mesmo - autor deste blogue - alertei há mais de um ano para o facto da economia dos EUA só não ter colapsado por esse país ser o "dono" do dólar,  moeda mundial. Estando muitos países, como a China, assim como pessoas e instituições a investir largamente em ouro como salvaguarda, a alusão ao preço do ouro pelo ten.-coronel Potter faz sentido - pode ser o início do fim do dólar como moeda mundial. Os que mandam realmente nos EUA jamais o podem permitir, dada a gravissima situação económica daquele país, omitida e dissimulada intencionalmente pelos principais media mundiais, que "bebem" das fontes inquinadas que são as autoras das encenações.

Quanto ao atentado, vale lembrar, como  o próprio Potter explica, que a CIA usou largamente tais meios para preparar golpes de estado em países no 3º Mundo, de forma recorrente ao longo de anos.

Na gravissima situação económica em que Portugal e a periferia da Europa se encontram, à beira do colapso, a articulação lógica com os factos nos EUA é essencial. De lembrar que a crise europeia foi e é provocada por ataques especulativos contra as dívidas soberanas da Eurozona, partindo de quem se esconde por detrás da Wall Street e das principais agências de rating, secundados por uma política gananciosa da Alemanha e outros, que pretendem "salvar a pele" à custa dos países mais vulneráveis.

Ainda agora, foram descobertos dezenas de contratos especulativos do tipo "swaps" feitos por empresas públicas portuguesas, efeito da pressão especulativa internacional que, deixando-as vulneráveis com a falta de financiamento barato pela subida especulativa das taxas de juro, as sujeitou a terem que fazer esses contratos especulativos em vez do financiamento normal. Só tais contratos dão um prejuízo de  mais de 3.000 milhões de euros ao Estado português num período de apenas 3 ou 4 anos. E com quem foram feitos? Nada mais nada menos que com os grandes bancos internacionais, Goldman Sachs, Morgan Bank, entre outros.

Aqui se começa a desvendar a trama das causas da guerra financeira contra a economia da Eurozona, e quem fica a ganhar com esta especulação - a grande banca internacional, como venho denunciando, desde há dois anos, pelo menos.



25/03/2013

Economista belga desmonta a vigarice da "austeridade"

Eis finalmente uma voz que fala claro, a do economista belga Olivier Bonfond.

A "crise" e as "políticas de austeridade" não são mais que uma burla e uma forma de pilhar os povos, desviando os seus recursos para os grandes bancos mundiais e para os países ricos.

Bonfond  fixa-se sobre a Bélgica, mas as semelhanças são evidentes com os outros países, incluindo Portugal.

Diz este economista que a despesa pública belga foi durante décadas, e até 2010, perfeitamente estável, não ultrapassando os  60 % do PIB.

Quais os factores que provocaram a sua acentuada subida a partir daí? Eis a resposta:

- As taxas de juros - até 1992 o Estado financiava-se quase a custo zero junto do seu próprio banco central; a partir daí,  e após Maastricht, passou a ser obrigatório fazê-lo através dos bancos comerciais a juros entre 3 e  6 por cento ou mais. A isso acresceram os efeitos dos especuladores sobre os juros das dívidas soberanas, no pós-crise de 2008.

- Os impostos anteriormente cobrados às grandes empresas, passaram entretanto a ser irrelevantes - a Bélgica é hoje um paraíso fiscal - o que fez perder ao Estado centenas de milhões de euros (em Portugal, foi isso em parte, mas sobretudo as privatizações de grandes empresas lucrativas cujos lucros deixaram de ir para o Estado)

Só a subida das taxa de juros, segundo os cálculos de Bonfond, representa cerca de 30 por cento do aumento da dívida.

Bonfond conclui ainda não só pela ineficácia das políticas de austeridade, como pela sua ilegalidade, já que no caso da Bélgica contrariam a Constituição que proíbe às políticas do Estado causarem prejuízos insuportáveis para a população em geral.

De notar que em Portugal temos um artigo semelhante na Constituição, o direito de resistência à ordem injusta. Ou seja, por exemplo uma lei que provoca prejuízos maiores que os resultantes da sua rejeição.

De resto, esta entrevista vem mostrar que o que se passa nos vários países, salvo detalhes sem grande importância, é igual: uma mesma Troika ao serviço dos grandes bancos mundiais que não é mais que uma arma apontada à cabeça dos governos e dos povos, usando da chantagem do "ou nós ou o caos" para os vergarem e encaminharem para um verdadeiro suicídio coletivo.

Bonfond assinala mesmo em certo ponto da entrevista a enorme mentira do propalado "viver acima das possibilidades". Eles diz: ao contrário, os povos vivem abaixo das suas possibilidades. O dinheiro é que é desviado para agentes externos e internos que enriquecem à custa da esmagadora maioria da população...



18/03/2013

CHIPRE - TROIKA FAZ BLOQUEAR E TAXAR CONTAS BANCÁRIAS

NOVA ESCALADA NA CONSPIRAÇÃO GLOBALISTA CONTRA A EUROPA
 
"NO PASARAN !"
 
Correm as notícias sobre Chipre: desde 6ª f ninguém pode mexer nas suas contas bancárias, sejam de que tipo forem. Os bancos fecharam, os seus websites estão inacessíveis, os multibancos secaram e não foram fornecidos. A situação é para manter,  pelo menos até 4ª f.
 
No vídeo a seguir uma francesa radicada em Nicósia indignava-se: "que culpa tenho eu pela dívida dos bancos ou pelo facto da Grécia não pagar ao Chipre?"
 
Miniatura

Entretanto a Troika, para emprestar uma tranche de 10.000 milhões de €, exige um pagamento imediato de 5.000 milhões (!!). E no caso, sem meias, passam à ação, congelam as contas bancárias e querem apropriar-se de quase 10% do seu valor, em média.

A população indignada saiu às ruas e o parlamento cipriota agendou a votação imediata do assunto. Em toda  a Europa não há registo recente de um caso como este. Chipre faz parte do Euro, tem um bom sistema bancário e uma economia desenvolvida.
 
CONCLUSÃO

No Portugal dos "chicos-espertos" que é o deste (des)Governo, vão fazendo sucessivos cortes e agravamentos de impostos. Mas como são mais cínicos, fizeram dos reformados o alvo preferencial das medidas à cipriota.

Cobardemente,  em Portugal usam o  truque sujo de dividir, tentando manter passivo o resto  da população, sob a força da inércia do egoísmo e da indiferença.

Mas é bom que ninguém se iluda. Como se vê pelo Chipre, os "troikanos" acabam por ir ao bolso de todos!

É tempo de repôr uma palavra-de-ordem, usada pelos republicanos na guerra civil espanhola ante as hordas apoiadas pelos nazis: NO PASARAN! (não passarão!)




06/03/2013

É PRECISO SEGUIR O EXEMPLO DA ISLÂNDIA!

DEPOIS DE RECUSAR PAGAR A DÍVIDA DOS BANCOS
A ISLÂNDIA TEM O TRIPLO DO CRESCIMENTO DA UE

RetIrado de blogs.mediapart.fr e de facebook.terre.envie

«Nunca deixarei de repetir que a Islândia é O PAÍS a tomar como exemplo, mesmo sendo completamente ignorado pelos media, mesmo estando longe ou seja qual for a razão para não se falar dele, este é o país que devemos seguir!
Pagar aos banqueiros? Nem em sonhos, lá eles foram metidos na prisão!
Salvar os bancos? Lá, foram nacionalizados.
Quanto ao crescimento atual, é o maior dos últimos anos.
A Islândia terminou o ano de 2011 com um crescimento económico de 2,1% e segundo as previsões da Comissão europeia, será o triplo do previsto para a UE (prevê-se 0,5% para a UE em 2012, contra 1,5% da Islândia).
Para 2013 o crescimento deverá atingir 2,7%, principalmente por causa da criação de empregos.
(...)
Apenas há alguns dias, os dirigentes das Finanças islandesas prenderam dois dirigentes bancários, que cometeram fraudes através de empréstimos fraudulentos (...)»

É importante lembrar de novo a Islândia após a nova grande manifestação de 2 de Março em Portugal.

E recordar o meu comentário sobre a Islândia AQUI, com um vídeo sobre a revolução islandesa e a demonstração das mentiras dos que dizem que a Islândia é muito diferente dos outros casos.

Não, basicamente é o mesmo: quando o Estado toma a dívida dos bancos, o país afunda-se em dívidas.  Também em Portugal, a dívida pública é apenas um terço da privada, e é o Estado que está a financiar a banca, endividando-se com a Troika nuns 20.000 milhões além do necessário. E isso faz toda a diferença, significa sair, ou não sair jamais, da crise. O sistema bancário e algumas grandes empresas endividaram-se excessivamente, porque é que a população tem de pagar isso?

A Islândia é o caminho a seguir, mesmo que lá a direita e os grandes poderes mundiais já conspirem  na sombra para tentar inverter o rumo.

EXIJAMOS UM REFERENDO  SOBRE:

- POLÍTICA DE PILHAGEM VS. RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA
- ENDIVIDAMENTO AO SERVIÇO DA BANCA PRIVADA
- ALIENAÇÃO AO ESTRANGEIRO DAS PRINCIPAIS EMPRESAS!

EXIJAMOS A PRISÃO DOS POLÍTICOS QUE ROUBAM OS REFORMADOS E QUE PROVOCAM O DESEMPREGO GALOPANTE !

Este é o caminho, estas são as palavras de ordem mobilizadoras!  Não o discurso vago e medíocre dos partidos e ativistas mal preparados politica e economicamente, ou coniventes, instalados nas mordomias e moralmente podres.



02/03/2013

OS MEDIA E AS MANIFESTAÇÕES DE 2/MARÇO

Informação correta e abundante das manifestações nos noticiários da RTPi. 
Por uma vez, registe-se! Quando os media cumprem, há que elogiar, não apenas criticar... 

NOTA:  Posteriormente à colocação deste comentário, já há fortes motivos de crítica: a RTP convidou José Sócrates para novo comentador residente, num total desprezo pela opinião pública. Após mais uma gigantesca manifestação contra a troika e o "seu" governo, qual o reflexo do protesto nos media principais? Nulo, e pior, dão-se ao luxo de convidar um dos responsáveis pela vinda da troika. Não estando em causa o seu direito de defesa em relação à imolação que a direita lhe moveu, em nada se justifica a sua colocação destacada como opinador da TV do Estado. É apenas uma das muitas manobras de manipulação das forças no poder: enquanto se discute Sócrates, evita-se discutir os verdadeiros problemas do País.
Manifestação 2 de Março no Porto povo em luta
Cidade do Porto, onde no final se registaram confrontos com a PSP

Já no Brasil, a principal estação noticiosa, Globo News, passou fotos da manifestação num escasso flash de 3 ou 4 segundos, mas na mesma altura fez um debate prolongado sobre política italiana, e deu largos minutos do noticiário ao conflito israelo-palestiniano e a uma parada gay australiana, assuntos sem nenhum relevo nos media mundiais nesse 2 de março. 

Mas, leitor, não se iluda de que seja um acaso. É recorrente na Globo, desde há alguns meses, a marginalização de Portugal, numa mudança clara da política desta emissora. Emissora que, curiosamente, tem origem no jornal fundado pelo filho de emigrantes portugueses Irineu Marinho, depois herdado pelo seu filho Roberto. Ao longo da história do grupo, o segundo maior do mundo no sector, ele tem alinhado por posições dos EUA,  fazendo sempre charneira com o establishment brasileiro, o que lhe permitiu manter estável a sua influência. A revista Superinteressante (Junho,2005, pg.51) escrevia "O Brasil é a Globo", no sentido que telenovelas e demais programas deste canal são vistos desde a mais remota aldeia indígena da Amazónia até à grande cidade, acabando por ir moldando culturalmente o País.

E não acreditem no correspondente RTP Pacheco de Miranda, quando passa a ideia dum Brasil muito atento a Portugal. Ele é dos que só mostram aquilo que enche o ego português - caso, em 4/Março, da reportagem dum concerto, acompanhado de buffet, oferecidos em Brasília pela embaixada de Portugal. Uma boa comezaina é receita infalível para conquistar pela boca os convidados. Mas não passa daí.

Depois, veja-se esta declaração do pianista P. Burmester, outro reincidente nas mordomias situacionistas, na mesma reportagem: "cada vez há mais iniciativas de Portugal, como este concerto, ou o Ano de Portugal no Brasil". 

A verdade, porém,  é outra: no Brasil,  quase só se ouviu falar do Ano da França, que já foi. A correspondente da Globo em Paris, fala todos os dias e só passa coisas maravilhosas. Há constantes programas de cozinha e outras coisas francesas nas várias TVs. Mesmo no pequeno Estado onde me encontro, no Nordeste,  são frequentes as iniciativas francesas (concertos e exposições, de âmbito local ou  geral).  Em contrapartida, há um ano, tentei assistir a um festival local de filmes da CPLP (refira-se, Portugal era sómente um dos representados), mas o mesmo foi cancelado à última hora invocando problemas  técnicos.  Revelador. 

Na verdade, até a Alemanha é mais falada, como demonstra a escola de samba do Rio que homenageou neste carnaval o "Ano da Alemanha", que é o próximo. Do Ano de Portugal, passou uma mera publicidade na Globo, há meses, mas depois, na prática, nada se tem visto que atinja o grande público. Ah, conceda-se, passa nos canais de desporto locais - como já passava antes - um jogo por semana da Liga portuguesa, menos que os exibidos dos campeonatos  francês e italiano.

Enfim, relativamente ao supracitado buffet em Brasília, ele  só confirma o ditado: "com papas e bolos, ...". Para consumo interno português, claro.

GRANDE ADESÃO POPULAR AO 2 DE MARÇO

CERCA DE 1,5 MILHÃO DE PESSOAS EM TODO O PAÍS E NO ESTRANGEIRO
800.000 em Lisboa, 400.000 no Porto.

É preciso transformar o protesto em alternativas credíveis de governo, evitando cair nos braços dos mesmos que ao longo de 30 anos  fizeram o País chegar a esta situação.

E não esquecer que nenhum partido denuncia claramente os roubos incidindo sobre categorias específicas, por exemplo, os reformados e os desempregados.


Concentração final no Terreiro do Paço - Lisboa

28/02/2013

FALSAS ALTERNATIVAS DESTROEM A SOCIEDADE

Anteontem, 27/Fev, a RTPi, na série documental Linha da Frente, acompanhou um jovem casal de Gondomar na "aventura" de tentar instalar-se em Londres. Apesar das contrariedades, mau planeamento e pouco dinheiro, a narrativa que se faz passar é a do sucesso do casal.  Numa só semana já tinham emprego e estavam instalados. Que bom, né?

Em 1º lugar, estranho este documentário ir para o ar em vésperas do 2 de Março. Articulado com toda uma bateria propagandística, como no noticiário das 20h, que abriu com números "esmagadores" do défice do Estado, sublinhando que o dinheiro vai quase todo para salários e reformas.

É uma propaganda já muito repetida e suja, de bandidos ideológicos, porque:

alínea a) o DÉFICE É CULPA DO GOVERNO (e da Troika) que prometeu para este ano a recuperação económica e só provocou o desmoronamento da economia, gerando por isso menos receitas em impostos;

alínea b) o ESTADO SÃO SERVIÇOS,  saúde, educação, segurança, defesa, finanças - LOGO, feitos por pessoas, LOGO, os gastos são em trabalho - sem trabalho não há serviços, ainda não se inventaram robôs para dar aulas e cuidar da saúde;

alínea c)  as reformas, são as garantidas contratualmente, e para as quais os beneficiários pagaram ao longo de décadas. Os seus fundos nem sequer deviam estar misturados com o orçamento do Estado, é aí que começa o abuso e a mistificação - ver em detalhe AQUI.

Ao mesmo tempo, a RTP omitia o peso dos juros e amortizações de empréstimos, incluindo o da Troika. Que, se fossem renegociados, daria um défice completamente diferente .

Em 2º lugar, a história do casal referido não é muito realista. O casal já tinha contactos, num deles é que a moça se fixou como recepcionista.

Depois dá-se pouca ênfase à declaração do dono (português) duma agência de emprego local: "As pessoas, em Portugal, não aceitam trabalhar mais que 35 horas semanais; mas aqui já aceitam 60 e mais horas. Se têm um emprego, mesmo  fraco, não saiam de Portugal. Há aqui portugueses a dormir na rua porque se lhes acabou o dinheiro e não arranjam emprego". O que pode ser confirmado AQUI. Aliás, quem acompanha as notícias já sabe disto há meses.

E quem é atento viu outros detalhes:

O melhor quarto que o casal arranjou é minúsculo, sem janelas e nos fundos da casa dum brasileiro que subaluga por 600€/mês. Os salários deles, de 6,5 € /hora, face aos custos de Londres (uma sanduiche tem o custo duma refeição completa em Portugal), não permitem poupar nada, a não ser que se faça pluriemprego, tipo, 10 horas de trabalho diárias, incluindo sábados e domingos. Ou seja, que não se viva. É isto um futuro?

Em 3º lugar, a reportagem, se quisesse ser honesta, devia ter falado  com os inúmeros portugueses vivendo na rua em Londres - bastava pesquisar no Google "portugueses a viver na rua, Londres". Os autores sabem muito bem disso, portanto foi uma opção com intenções propagandísticas claras.

Em 4º lugar, a economia inglesa, muito baseada na especulação e na lavagem de dinheiro da praça financeira da City (junto com Wall Street e Hong Kong, as maiores do mundo), já está em recessão (veja AQUI). O futuro da vida em Londres - metáfora da própria UE -  adivinha-se não ser brilhante.

CONCLUSÃO

O que está em causa não é o direito à emigração ou encontrar melhores condições noutro país. Faz parte da globalização, goste-se ou não.

O que está em causa é a propaganda mentirosa, intercalada com outras formas de alienação que tenho tentado desmontar neste blogue.

Esta enorme vigarice, de convencer que é bom ser obrigado a emigrar. Enquanto,  apesar de todos os avanços na agricultura, indústria, serviços, saúde, habitação, toda a tecnologia e infraestruturas que se obteve, do enorme nº de licenciados e doutorados, etc., se cai na situação social do antigo regime.

Perspectivas de vida, só  são possíveis com uma economia equilibrada regionalmente, com centros de decisão dentro do País, dando prioridade às necessidades da população, ainda que mantendo o país aberto ao mundo. 

A perda dessas perspectivas, acentuada pelo discurso do desGoverno, só leva ao despovoamento das regiões, ao envelhecimento do País a prazo e à destruição das famílias e das comunidades.




24/02/2013

É já 2 de Março, este sábado - EXISTEM ALTERNATIVAS!

Esta política provoca apenas um

CICLO VICIOSO:

Recessão ==> roubo de pensões, impostos
==> mais recessão
==> mais roubos, cortes e impostos, etc.

É PRECISO EXPULSAR  QUEM CONDUZ ESTA POLÍTICA,
LEVÁ-LOS A TRIBUNAL E REPÔR OS NOSSOS DIREITOS!


EXISTEM ALTERNATIVAS, COM UMA EUROPA DOS POVOS !

A Europa é a maior economia do mundo. 
Os cartéis e agências ao serviço dos super-bancos mundiais  mentem!
Não se pode escancarar as fronteiras à China e outros.
O Euro tem que ser mais competitivo (contrariando Merkel), para exportar mais, baixar o preço do crédito às empresas,  e promover assim o emprego. SIMPLES.
  

REPETIR E APROFUNDAR O 15 DE SETEMBRO !


22/02/2013

SOMOS TODOS IGUAIS, MAS ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OUTROS

- frase adaptada de Georges Orwell (daqui)

PORQUÊ EMPRESAS DE LISBOA NÃO SE PODEM CANDIDATAR A I&D (inovação & desenvolvimento) ?


Desde 2004, a região Lisboa e Vale do Tejo, que até esse ano representava mais de 50% deste tipo de   projetos, exatamente por ser a região onde havia mais empresas inovadoras, está impedida de se candidatar aos mais importantes financiamentos em inovação.

Segundo o relatório de 2006 da AdI (Agência de Inovação), que gere estes programas apoiados por fundos europeus, ocorre o seguinte (pgs. 36,37):

"A região de Lisboa e Vale do Tejo, em 2006, não registou qualquer entrada de candidaturas, na sequência do cancelamento [leia-se, proibição] da apresentação de novas candidaturas referido anteriormente, afectando assim a dinâmica do programa nesta região (...)
Foram beneficiadas 60 empresas, das quais 50% pertencentes à região Norte do país e 40% à região Centro". 
"Localização geográfica das empresas com candidaturas aprovadas em 2006 ":


Tanto quanto sei a situação mantém-se. É difícil achar dados na net (porque será??). Após muitas tentativas consegui ver que em 2012 enquanto a região de Lisboa preenche apenas 9 páginas de projectos apoiados, a região "Norte" é contemplada com 64 páginas (!), o Centro com 39, o Alentejo apenas com 7 e o Algarve com 4. Açores e Madeira não são monitorizados, porque a AdI não tem competência  sobre as RAs. Esclarecedor.

FALANDO DE MANIPULAÇÕES...

Agora percebo porque é que o "Portugal aqui tão perto" da RTPi quase só apresenta empresas inovadoras do distrito do Porto e vizinhos. Pela razão acima, e por ser provavelmente emitido do Porto, facto que tenta  disfarçar usando uma (incipiente) apresentadora sem sotaque local. Mas o cenário trai-os - apesar de prolixo, é dominado pela bela ponte criada pelo engº Eiffel junto à Ribeira.

É-me desagradável praticar este exercício crítico, quase de mau da fita, num país onde as pessoas parecem ter preocupações mais superficiais. Eu que até sou do Douro e adoro o Porto, onde tenho muita família e fiz amigos especiais (vivi nesta cidade um intenso período de estágio profissional e não só).

Mas é uma simples questão de justiça. Por exemplo, é inconcebível que Algarve e Alentejo - regiões com as quais  poucas ligações tenho, mas que constituem metade da superfície do País - vejam projetos importantes sistematicamente emperrados.  Sines, Alqueva, são exemplos, entre muitos.

E OUTRAS, AINDA PIORES...

Há dias Rui Moreira (A.Com.Porto) e Luís Nazaré (ex-CTT), comentadores residentes do "Economix", insultavam o País, e o Alentejo em particular, dizendo que Sines (único porto de águas profundas do País capaz de receber supercargueiros), era coisa de lunáticos; mais, que uma linha rápida de comboios de carga  para a Europa jamais deveria começar ali.

Claro, omitiram deliberadamente que Sines é o porto mais natural para Extremadura, Madrid, Leão e Castela, regiões que envolvem o pólo económico central da península. Mas montar um centro automóvel Pininfarina na Maia, que custou à cabeça 10 milhões €, quando as mais importantes indústrias do sector são na A.M. de Lisboa, isso já não é incoerente. O assunto nem foi falado mas se fosse, sem contraditório, logo viriam os habituais argumentos falsificadores embrulhados em papel reluzente.

Será difícil adivinhar porque é que este Economix, único programa semanal de Economia da RTPi, escolheu uns Dupont & Dupont em vez de economistas prestigiados de correntes  opostas?

É com pessoas destas em postos-chave que a polarização económica no Porto vai sendo subrepticiamente levada a cabo, à custa do esfrangalhamento do País.

ONDE É QUE ISTO VAI DAR?

A coisa pode tornar-se mais grave na situação de colapso para que o País está sendo lançado. A habitual irracionalidade que toma conta da "rua" nestas fases, pode ser aproveitada por hábeis lóbis minoritários para um golpe de Estado que arrasaria o que resta da Economia de algumas regiões do País. Quem sabe, sonhando fazer dele uma imensa quinta, como é o Alto-Douro, região que produz o produto nacional mais emblemático mas cujo lucro vai todo para as firmas exportadoras de Gaia. Na verdade, hoje, a região vinhateira património mundial é a menos desenvolvida do País. Quando eu era criança, anos 60, o meu concelho, Tabuaço, onde se produz uma das marcas mais  mundializadas do vinho fino, tinha indústrias, belos lagares de azeite e regorgitava de vida. Hoje, quase nada, aldeias despovoadas, e até as estradas continuam a ser as mesmas perigosas vias alcantiladas de há 40 anos!

O interesse das forças dominantes da UE é enfraquecer e dividir os países periféricos, fazendo-os perder toda a lógica nacional, desviando os centros para Bruxelas, Frankfurt, Roterdão ou Paris. As regras sobre fundos europeus não são obra do acaso, e têm cúmplices e inspiradores locais, no próprio País.

Depois, admirem-se que Lisboa tenha a maior taxa real de desemprego, e que um destes dias as pessoas venham para a rua e quebrem tudo, como na revolução de 1383.





17/02/2013

A RTP consegue bater mais fundo

Anteriormente considerei que a programação da RTPi tinha batido no fundo. Afinal havia pior. Ontem passou um tal "Odisseia", supostamente um programa de humor. Os autores ter-se-ão enganado: aquilo, putativamente,  é mais terror que humor.

Dicção intragável da maioria dos atores, tom sombrio e psicadélico, sugestões homossexuais (...)  

Ler mais sobre humor e concursos na RTP

Ler mais sobre informação na RTP



16/02/2013

Petição pública contra a espoliação

Aqui vai o link para assinar uma petição pública que pede a intervenção do Presidente da República perante a espoliação de que os reformados são alvo.


É importante divulgar a  todos os amigos e conhecidos, dada a gravidade deste ROUBO sem pudor das pensões para as quais os aposentados pagaram ao longo de toda a sua vida ativa.

É exatamente esta categoria de aposentados - A DOS QUE FIZERAM OS SEUS DESCONTOS PARA A SEGURANÇA SOCIAL - que sofre a maior espoliação, sofrendo uns 20% mais que a média da população. É absolutamente incorrecto pensar que estes reformados fazem apenas os mesmos "sacrifícios" das outras pessoas.

E ainda por cima têm de ouvir discursos do tipo: "toda a gente no país todo sofre", o que é uma absoluta mentira pois, não só uma parte do país é mais brutalizada que a generalidade, como há pessoas que não fazem sacrifícios nenhuns e são até beneficiados.

Por exemplo, e já não falando nos habituais privilegiados dos altos cargos, refira-se os donos das empresas exportadoras que, à pala de beneficiarem a Economia, não só ficam com os seus  lucros, como muitos deles nem pagam impostos, jogando com filiais ou sedes no estrangeiro para pôr o dinheiro "ao fresco", anulando essa suposta vantagem para o País.

Tudo uma enorme vigarice. PONTO.



16/01/2013

MAIS DE METADE DOS PAÍSES DO MUNDO NÃO SÃO LIVRES

Divulgo um link para o relatório da Freedom House, sobre liberdade no mundo, pedindo que leiam o meu comentário abaixo:

COMENTÁRIO

Uma fundação fortemente ligda ao establishment norte-americano a classificar países quanto ao seu grau de liberdade, é insólito.

É que o nível de democracia nos EUA deixa muito a desejar. Um país onde a Polícia dispara só por desconfiar que alguém tem uma arma. Onde se leva réus comuns acorrentados como animais perante o tribunal. Onde, segundo um relatório de 2005,  8% dos homens negros estavam na prisão e 1 em cada 32 americanos - 7 milhões (!) no total - estavam atrás das grades, dos quais 800.000 em saída condicional. País onde quem não for muito rico ou apoiado por ricos não tem hipótese de ganhar eleições. Onde se contam 50 lóbistas em média por cada senador, ao serviço dos grandes interesses económicos. E às claras, como se fosse normal.

Nota posterior à publicação deste artigo: Recentemente (Fevereiro 2014) passou num dos canais portuguesas uma reportagem chocante sobre erros judiciais e motivos fúteis que podem levar à prisão nos EUA que revelava, entre muitos dados, serem os EUA o país com maior população encarcerada e com maior nº de estabelecimentos prisionais do mundo todo.

Num país destes a democracia é no mínimo discutível.  Eu diria, virtual. 

Já não falando na democracia económica e social. Essa, só para rir de riso amarelo - quando uma vítima grave de acidente é rejeitada no hospital por não ter seguro de saúde...  (e não se iludam, a situação é corrente - vidé "Sicko" de Michael Moore: http://vimeo.com/27262137).

Um país que mantém a sua Economia crescendo à custa de triliões de dólares injetados à socapa, valendo-se de o dólar ser a principal moeda mundial. Não é à toa que as tentativas de destronar o dólar dessa função valeram as guerras do Iraque e do Afeganistão - não foi pelo petróleo, como se diz -  e agora a guerra contra o euro. Mais palavras para quê?


FALANDO DOUTRAS COISAS - OS RISCOS DO ATIVISMO - 

Mas começo a pensar se vale a pena gastar o meu "latim"...

Afinal, isso só faz correr riscos pessoais - é que "eles" andam por aí, espiando e perseguindo.

Ao falar de riscos, claro, só os corre quem é ativista.  Ativista a sério, não daqueles que ganham dinheiro através das ONGs,  proclamando generalidades sem nunca pôr o dedo na ferida. Mas esses é que são os espertos... ou não? Vamos ver,  é no final que se fazem as contas.

E correr riscos físicos, ou sofrer assédio moral na internet, apenas por criticar "hidrelétricas" em meio florestal virgem, em países que muitos estrangeiros ingénuos ainda vêem como "verdes" e onde "todo o mundo é feliz". Trivialidades, numa civilização mediática dominada pelo superficial bombástico.

DESPOLITIZAÇÃO DAS NOVAS GERAÇÕES

Nós, os filhos do Maio 68, das grandes crises académicas de Coimbra 68 e Lisboa 69, daqueles fantásticos "meetings" semanais  que punham em causa tudo, desde a ditadura à guerra colonial, desde a sexualidade machista ao capital monopolista.

Nós, a geração hiper-politizada dos 70's, que devorávamos Sartre, Trotsky, Marx, Lenine, Rosa Luxemburgo, Mao, Giap, Sweezy, Gramsci, Bettelheim, S. Amin, P. Freire, C. Furtado, E .Fromm, Freud. Que olhávamos os futuristas portugueses, e Godard e Wenders, e o Apocalipse Now ou o Paris Texas. Que  ouvíamos Zeca, Adriano, Zé Mário, Fausto, e os Beatles, os Doors, o Brel, o Chico. Que nos organizámos clandestinamente contra o fascismo, acreditando poder transformar o mundo numa coisa mais humana e fraterna. 

E hoje, no pós-muro de Berlim, disseminada a ditadura ideológica do "pensamento único" capitalista, deparamo-nos com gerações despolitizadas, cabeças cheias de ruído ideológico, fruto, quer duma vida supostamente cómoda, quer de professores universitários pretensiosos, armados até aos dentes de tralha cultural passadista,  nomeadamente nas ciências sociais. Tralha que, na verdade, tem muito pouco de científico...

E ter que repetir as mesmas coisas, em Portugal, porque aparentemente muitos não perceberam que vão sofrer em breve os mesmos roubos  brutais de que os outros já foram alvo - e continuam a alinhar no palavreado venal dos partidos ou dos media. Quando perceberão que "isto só dá a volta" na rua e em massa - como foi com Timor ou, mais recentemente,  no 15 de Setembro 2012 - mas agora para parar tudo?

AUSTERIDADE OU DESTRUIÇÃO?

Custará assim tanto perceber que o objetivo das políticas ditas de austeridade, que anteriormente este governo ainda justificava, mas agora já nem se dá a esse trabalho - limita-se a dizer, com ar displicente, depois de impôr o maior aumento de IRS de que há memória, isto num ano que eles previam como da retoma económica"Sabem, o IRS tem este "aumentozito" agora, em 2013, mas preparem-se, vamos ter que cortar mais 4.000 milhões em 2014".

Mas porquê? E isto não pára mais? - Pergunta o pobre do contribuinte. Resposta: "Ora, porque sim, porque o FMI disse"...

A perfídia destes políticos parece não ter limites. São medíocres e incultos, mas para fazer o mal, aprendem rápido.  Entretanto privatizam e passam para mãos estrangeiras as grandes empresas lucrativas  do Estado. Porque as deficitárias, essas, o Zé do Pagode que pague...

Não perceberão as gentes deste País que, com um tal rumo, Portugal, ou termina mesmo, ou se transforma numa mera colónia? Será que gostam de "virar" 3º Mundo capacho de estrangeiros, nesta fase de profunda crise do  capitalismo de casino?

E não, não é nenhum radicalismo dizê-lo... Há quem antecipe os acontecimentos, eu costumo ser um deles.  Em matéria de política, pelo menos. Passe a imodéstia de quem já anda nestas coisas há umas décadas.





08/01/2013

ECONOMISTAS CONTRA A VENDA DE TAP E ANA

Conhecidos economistas assinam manifesto contra venda de TAP e ANA (navegação aérea e aeroportos)

- Ver desenvolvimento no jornal Público.

As principais empresas portuguesas estão a saque, prosseguindo o desastre financeiro em que se têm traduzido as sucessivas privatizações de grupos altamente lucrativos, como PT, GALP, CIMPOR, EDP. etc.

Eis postos a nu os interesses por detrás da guerra na Eurozona, subproduto por sua vez da guerra dos especuladores contra o Euro: afinal trata-se duma luta por controlo, camuflada de "crise" sob o palavreado falso do "país acima das suas possibilidades" - ver local  PORTUGAL NÃO É POBRE, neste blogue.

O cenário está montado para que nos resignemos ante a liquidação do País. Todo um património de 900 anos, alienado. Cada empresa, cada subsector, cada bem ou serviço, não contém apenas matérias primas, equipamentos ou trabalho qualificado. Contém a História e os caminhos percorridos por um povo, geração após geração. Culturas que se perdem, e dificilmente se recuperam.

Veja-se o sucedido com a SOREFAME, - grande fábrica da Amadora de carruagens, locomotivas e turbinas para hidroelétricas. Após a sua alienação à Bombardier (sob a promessa de não encerrar), tudo foi simplesmente liquidado. Perderam-se: o know-how dos técnicos, os equipamentos, mas também exportações que hoje poderiam alimentar as obras nos PALOPs, por exemplo, e melhorar a economia do País.

A perda dos centros de operação  da TAP e da ANA, que seguramente se seguiria à sua entrega a estrangeiros, significaria dezenas de milhares de empregos qualificados retirados a Portugal, mas também a perda de marcas identitárias nacionais e de tudo que lhes fica a montante (ensino, formação, investigação, fornecedores, redes económicas como os aeroportos alternativos ou subsidiários a Lisboa) e a jusante (prestação de serviços, rotas, representação e imagem).

Entretanto, uma nota: Lisboa não é substituível por qualquer outra cidade portuguesa nestas funções, pela sua localização, dimensão e redes de serviços, como parecem julgar alguns que chafurdam numa visão paroquial, ultramontana e divisionista, particularmente grave na fase atual.


A TAP e a ANA prestam serviços de elevada qualidade. A TAP é classificada internacionalmente como uma das 4 empresas mais seguras do mundo. Ela é uma embaixatriz diária de Portugal. Nos cinco continentes, cidades e bairros ostentam o seu símbolo nos placards de milhares de agências locais.
O aeroporto de Lisboa é altamente lucrativo, ao ponto de os seus lucros cobrirem os prejuízos do Porto e doutros aeroportos deficitários, e ainda gerar excedentes financeiros.

06/01/2013

PORTUGAL NÃO É POBRE, É UM PAÍS AVANÇADO

A "crise"  - na verdade, a guerra contra o Euro e as ondas de choque que ela gera na Eurozona - não é apenas económica. Ela é alimentada também através de ideias virtuais e confusão mental.

Uma dessas ideias - completamente errada - é a de que Portugal é pobre. Chega-se ao ponto de alguns cidadãos doutros países - provavelmente por complexos coloniais ou raciais - aproveitarem para humilhar Portugal com base em casos que conhecem mal e retirados do contexto.

Há meia dúzia de anos atrás, para alguns, o País já estava no "pelotão da frente" europeu. Agora, há quem queira despromovê-lo ao 3º Mundo. Aberrante.

  
Indústrias de moldes, na região Centro: um sector significativo e exportador, onde Portugal dá cartas a nível mundial
Clique para ver um exemplo de fábrica de moldes


Alguns projetos apoiados pela Agência de Inovação de Portugal




QUEM PROMOVE AS  IDEIAS  ERRADAS

Há interesses políticos externos e internos em desvalorizar a imagem de Portugal. O desastroso programa da troika precisa dessa ideia para justificar a cantilena ideológica  do "vivemos acima das nossas posses".

As políticas recessivas recentes provocaram uma queda do PIB que ronda os 7%. Se prosseguirem, a estrutura económica do País está de facto ameaçada.  Dentro de 2 ou 3 anos Portugal cairia no ranking mundial.

Assentemos, porém, numa coisa: Portugal não é dos mais ricos da Europa. Isso não significa que seja pobre.

Haja equilíbrio. Portugal é um país do 1º Mundo, altamente industrializado e com qualidade de vida que nada tem de terceiro mundista - quem diz isso é porque não conhece o verdadeiro 3º Mundo. Ou, se conhece, anda a precisar de óculos (não coloridos).


No 3º mundo e ascendentes, a maior parte das cidades tem condições deficientes, os esgotos (quando os há) despejam quase sempre sem tratamento nos rios e praias, as condições de higiene e segurança nos locais públicos - bares, restaurantes, feiras, ruas -  e na produção de alimentos são frequentemente más, provocando intoxicações e doenças. A criminalidade é muito elevada. O sistema público de saúde é deficiente, tal como as redes de água e eletricidade. "Apagões" frequentes, e redes que não chegam a muitos locais ou são "gatadas" (desviadas) noutros.

Portugal há muitas décadas que saiu desse nível. É claro que, sendo governado da forma que está  sendo, dentro em pouco cairá num descalabro, inimaginável há pouco tempo.

Por isso URGE AGIR. Chega de palavreado, é preciso ação!


FALEMOS CONCRETO - ALGUNS DADOS DA PRODUÇÃO NACIONAL...

Portugal tem apenas 10,5 milhões de habitantes e pouco mais de 90.000 km 2 de extensão. É um país médio na Europa, mas pequeno à escala mundial. Apesar desta dimensão, possui dezenas de ramos industriais, agropecuários, mineiros, das pescas ou dos serviços. Desde:
  • os bens tradicionais, mas de qualidade elevada
Vestuário, têxtil, calçado, mobiliário, vidros e cristais, cimentos, adubos, metalomecânica, rochas, mineração, cerâmica, louças, azeite, óleos, vinhos, manufaturas alimentares, pescado, bacalhau, cortiça, conservas, plásticos, leite, carnes, cereais, tubérculos, frutas e verduras, turismo
  • aos sectores tecnológicas e avançados
Automóvel (peças e montagem), máquinas elétricas e não-elétricas, instrumentos de precisão, químicas, medicamentos, embalagens modernas, moldes, material informático e eletrónico, software para macro e microsistemas, material para energia,  aeronáutica, navios, transportes, serviços de saúde, de comunicações e centenas de outros serviços (é justamente o setor mais avançado).

Para dados numéricos, clique em:    Quadro - Produção industrial em valores    - Fonte: I.N.E.
(Compilação temporária; os sectores agrícola, das pescas e dos serviços serão disponibilizados em breve)

... E OUTROS FACTOS

Portugal possui uma das maiores percentagens de doutorados, elevado volume de investigação e de patentes, está entre os 10 primeiros do mundo em saúde neonatal, o sistema nacional de saúde (SNS)  é (ou era, pois está sendo alvo de forte ataque) fiável e  presta cuidados baratos a todos (incluindo os emigrantes que, apesar da crise, preferem ficar em Portugal a voltar aos seus países "sem crise"), o sistema bancário é flexível, seguro e moderno, a administração pública está quase toda informatizada em rede, há uma complexa rede de transportes, as telecomunicações são de última geração e o sistema educativo tem ampla cobertura.

Produz-se bastante agricultura orgânica e muitos produtos diferenciados e tecnológicos.

Muitos dos bens citados são produzidos em grande escala  - à proporção do País - e as respetivas exportações, atingem 37% do PIB. Portugal é uma economia aberta desde os anos 60, quando aderiu à EFTA, o que obrigou a uma modernização da maioria dos setores,  inclusive os tradicionais.

É por essas razões que Portugal possui multinacionais próprias, sendo exemplos a PT  (media e comunicações), a GALP (combustíveis), a EDP (eletricidade e renováveis), a SEMAPA (papel e cimentos),  os hipermercados da SONAE e da JM, os bancos - CGD, BES, BCP, BPI,  a AMORIM (cortiças), a EFACEC (eletrónica), a LOGOPLASTE (embalagens), a LANIDOR (moda), a SEASIDE (calçado), a BRISA (autoestradas), a TAP, a LUIS SIMÕES (transportes), PESTANA e VILA GALÉ (hotelaria)  entre muitas empresas com internacionalizações bem sucedidas.
Bial , região Norte -
- uma multinacional de medicamentos

Novabase Natal 2012
Novabase, Lisboa - maior empresa de software nacional


E estou a referir-me a bens, na sua maioria, com marcas e tecnologias próprias.

Tudo isto não é motivo para conformismo relativamente à destruição e degradação de que o País vem sendo alvo  a todos os níveis, pelo contrário. É apenas para desmitificar algumas ideias falsas que correm nos media.






02/01/2013

PASSOS - MENTIRAS E MANOBRAS DE DIVERSÃO?

Numa desastrada tentativa de justificar o injustificável, ou seja a espoliação dos reformados da CGA e da CNP (que descontaram para os fundos de pensões!) num nível intolerável que estará nuns 20% a mais de roubo que os outros grupos sociais, o sr. Passos declarou há dias que as pensões "altas" - e não se pense que se referia às luxuosas pensões dos privilegiados do regime, ele referia-se a banais pensões de 1.000€ / 2000€ - seriam  uma "injustiça" pois os descontos que os beneficiários fizeram no passado não permitiriam cobrir tal nível de pensões.

O sr. Coelho, no seu afã de desviar o foco da brutalidade de impostos que acaba de lançar em 2013, entrou literalmente em delírio verbal !

É de colocar a hipótese, perante medidas tão absurdas - que seguramente o TC rejeitará - se elas não são uma manobra de diversão: toda a gente focada nas medidas aberrantes contra os reformados, ajuda a desviar as atenções da brutal carga fiscal lançada sobre a generalidade da classe média (ver novos escalões de IRS na local sobre a constitucionalidade do OGE).

Apesar da incompetência de Coelho e acólitos, no manobrismo político eles são lestos, afinal, é o que lhes resta face à rejeição crescente que o seu (des)governo tem junto da população. Mas desmontemos esta mentira grosseira do homem ao serviço da troika:
  • Estudos de especialistas demonstram que os Fundos de Pensões sofreram delapidações dos sucessivos Governos pós-25 de Abril. Os valores desviados foram projetados, num Livro Branco (Boaventura S. Santos e outros), em 55 mil milhões de euros, mas aumentaram muito não só pela correção monetária, como pelos desvios feitos posteriormente. NOTA: Só isto, dava para pagar todo o resgate da "troika", e ainda sobrava muito!
  • A maior parte dos Fundos de Pensões integrados no Estado, desrespeitando, aliás, a sua lei de enquadramento, foi aplicada em Obrigações do Tesouro pouco rentáveis, hoje desvalorizadas; e ainda recentemente, já com este Governo, os fundos de pensões da Banca, milhares de milhões de €,  completaram  a sua integração no Estado, imaginando-se que vão levar por tabela, todos na mesma enxurrada, a prazo;
  • Uma das provas mais fortes de que o que Coelho diz é mentira é que, antes da atual avalanche de espoliação, já vários governos do bloco central haviam tomado medidas  (sucessivas reduções nas pensões, aumento da idade de reforma, etc.) que  justificaram declarando então, preto no branco, que elas assegurariam o pleno equilíbrio da Previdência Social por 30 anos, pelo menos.
Os argumentos do chefe do PSD são, pois, tão falsos e de baixo nível que roçam o ofensivo. Aliás, ele não apresenta um único fundamento para o que afirma. Daí, duvidar se não se trata duma mera  manobra de diversão, pondo toda a gente a discutir isto. E é também a técnica do mal menor: "se outros (aposentados) são punidos pela peste, o melhor é eu (cidadãos em geral) aceitar o castigo da fome".

As mentiras do Passos só convencem velhinhos em estado letárgico que mal sobrevivem com pensões de 300 euros. Pelos vistos, serão as únicas a não sofrer cortes no futuro - e por este andar, vamos ver...

OGE ENVIADO A TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

Como já se esperava, o Orçamento de Estado para 2013 (OGE) foi remetido ao Tribunal Constitucional pelo Presidente da República, com a invocação de dúvidas sobre a constitucionalidade dos cortes nos 13º e 14º meses, e da sobretaxa de 3,5 % nos escalões mais altos do IRS.

Recorde-se que estas espoliações são feitos em sobreposição a um brutal aumento do IRS. Segundo o TVI 24 on-line, os escalões passam  a ser os seguintes a partir de 1 de Janeiro de 2013:
  • Menos de sete mil euros: 14,5%
  • Entre os sete mil e os 20 mil euros: 28.5%
  • Entre os 20 mil e os 40 mil euros: 37%
  • Entre os 40 mil e os 80 mil euros: 45%
  • Acima dos 80 mil euros: 48%
Será que devemos pôr o foco exclusivamente nas iníquas medidas sobre os reformados e funcionários públicos - como o faz o PR - ou estender o protesto ao absurdo aumento geral de impostos que acaba de ser lançado?

Entretanto, além do Presidente, também os partidos da oposição PS, PCP e BE decidiram apresentar - todos, o que é inédito - um pedido de inconstitucionalidade do OGE 2013.

Constata-se que, enquanto praticam o brutal esbulho aos setores já muito macerados pela austeridade, Passos & Portas propõem-se injetar  - espante-se - 1.100 milhões de euros num pequeno banco, o Banif, adquirindo 60% do seu capital, sem procurar sequer disfarçar e aceitando que o Estado nem tenha maioria nos respetivos direitos de voto (?!).

Tudo indica que se trata duma repetição do escândalo BPN. Aqui, aos poucos vão-se conhecendo  os interesses corruptos que levaram à injeção de milhares de milhões de euros num banco menor e mafioso.

Nem há palavras perante tanta desfaçatez.

Uma só pergunta: até quando o país aguentará ser assim humilhado e enganado?


30/12/2012

Um novo presépio em Portugal

Uma foto que corre na net. A qualidade visual é má, por isso aqui vai a legenda:

O agente imobiliário e vendedor é Passos, que também aluga este presépio vazio. Na fila para se inscrever no Centro de Emprego, já estão os próprios reis magos.