02/03/2013

OS MEDIA E AS MANIFESTAÇÕES DE 2/MARÇO

Informação correta e abundante das manifestações nos noticiários da RTPi. 
Por uma vez, registe-se! Quando os media cumprem, há que elogiar, não apenas criticar... 

NOTA:  Posteriormente à colocação deste comentário, já há fortes motivos de crítica: a RTP convidou José Sócrates para novo comentador residente, num total desprezo pela opinião pública. Após mais uma gigantesca manifestação contra a troika e o "seu" governo, qual o reflexo do protesto nos media principais? Nulo, e pior, dão-se ao luxo de convidar um dos responsáveis pela vinda da troika. Não estando em causa o seu direito de defesa em relação à imolação que a direita lhe moveu, em nada se justifica a sua colocação destacada como opinador da TV do Estado. É apenas uma das muitas manobras de manipulação das forças no poder: enquanto se discute Sócrates, evita-se discutir os verdadeiros problemas do País.
Manifestação 2 de Março no Porto povo em luta
Cidade do Porto, onde no final se registaram confrontos com a PSP

Já no Brasil, a principal estação noticiosa, Globo News, passou fotos da manifestação num escasso flash de 3 ou 4 segundos, mas na mesma altura fez um debate prolongado sobre política italiana, e deu largos minutos do noticiário ao conflito israelo-palestiniano e a uma parada gay australiana, assuntos sem nenhum relevo nos media mundiais nesse 2 de março. 

Mas, leitor, não se iluda de que seja um acaso. É recorrente na Globo, desde há alguns meses, a marginalização de Portugal, numa mudança clara da política desta emissora. Emissora que, curiosamente, tem origem no jornal fundado pelo filho de emigrantes portugueses Irineu Marinho, depois herdado pelo seu filho Roberto. Ao longo da história do grupo, o segundo maior do mundo no sector, ele tem alinhado por posições dos EUA,  fazendo sempre charneira com o establishment brasileiro, o que lhe permitiu manter estável a sua influência. A revista Superinteressante (Junho,2005, pg.51) escrevia "O Brasil é a Globo", no sentido que telenovelas e demais programas deste canal são vistos desde a mais remota aldeia indígena da Amazónia até à grande cidade, acabando por ir moldando culturalmente o País.

E não acreditem no correspondente RTP Pacheco de Miranda, quando passa a ideia dum Brasil muito atento a Portugal. Ele é dos que só mostram aquilo que enche o ego português - caso, em 4/Março, da reportagem dum concerto, acompanhado de buffet, oferecidos em Brasília pela embaixada de Portugal. Uma boa comezaina é receita infalível para conquistar pela boca os convidados. Mas não passa daí.

Depois, veja-se esta declaração do pianista P. Burmester, outro reincidente nas mordomias situacionistas, na mesma reportagem: "cada vez há mais iniciativas de Portugal, como este concerto, ou o Ano de Portugal no Brasil". 

A verdade, porém,  é outra: no Brasil,  quase só se ouviu falar do Ano da França, que já foi. A correspondente da Globo em Paris, fala todos os dias e só passa coisas maravilhosas. Há constantes programas de cozinha e outras coisas francesas nas várias TVs. Mesmo no pequeno Estado onde me encontro, no Nordeste,  são frequentes as iniciativas francesas (concertos e exposições, de âmbito local ou  geral).  Em contrapartida, há um ano, tentei assistir a um festival local de filmes da CPLP (refira-se, Portugal era sómente um dos representados), mas o mesmo foi cancelado à última hora invocando problemas  técnicos.  Revelador. 

Na verdade, até a Alemanha é mais falada, como demonstra a escola de samba do Rio que homenageou neste carnaval o "Ano da Alemanha", que é o próximo. Do Ano de Portugal, passou uma mera publicidade na Globo, há meses, mas depois, na prática, nada se tem visto que atinja o grande público. Ah, conceda-se, passa nos canais de desporto locais - como já passava antes - um jogo por semana da Liga portuguesa, menos que os exibidos dos campeonatos  francês e italiano.

Enfim, relativamente ao supracitado buffet em Brasília, ele  só confirma o ditado: "com papas e bolos, ...". Para consumo interno português, claro.

GRANDE ADESÃO POPULAR AO 2 DE MARÇO

CERCA DE 1,5 MILHÃO DE PESSOAS EM TODO O PAÍS E NO ESTRANGEIRO
800.000 em Lisboa, 400.000 no Porto.

É preciso transformar o protesto em alternativas credíveis de governo, evitando cair nos braços dos mesmos que ao longo de 30 anos  fizeram o País chegar a esta situação.

E não esquecer que nenhum partido denuncia claramente os roubos incidindo sobre categorias específicas, por exemplo, os reformados e os desempregados.


Concentração final no Terreiro do Paço - Lisboa

28/02/2013

FALSAS ALTERNATIVAS DESTROEM A SOCIEDADE

Anteontem, 27/Fev, a RTPi, na série documental Linha da Frente, acompanhou um jovem casal de Gondomar na "aventura" de tentar instalar-se em Londres. Apesar das contrariedades, mau planeamento e pouco dinheiro, a narrativa que se faz passar é a do sucesso do casal.  Numa só semana já tinham emprego e estavam instalados. Que bom, né?

Em 1º lugar, estranho este documentário ir para o ar em vésperas do 2 de Março. Articulado com toda uma bateria propagandística, como no noticiário das 20h, que abriu com números "esmagadores" do défice do Estado, sublinhando que o dinheiro vai quase todo para salários e reformas.

É uma propaganda já muito repetida e suja, de bandidos ideológicos, porque:

alínea a) o DÉFICE É CULPA DO GOVERNO (e da Troika) que prometeu para este ano a recuperação económica e só provocou o desmoronamento da economia, gerando por isso menos receitas em impostos;

alínea b) o ESTADO SÃO SERVIÇOS,  saúde, educação, segurança, defesa, finanças - LOGO, feitos por pessoas, LOGO, os gastos são em trabalho - sem trabalho não há serviços, ainda não se inventaram robôs para dar aulas e cuidar da saúde;

alínea c)  as reformas, são as garantidas contratualmente, e para as quais os beneficiários pagaram ao longo de décadas. Os seus fundos nem sequer deviam estar misturados com o orçamento do Estado, é aí que começa o abuso e a mistificação - ver em detalhe AQUI.

Ao mesmo tempo, a RTP omitia o peso dos juros e amortizações de empréstimos, incluindo o da Troika. Que, se fossem renegociados, daria um défice completamente diferente .

Em 2º lugar, a história do casal referido não é muito realista. O casal já tinha contactos, num deles é que a moça se fixou como recepcionista.

Depois dá-se pouca ênfase à declaração do dono (português) duma agência de emprego local: "As pessoas, em Portugal, não aceitam trabalhar mais que 35 horas semanais; mas aqui já aceitam 60 e mais horas. Se têm um emprego, mesmo  fraco, não saiam de Portugal. Há aqui portugueses a dormir na rua porque se lhes acabou o dinheiro e não arranjam emprego". O que pode ser confirmado AQUI. Aliás, quem acompanha as notícias já sabe disto há meses.

E quem é atento viu outros detalhes:

O melhor quarto que o casal arranjou é minúsculo, sem janelas e nos fundos da casa dum brasileiro que subaluga por 600€/mês. Os salários deles, de 6,5 € /hora, face aos custos de Londres (uma sanduiche tem o custo duma refeição completa em Portugal), não permitem poupar nada, a não ser que se faça pluriemprego, tipo, 10 horas de trabalho diárias, incluindo sábados e domingos. Ou seja, que não se viva. É isto um futuro?

Em 3º lugar, a reportagem, se quisesse ser honesta, devia ter falado  com os inúmeros portugueses vivendo na rua em Londres - bastava pesquisar no Google "portugueses a viver na rua, Londres". Os autores sabem muito bem disso, portanto foi uma opção com intenções propagandísticas claras.

Em 4º lugar, a economia inglesa, muito baseada na especulação e na lavagem de dinheiro da praça financeira da City (junto com Wall Street e Hong Kong, as maiores do mundo), já está em recessão (veja AQUI). O futuro da vida em Londres - metáfora da própria UE -  adivinha-se não ser brilhante.

CONCLUSÃO

O que está em causa não é o direito à emigração ou encontrar melhores condições noutro país. Faz parte da globalização, goste-se ou não.

O que está em causa é a propaganda mentirosa, intercalada com outras formas de alienação que tenho tentado desmontar neste blogue.

Esta enorme vigarice, de convencer que é bom ser obrigado a emigrar. Enquanto,  apesar de todos os avanços na agricultura, indústria, serviços, saúde, habitação, toda a tecnologia e infraestruturas que se obteve, do enorme nº de licenciados e doutorados, etc., se cai na situação social do antigo regime.

Perspectivas de vida, só  são possíveis com uma economia equilibrada regionalmente, com centros de decisão dentro do País, dando prioridade às necessidades da população, ainda que mantendo o país aberto ao mundo. 

A perda dessas perspectivas, acentuada pelo discurso do desGoverno, só leva ao despovoamento das regiões, ao envelhecimento do País a prazo e à destruição das famílias e das comunidades.




24/02/2013

É já 2 de Março, este sábado - EXISTEM ALTERNATIVAS!

Esta política provoca apenas um

CICLO VICIOSO:

Recessão ==> roubo de pensões, impostos
==> mais recessão
==> mais roubos, cortes e impostos, etc.

É PRECISO EXPULSAR  QUEM CONDUZ ESTA POLÍTICA,
LEVÁ-LOS A TRIBUNAL E REPÔR OS NOSSOS DIREITOS!


EXISTEM ALTERNATIVAS, COM UMA EUROPA DOS POVOS !

A Europa é a maior economia do mundo. 
Os cartéis e agências ao serviço dos super-bancos mundiais  mentem!
Não se pode escancarar as fronteiras à China e outros.
O Euro tem que ser mais competitivo (contrariando Merkel), para exportar mais, baixar o preço do crédito às empresas,  e promover assim o emprego. SIMPLES.
  

REPETIR E APROFUNDAR O 15 DE SETEMBRO !


22/02/2013

SOMOS TODOS IGUAIS, MAS ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OUTROS

- frase adaptada de Georges Orwell (daqui)

PORQUÊ EMPRESAS DE LISBOA NÃO SE PODEM CANDIDATAR A I&D (inovação & desenvolvimento) ?


Desde 2004, a região Lisboa e Vale do Tejo, que até esse ano representava mais de 50% deste tipo de   projetos, exatamente por ser a região onde havia mais empresas inovadoras, está impedida de se candidatar aos mais importantes financiamentos em inovação.

Segundo o relatório de 2006 da AdI (Agência de Inovação), que gere estes programas apoiados por fundos europeus, ocorre o seguinte (pgs. 36,37):

"A região de Lisboa e Vale do Tejo, em 2006, não registou qualquer entrada de candidaturas, na sequência do cancelamento [leia-se, proibição] da apresentação de novas candidaturas referido anteriormente, afectando assim a dinâmica do programa nesta região (...)
Foram beneficiadas 60 empresas, das quais 50% pertencentes à região Norte do país e 40% à região Centro". 
"Localização geográfica das empresas com candidaturas aprovadas em 2006 ":


Tanto quanto sei a situação mantém-se. É difícil achar dados na net (porque será??). Após muitas tentativas consegui ver que em 2012 enquanto a região de Lisboa preenche apenas 9 páginas de projectos apoiados, a região "Norte" é contemplada com 64 páginas (!), o Centro com 39, o Alentejo apenas com 7 e o Algarve com 4. Açores e Madeira não são monitorizados, porque a AdI não tem competência  sobre as RAs. Esclarecedor.

FALANDO DE MANIPULAÇÕES...

Agora percebo porque é que o "Portugal aqui tão perto" da RTPi quase só apresenta empresas inovadoras do distrito do Porto e vizinhos. Pela razão acima, e por ser provavelmente emitido do Porto, facto que tenta  disfarçar usando uma (incipiente) apresentadora sem sotaque local. Mas o cenário trai-os - apesar de prolixo, é dominado pela bela ponte criada pelo engº Eiffel junto à Ribeira.

É-me desagradável praticar este exercício crítico, quase de mau da fita, num país onde as pessoas parecem ter preocupações mais superficiais. Eu que até sou do Douro e adoro o Porto, onde tenho muita família e fiz amigos especiais (vivi nesta cidade um intenso período de estágio profissional e não só).

Mas é uma simples questão de justiça. Por exemplo, é inconcebível que Algarve e Alentejo - regiões com as quais  poucas ligações tenho, mas que constituem metade da superfície do País - vejam projetos importantes sistematicamente emperrados.  Sines, Alqueva, são exemplos, entre muitos.

E OUTRAS, AINDA PIORES...

Há dias Rui Moreira (A.Com.Porto) e Luís Nazaré (ex-CTT), comentadores residentes do "Economix", insultavam o País, e o Alentejo em particular, dizendo que Sines (único porto de águas profundas do País capaz de receber supercargueiros), era coisa de lunáticos; mais, que uma linha rápida de comboios de carga  para a Europa jamais deveria começar ali.

Claro, omitiram deliberadamente que Sines é o porto mais natural para Extremadura, Madrid, Leão e Castela, regiões que envolvem o pólo económico central da península. Mas montar um centro automóvel Pininfarina na Maia, que custou à cabeça 10 milhões €, quando as mais importantes indústrias do sector são na A.M. de Lisboa, isso já não é incoerente. O assunto nem foi falado mas se fosse, sem contraditório, logo viriam os habituais argumentos falsificadores embrulhados em papel reluzente.

Será difícil adivinhar porque é que este Economix, único programa semanal de Economia da RTPi, escolheu uns Dupont & Dupont em vez de economistas prestigiados de correntes  opostas?

É com pessoas destas em postos-chave que a polarização económica no Porto vai sendo subrepticiamente levada a cabo, à custa do esfrangalhamento do País.

ONDE É QUE ISTO VAI DAR?

A coisa pode tornar-se mais grave na situação de colapso para que o País está sendo lançado. A habitual irracionalidade que toma conta da "rua" nestas fases, pode ser aproveitada por hábeis lóbis minoritários para um golpe de Estado que arrasaria o que resta da Economia de algumas regiões do País. Quem sabe, sonhando fazer dele uma imensa quinta, como é o Alto-Douro, região que produz o produto nacional mais emblemático mas cujo lucro vai todo para as firmas exportadoras de Gaia. Na verdade, hoje, a região vinhateira património mundial é a menos desenvolvida do País. Quando eu era criança, anos 60, o meu concelho, Tabuaço, onde se produz uma das marcas mais  mundializadas do vinho fino, tinha indústrias, belos lagares de azeite e regorgitava de vida. Hoje, quase nada, aldeias despovoadas, e até as estradas continuam a ser as mesmas perigosas vias alcantiladas de há 40 anos!

O interesse das forças dominantes da UE é enfraquecer e dividir os países periféricos, fazendo-os perder toda a lógica nacional, desviando os centros para Bruxelas, Frankfurt, Roterdão ou Paris. As regras sobre fundos europeus não são obra do acaso, e têm cúmplices e inspiradores locais, no próprio País.

Depois, admirem-se que Lisboa tenha a maior taxa real de desemprego, e que um destes dias as pessoas venham para a rua e quebrem tudo, como na revolução de 1383.





17/02/2013

A RTP consegue bater mais fundo

Anteriormente considerei que a programação da RTPi tinha batido no fundo. Afinal havia pior. Ontem passou um tal "Odisseia", supostamente um programa de humor. Os autores ter-se-ão enganado: aquilo, putativamente,  é mais terror que humor.

Dicção intragável da maioria dos atores, tom sombrio e psicadélico, sugestões homossexuais (...)  

Ler mais sobre humor e concursos na RTP

Ler mais sobre informação na RTP



16/02/2013

Petição pública contra a espoliação

Aqui vai o link para assinar uma petição pública que pede a intervenção do Presidente da República perante a espoliação de que os reformados são alvo.


É importante divulgar a  todos os amigos e conhecidos, dada a gravidade deste ROUBO sem pudor das pensões para as quais os aposentados pagaram ao longo de toda a sua vida ativa.

É exatamente esta categoria de aposentados - A DOS QUE FIZERAM OS SEUS DESCONTOS PARA A SEGURANÇA SOCIAL - que sofre a maior espoliação, sofrendo uns 20% mais que a média da população. É absolutamente incorrecto pensar que estes reformados fazem apenas os mesmos "sacrifícios" das outras pessoas.

E ainda por cima têm de ouvir discursos do tipo: "toda a gente no país todo sofre", o que é uma absoluta mentira pois, não só uma parte do país é mais brutalizada que a generalidade, como há pessoas que não fazem sacrifícios nenhuns e são até beneficiados.

Por exemplo, e já não falando nos habituais privilegiados dos altos cargos, refira-se os donos das empresas exportadoras que, à pala de beneficiarem a Economia, não só ficam com os seus  lucros, como muitos deles nem pagam impostos, jogando com filiais ou sedes no estrangeiro para pôr o dinheiro "ao fresco", anulando essa suposta vantagem para o País.

Tudo uma enorme vigarice. PONTO.



16/01/2013

MAIS DE METADE DOS PAÍSES DO MUNDO NÃO SÃO LIVRES

Divulgo um link para o relatório da Freedom House, sobre liberdade no mundo, pedindo que leiam o meu comentário abaixo:

COMENTÁRIO

Uma fundação fortemente ligda ao establishment norte-americano a classificar países quanto ao seu grau de liberdade, é insólito.

É que o nível de democracia nos EUA deixa muito a desejar. Um país onde a Polícia dispara só por desconfiar que alguém tem uma arma. Onde se leva réus comuns acorrentados como animais perante o tribunal. Onde, segundo um relatório de 2005,  8% dos homens negros estavam na prisão e 1 em cada 32 americanos - 7 milhões (!) no total - estavam atrás das grades, dos quais 800.000 em saída condicional. País onde quem não for muito rico ou apoiado por ricos não tem hipótese de ganhar eleições. Onde se contam 50 lóbistas em média por cada senador, ao serviço dos grandes interesses económicos. E às claras, como se fosse normal.

Nota posterior à publicação deste artigo: Recentemente (Fevereiro 2014) passou num dos canais portuguesas uma reportagem chocante sobre erros judiciais e motivos fúteis que podem levar à prisão nos EUA que revelava, entre muitos dados, serem os EUA o país com maior população encarcerada e com maior nº de estabelecimentos prisionais do mundo todo.

Num país destes a democracia é no mínimo discutível.  Eu diria, virtual. 

Já não falando na democracia económica e social. Essa, só para rir de riso amarelo - quando uma vítima grave de acidente é rejeitada no hospital por não ter seguro de saúde...  (e não se iludam, a situação é corrente - vidé "Sicko" de Michael Moore: http://vimeo.com/27262137).

Um país que mantém a sua Economia crescendo à custa de triliões de dólares injetados à socapa, valendo-se de o dólar ser a principal moeda mundial. Não é à toa que as tentativas de destronar o dólar dessa função valeram as guerras do Iraque e do Afeganistão - não foi pelo petróleo, como se diz -  e agora a guerra contra o euro. Mais palavras para quê?


FALANDO DOUTRAS COISAS - OS RISCOS DO ATIVISMO - 

Mas começo a pensar se vale a pena gastar o meu "latim"...

Afinal, isso só faz correr riscos pessoais - é que "eles" andam por aí, espiando e perseguindo.

Ao falar de riscos, claro, só os corre quem é ativista.  Ativista a sério, não daqueles que ganham dinheiro através das ONGs,  proclamando generalidades sem nunca pôr o dedo na ferida. Mas esses é que são os espertos... ou não? Vamos ver,  é no final que se fazem as contas.

E correr riscos físicos, ou sofrer assédio moral na internet, apenas por criticar "hidrelétricas" em meio florestal virgem, em países que muitos estrangeiros ingénuos ainda vêem como "verdes" e onde "todo o mundo é feliz". Trivialidades, numa civilização mediática dominada pelo superficial bombástico.

DESPOLITIZAÇÃO DAS NOVAS GERAÇÕES

Nós, os filhos do Maio 68, das grandes crises académicas de Coimbra 68 e Lisboa 69, daqueles fantásticos "meetings" semanais  que punham em causa tudo, desde a ditadura à guerra colonial, desde a sexualidade machista ao capital monopolista.

Nós, a geração hiper-politizada dos 70's, que devorávamos Sartre, Trotsky, Marx, Lenine, Rosa Luxemburgo, Mao, Giap, Sweezy, Gramsci, Bettelheim, S. Amin, P. Freire, C. Furtado, E .Fromm, Freud. Que olhávamos os futuristas portugueses, e Godard e Wenders, e o Apocalipse Now ou o Paris Texas. Que  ouvíamos Zeca, Adriano, Zé Mário, Fausto, e os Beatles, os Doors, o Brel, o Chico. Que nos organizámos clandestinamente contra o fascismo, acreditando poder transformar o mundo numa coisa mais humana e fraterna. 

E hoje, no pós-muro de Berlim, disseminada a ditadura ideológica do "pensamento único" capitalista, deparamo-nos com gerações despolitizadas, cabeças cheias de ruído ideológico, fruto, quer duma vida supostamente cómoda, quer de professores universitários pretensiosos, armados até aos dentes de tralha cultural passadista,  nomeadamente nas ciências sociais. Tralha que, na verdade, tem muito pouco de científico...

E ter que repetir as mesmas coisas, em Portugal, porque aparentemente muitos não perceberam que vão sofrer em breve os mesmos roubos  brutais de que os outros já foram alvo - e continuam a alinhar no palavreado venal dos partidos ou dos media. Quando perceberão que "isto só dá a volta" na rua e em massa - como foi com Timor ou, mais recentemente,  no 15 de Setembro 2012 - mas agora para parar tudo?

AUSTERIDADE OU DESTRUIÇÃO?

Custará assim tanto perceber que o objetivo das políticas ditas de austeridade, que anteriormente este governo ainda justificava, mas agora já nem se dá a esse trabalho - limita-se a dizer, com ar displicente, depois de impôr o maior aumento de IRS de que há memória, isto num ano que eles previam como da retoma económica"Sabem, o IRS tem este "aumentozito" agora, em 2013, mas preparem-se, vamos ter que cortar mais 4.000 milhões em 2014".

Mas porquê? E isto não pára mais? - Pergunta o pobre do contribuinte. Resposta: "Ora, porque sim, porque o FMI disse"...

A perfídia destes políticos parece não ter limites. São medíocres e incultos, mas para fazer o mal, aprendem rápido.  Entretanto privatizam e passam para mãos estrangeiras as grandes empresas lucrativas  do Estado. Porque as deficitárias, essas, o Zé do Pagode que pague...

Não perceberão as gentes deste País que, com um tal rumo, Portugal, ou termina mesmo, ou se transforma numa mera colónia? Será que gostam de "virar" 3º Mundo capacho de estrangeiros, nesta fase de profunda crise do  capitalismo de casino?

E não, não é nenhum radicalismo dizê-lo... Há quem antecipe os acontecimentos, eu costumo ser um deles.  Em matéria de política, pelo menos. Passe a imodéstia de quem já anda nestas coisas há umas décadas.





08/01/2013

ECONOMISTAS CONTRA A VENDA DE TAP E ANA

Conhecidos economistas assinam manifesto contra venda de TAP e ANA (navegação aérea e aeroportos)

- Ver desenvolvimento no jornal Público.

As principais empresas portuguesas estão a saque, prosseguindo o desastre financeiro em que se têm traduzido as sucessivas privatizações de grupos altamente lucrativos, como PT, GALP, CIMPOR, EDP. etc.

Eis postos a nu os interesses por detrás da guerra na Eurozona, subproduto por sua vez da guerra dos especuladores contra o Euro: afinal trata-se duma luta por controlo, camuflada de "crise" sob o palavreado falso do "país acima das suas possibilidades" - ver local  PORTUGAL NÃO É POBRE, neste blogue.

O cenário está montado para que nos resignemos ante a liquidação do País. Todo um património de 900 anos, alienado. Cada empresa, cada subsector, cada bem ou serviço, não contém apenas matérias primas, equipamentos ou trabalho qualificado. Contém a História e os caminhos percorridos por um povo, geração após geração. Culturas que se perdem, e dificilmente se recuperam.

Veja-se o sucedido com a SOREFAME, - grande fábrica da Amadora de carruagens, locomotivas e turbinas para hidroelétricas. Após a sua alienação à Bombardier (sob a promessa de não encerrar), tudo foi simplesmente liquidado. Perderam-se: o know-how dos técnicos, os equipamentos, mas também exportações que hoje poderiam alimentar as obras nos PALOPs, por exemplo, e melhorar a economia do País.

A perda dos centros de operação  da TAP e da ANA, que seguramente se seguiria à sua entrega a estrangeiros, significaria dezenas de milhares de empregos qualificados retirados a Portugal, mas também a perda de marcas identitárias nacionais e de tudo que lhes fica a montante (ensino, formação, investigação, fornecedores, redes económicas como os aeroportos alternativos ou subsidiários a Lisboa) e a jusante (prestação de serviços, rotas, representação e imagem).

Entretanto, uma nota: Lisboa não é substituível por qualquer outra cidade portuguesa nestas funções, pela sua localização, dimensão e redes de serviços, como parecem julgar alguns que chafurdam numa visão paroquial, ultramontana e divisionista, particularmente grave na fase atual.


A TAP e a ANA prestam serviços de elevada qualidade. A TAP é classificada internacionalmente como uma das 4 empresas mais seguras do mundo. Ela é uma embaixatriz diária de Portugal. Nos cinco continentes, cidades e bairros ostentam o seu símbolo nos placards de milhares de agências locais.
O aeroporto de Lisboa é altamente lucrativo, ao ponto de os seus lucros cobrirem os prejuízos do Porto e doutros aeroportos deficitários, e ainda gerar excedentes financeiros.

06/01/2013

PORTUGAL NÃO É POBRE, É UM PAÍS AVANÇADO

A "crise"  - na verdade, a guerra contra o Euro e as ondas de choque que ela gera na Eurozona - não é apenas económica. Ela é alimentada também através de ideias virtuais e confusão mental.

Uma dessas ideias - completamente errada - é a de que Portugal é pobre. Chega-se ao ponto de alguns cidadãos doutros países - provavelmente por complexos coloniais ou raciais - aproveitarem para humilhar Portugal com base em casos que conhecem mal e retirados do contexto.

Há meia dúzia de anos atrás, para alguns, o País já estava no "pelotão da frente" europeu. Agora, há quem queira despromovê-lo ao 3º Mundo. Aberrante.

  
Indústrias de moldes, na região Centro: um sector significativo e exportador, onde Portugal dá cartas a nível mundial
Clique para ver um exemplo de fábrica de moldes


Alguns projetos apoiados pela Agência de Inovação de Portugal




QUEM PROMOVE AS  IDEIAS  ERRADAS

Há interesses políticos externos e internos em desvalorizar a imagem de Portugal. O desastroso programa da troika precisa dessa ideia para justificar a cantilena ideológica  do "vivemos acima das nossas posses".

As políticas recessivas recentes provocaram uma queda do PIB que ronda os 7%. Se prosseguirem, a estrutura económica do País está de facto ameaçada.  Dentro de 2 ou 3 anos Portugal cairia no ranking mundial.

Assentemos, porém, numa coisa: Portugal não é dos mais ricos da Europa. Isso não significa que seja pobre.

Haja equilíbrio. Portugal é um país do 1º Mundo, altamente industrializado e com qualidade de vida que nada tem de terceiro mundista - quem diz isso é porque não conhece o verdadeiro 3º Mundo. Ou, se conhece, anda a precisar de óculos (não coloridos).


No 3º mundo e ascendentes, a maior parte das cidades tem condições deficientes, os esgotos (quando os há) despejam quase sempre sem tratamento nos rios e praias, as condições de higiene e segurança nos locais públicos - bares, restaurantes, feiras, ruas -  e na produção de alimentos são frequentemente más, provocando intoxicações e doenças. A criminalidade é muito elevada. O sistema público de saúde é deficiente, tal como as redes de água e eletricidade. "Apagões" frequentes, e redes que não chegam a muitos locais ou são "gatadas" (desviadas) noutros.

Portugal há muitas décadas que saiu desse nível. É claro que, sendo governado da forma que está  sendo, dentro em pouco cairá num descalabro, inimaginável há pouco tempo.

Por isso URGE AGIR. Chega de palavreado, é preciso ação!


FALEMOS CONCRETO - ALGUNS DADOS DA PRODUÇÃO NACIONAL...

Portugal tem apenas 10,5 milhões de habitantes e pouco mais de 90.000 km 2 de extensão. É um país médio na Europa, mas pequeno à escala mundial. Apesar desta dimensão, possui dezenas de ramos industriais, agropecuários, mineiros, das pescas ou dos serviços. Desde:
  • os bens tradicionais, mas de qualidade elevada
Vestuário, têxtil, calçado, mobiliário, vidros e cristais, cimentos, adubos, metalomecânica, rochas, mineração, cerâmica, louças, azeite, óleos, vinhos, manufaturas alimentares, pescado, bacalhau, cortiça, conservas, plásticos, leite, carnes, cereais, tubérculos, frutas e verduras, turismo
  • aos sectores tecnológicas e avançados
Automóvel (peças e montagem), máquinas elétricas e não-elétricas, instrumentos de precisão, químicas, medicamentos, embalagens modernas, moldes, material informático e eletrónico, software para macro e microsistemas, material para energia,  aeronáutica, navios, transportes, serviços de saúde, de comunicações e centenas de outros serviços (é justamente o setor mais avançado).

Para dados numéricos, clique em:    Quadro - Produção industrial em valores    - Fonte: I.N.E.
(Compilação temporária; os sectores agrícola, das pescas e dos serviços serão disponibilizados em breve)

... E OUTROS FACTOS

Portugal possui uma das maiores percentagens de doutorados, elevado volume de investigação e de patentes, está entre os 10 primeiros do mundo em saúde neonatal, o sistema nacional de saúde (SNS)  é (ou era, pois está sendo alvo de forte ataque) fiável e  presta cuidados baratos a todos (incluindo os emigrantes que, apesar da crise, preferem ficar em Portugal a voltar aos seus países "sem crise"), o sistema bancário é flexível, seguro e moderno, a administração pública está quase toda informatizada em rede, há uma complexa rede de transportes, as telecomunicações são de última geração e o sistema educativo tem ampla cobertura.

Produz-se bastante agricultura orgânica e muitos produtos diferenciados e tecnológicos.

Muitos dos bens citados são produzidos em grande escala  - à proporção do País - e as respetivas exportações, atingem 37% do PIB. Portugal é uma economia aberta desde os anos 60, quando aderiu à EFTA, o que obrigou a uma modernização da maioria dos setores,  inclusive os tradicionais.

É por essas razões que Portugal possui multinacionais próprias, sendo exemplos a PT  (media e comunicações), a GALP (combustíveis), a EDP (eletricidade e renováveis), a SEMAPA (papel e cimentos),  os hipermercados da SONAE e da JM, os bancos - CGD, BES, BCP, BPI,  a AMORIM (cortiças), a EFACEC (eletrónica), a LOGOPLASTE (embalagens), a LANIDOR (moda), a SEASIDE (calçado), a BRISA (autoestradas), a TAP, a LUIS SIMÕES (transportes), PESTANA e VILA GALÉ (hotelaria)  entre muitas empresas com internacionalizações bem sucedidas.
Bial , região Norte -
- uma multinacional de medicamentos

Novabase Natal 2012
Novabase, Lisboa - maior empresa de software nacional


E estou a referir-me a bens, na sua maioria, com marcas e tecnologias próprias.

Tudo isto não é motivo para conformismo relativamente à destruição e degradação de que o País vem sendo alvo  a todos os níveis, pelo contrário. É apenas para desmitificar algumas ideias falsas que correm nos media.






02/01/2013

PASSOS - MENTIRAS E MANOBRAS DE DIVERSÃO?

Numa desastrada tentativa de justificar o injustificável, ou seja a espoliação dos reformados da CGA e da CNP (que descontaram para os fundos de pensões!) num nível intolerável que estará nuns 20% a mais de roubo que os outros grupos sociais, o sr. Passos declarou há dias que as pensões "altas" - e não se pense que se referia às luxuosas pensões dos privilegiados do regime, ele referia-se a banais pensões de 1.000€ / 2000€ - seriam  uma "injustiça" pois os descontos que os beneficiários fizeram no passado não permitiriam cobrir tal nível de pensões.

O sr. Coelho, no seu afã de desviar o foco da brutalidade de impostos que acaba de lançar em 2013, entrou literalmente em delírio verbal !

É de colocar a hipótese, perante medidas tão absurdas - que seguramente o TC rejeitará - se elas não são uma manobra de diversão: toda a gente focada nas medidas aberrantes contra os reformados, ajuda a desviar as atenções da brutal carga fiscal lançada sobre a generalidade da classe média (ver novos escalões de IRS na local sobre a constitucionalidade do OGE).

Apesar da incompetência de Coelho e acólitos, no manobrismo político eles são lestos, afinal, é o que lhes resta face à rejeição crescente que o seu (des)governo tem junto da população. Mas desmontemos esta mentira grosseira do homem ao serviço da troika:
  • Estudos de especialistas demonstram que os Fundos de Pensões sofreram delapidações dos sucessivos Governos pós-25 de Abril. Os valores desviados foram projetados, num Livro Branco (Boaventura S. Santos e outros), em 55 mil milhões de euros, mas aumentaram muito não só pela correção monetária, como pelos desvios feitos posteriormente. NOTA: Só isto, dava para pagar todo o resgate da "troika", e ainda sobrava muito!
  • A maior parte dos Fundos de Pensões integrados no Estado, desrespeitando, aliás, a sua lei de enquadramento, foi aplicada em Obrigações do Tesouro pouco rentáveis, hoje desvalorizadas; e ainda recentemente, já com este Governo, os fundos de pensões da Banca, milhares de milhões de €,  completaram  a sua integração no Estado, imaginando-se que vão levar por tabela, todos na mesma enxurrada, a prazo;
  • Uma das provas mais fortes de que o que Coelho diz é mentira é que, antes da atual avalanche de espoliação, já vários governos do bloco central haviam tomado medidas  (sucessivas reduções nas pensões, aumento da idade de reforma, etc.) que  justificaram declarando então, preto no branco, que elas assegurariam o pleno equilíbrio da Previdência Social por 30 anos, pelo menos.
Os argumentos do chefe do PSD são, pois, tão falsos e de baixo nível que roçam o ofensivo. Aliás, ele não apresenta um único fundamento para o que afirma. Daí, duvidar se não se trata duma mera  manobra de diversão, pondo toda a gente a discutir isto. E é também a técnica do mal menor: "se outros (aposentados) são punidos pela peste, o melhor é eu (cidadãos em geral) aceitar o castigo da fome".

As mentiras do Passos só convencem velhinhos em estado letárgico que mal sobrevivem com pensões de 300 euros. Pelos vistos, serão as únicas a não sofrer cortes no futuro - e por este andar, vamos ver...

OGE ENVIADO A TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

Como já se esperava, o Orçamento de Estado para 2013 (OGE) foi remetido ao Tribunal Constitucional pelo Presidente da República, com a invocação de dúvidas sobre a constitucionalidade dos cortes nos 13º e 14º meses, e da sobretaxa de 3,5 % nos escalões mais altos do IRS.

Recorde-se que estas espoliações são feitos em sobreposição a um brutal aumento do IRS. Segundo o TVI 24 on-line, os escalões passam  a ser os seguintes a partir de 1 de Janeiro de 2013:
  • Menos de sete mil euros: 14,5%
  • Entre os sete mil e os 20 mil euros: 28.5%
  • Entre os 20 mil e os 40 mil euros: 37%
  • Entre os 40 mil e os 80 mil euros: 45%
  • Acima dos 80 mil euros: 48%
Será que devemos pôr o foco exclusivamente nas iníquas medidas sobre os reformados e funcionários públicos - como o faz o PR - ou estender o protesto ao absurdo aumento geral de impostos que acaba de ser lançado?

Entretanto, além do Presidente, também os partidos da oposição PS, PCP e BE decidiram apresentar - todos, o que é inédito - um pedido de inconstitucionalidade do OGE 2013.

Constata-se que, enquanto praticam o brutal esbulho aos setores já muito macerados pela austeridade, Passos & Portas propõem-se injetar  - espante-se - 1.100 milhões de euros num pequeno banco, o Banif, adquirindo 60% do seu capital, sem procurar sequer disfarçar e aceitando que o Estado nem tenha maioria nos respetivos direitos de voto (?!).

Tudo indica que se trata duma repetição do escândalo BPN. Aqui, aos poucos vão-se conhecendo  os interesses corruptos que levaram à injeção de milhares de milhões de euros num banco menor e mafioso.

Nem há palavras perante tanta desfaçatez.

Uma só pergunta: até quando o país aguentará ser assim humilhado e enganado?


30/12/2012

Um novo presépio em Portugal

Uma foto que corre na net. A qualidade visual é má, por isso aqui vai a legenda:

O agente imobiliário e vendedor é Passos, que também aluga este presépio vazio. Na fila para se inscrever no Centro de Emprego, já estão os próprios reis magos.

24/12/2012

GOVERNO PROSSEGUE O ASSALTO AOS FUNDOS DE PENSÕES

Como já era de prever, no orçamento geral do Estado para 2013 (OGE) aprovado pela maioria PSD/CDS no parlamento, o alvo principal do ataque é a categoria social dos reformados, nomeadamente os da classe média, que justamente descontaram para ter direito às pensões que usufruem.

Este assalto ocorre após o governo Passos/Portas ter ficado sem margem para alargar o esbulho a outros setores da classe média. Tentou, mas foi barrado pelo maciço protesto de 15 de Setembro.

O (des)Governo está obcecado em eliminar duas das 14 parcelas anuais que constituem a pensão a que os reformados têm direito, sem deixar de, em cima disso, promover os mesmos aumentos no IRS, IMI, etc., que aplica aos outros setores das classes baixas e médias sob ataque.


MEDIDAS MUITO GRAVES E ILEGAIS

Trata-se de medidas gravissimas pela iniquidade, ilegalidade e inconstitucionalidade. NENHUM OUTRO SECTOR para lá deste grupo foi alvo de medidas tão gravosas. E porquê?

Porque, além da desigualdade flagrante nos impostos que este grupo paga, os fundos de pensões são autónomos, independentemente de serem tutelados pelo Estado ou não. Estes fundos resultam de décadas de contribuições dos atuais reformados enquanto trabalhadores no ativo. Eles cumpriram religiosamente a sua parte do contrato, pagando para terem direito às pensões contratadas no seu acordo de carreira ou estatuto. É intolerável que, a pretexto da crise, sejam espoliados de algo que é seu por direito, tal como um imóvel, um carro, ou um PPR.


COMO FUNCIONAM OS FUNDOS DE PENSÕES

É como se cada trabalhador, enquanto no ativo, houvesse posto mensalmente dinheiro numa conta, chamada Fundo de Pensões, na convicção de que JAMAIS em tempo algum - como é óbvio - essa conta seria violada e esbulhada, sobretudo pelo Estado que era suposto ser o seu maior guardião, na fase em que deveria cumprir a sua parte do acordo, pagando o prometido.

Os eufesmisticamente chamados cortes ou impostos extraordinários sobre as pensões - seja qual for o seu montante e o pretexto - não passam de puro assalto aos fundos de pensões, abusivamente metidos no OGE como se pertencessem ao governo e não assentassem num contrato, do mesmo tipo dos PPR (planos poupança-reforma), ou de qualquer fundo privado.

O sistema é o mesmo: se alguém contribui para um fundo de capitalização ou de reforma regularmente, no final tem direito ao resgate integral do capital investido, acrescido de juros.

UM DUPLO ASSALTO

Assim, estamos perante um duplo assalto: além de os reformados não receberem qualquer prémio de capitalização (que mais não fosse a título de correção monetária) são, pelo contrário, subtraídos do próprio capital que constituiram ao longo de toda uma vida. Uma injustiça e um esbulho revoltantes!

É esta a iniquidade de que os reformados são vítimas: algum outro grupo social viu atacadas as suas contas-poupança? Ou lhe foram aos PPR's, sob a forma dum imposto que "come", duma vez só, um sétimo do respetivo valor? Claro que não...!

É aqui que se vê o cinismo e a perversão do discurso dos políticos, não só dos autores do esbulho, como dos que supostamente lhes são oposição, sendo que estes últimos o diluem no meio doutros problemas sociais que, por muito respeitáveis que sejam, não atingem a mesma violência e arbítrariedade desta espoliação dos aposentados.

Claro que o SSS, de que os fundos de pensões são hoje parte, fora já agregado ao Estado e tinha começado a ser descapitalizado por Governos anteriores. Isso, ao invés de validar as práticas do atual governo,  apenas mostra que há mais culpados, ainda que a sua falta de vergonha fosse um pouco menor.  Esse facto em nada diminui a pesada responsabilidade do atual Governo, que se prepara para vibrar o golpe final na Segurança Social.

O que se espera e deve exigir, é que todos sejam no devido momento levados à justiça e condenados. A ideia do crime que justifica novos crimes só convence os ignorantes ou os que não têm ética.

E convém de todo o modo frisar que o SSS é perfeitamente autosustentável - vidé meu estudo sobre a VIABILIDADE da Segurança Social.

O MISTÉRIO DOS PARTIDOS "SINDICALISTAS"

Àparte tudo isso, um mistério: porque é que os partidos "sindicalistas", designados de esquerda, falam tão pouco desta espoliação dos reformados - que além do mais, é uma quebra de princípios básicos como a segurança jurídica, a não-retroatividade, o respeito contratual - e tratam de dilui-la noutras questões laborais e sociais, como se tivessem todas o mesmo grau de violência?

Pensando melhor, o mistério é desvendável. Afinal os reformados não pagam quotas sindicais, não fazem greves, nem têm local de trabalho para reunir, logo, são uma "clientela" aparentemente fraca, pensam eles.  E nisso não diferem muito da ideia dos partidos ora no poder. Vamos a ver se não se enganam todos e não têm uma surpresa quanto ao poder de reação dos reformados...

Um caso a destacar é o do PCP, cujo grupo parlamentar se recusou na legislatura anterior a requerer a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do OGE. À primeira podia ser por distração, à segunda, já não. *

Já no PS, melhor, a sua direção, o caso foi mais grave: absteve-se na votação do OGE 2012, além de recusar pedir a sua inconstitucionalidade, o que acabou por ser feito por alguns deputados à revelia do partido. *

Talvez com estes dados se comece a perceber melhor a inconsistência destes partidos na defesa dos reformados. E se entenda também que qualquer luta consequente desta categoria social tem que ser autónoma e contar antes do mais com as suas próprias forças.

Forças que não são tão poucas assim: afinal os reformados são um terço da população nacional.

_____________________________________________
* Segundo informações que só tive posteriormente, por estar fora do país,  PCP e PS terão votado contra o OGE 2013 e vão pedir a sua inconstitucionalidade. Também... era o mínimo exigível, e em nada altera as considerações acima.

22/11/2012

Carta à srª Merkel

Embora Angela Merkel já tenha visitado Portugal há alguns dias, aqui fica o resumo da carta que lhe foi entregue por um grupo de cidadãos:


Para ver o texto completo, clique aqui

Exmª Srª Chanceler Merkel

Escrevemos-lhe em antecipação à sua visita oficial a Portugal no próximo dia 12 de Novembro. (...)

Julgamos poder afirmar que a maioria dos portugueses discorda das suas políticas e poderia ter consigo uma conversa honesta e para si instrutiva acerca do que se está a passar no nosso País e na Europa. Uma das primeiras coisas que lhe poderíamos explicar é como Portugal perdeu, só no último ano, 22 mil milhões de euros em depósitos bancários — mais do que aquilo que agora é obrigado a cortar em despesas sociais. Mas há mais: em transferências de capitais, Portugal perdeu pelo menos 70 mil milhões de euros desde o início da crise. Se este número faz lembrar alguma coisa é porque ele é praticamente igual ao montante do resgate ao nosso país. O que isto significa é que a insolvência de Portugal é, em primeiro lugar, o resultado das insuficiências das lideranças europeias e de gravíssimos defeitos na construção da moeda única.

(...) As políticas atuais agravam os nossos problemas e impedem-nos de os resolver. Quanto mais prolongadas estas medidas de austeridade forem, mais irreversíveis serão os seus efeitos negativos.

Estamos de luto pelo nosso País. (...) os portugueses vêem como uma tragédia que a nossa juventude, a geração mais formada da nossa história, em que tanto investimos e de que tanto orgulho temos, esteja a abandonar em massa o nosso país por causa das políticas que a Srª Chanceler foi impondo.

Tal como também se vive aqui como uma provocação a Srª Chanceler vir acompanhada de empresários alemães, com o propósito de fazerem negócios proveitosos para o seu país, mas desastrosos para o nosso que vê todos os dias nas notícias o seu património a ser privatizado para lucro de todos menos do povo português.

E estamos de luto também pela Europa. O grau de distanciamento e recriminação entre os povos e os países da União é estarrecedor (...)

Use esta visita como um momento de aprendizagem. Use a aprendizagem para mudar de rumo.

Com os nossos cordiais cumprimentos,



16/11/2012

A pequena Islândia como um grande exemplo

Islândia, ilha maldita, incómoda, silenciada pelos media ocidentais, particularmente os europeus. A falar-se dela, é de forma omissa, sem detalhes. Ao contrário da Grécia, cujos podres, reais ou imaginários, são exibidos ad nausea.

Vejam o vídeo que descreve honestamente  a silenciada revolução islandesa, mas convido-vos a ler também as notas abaixo:






Em Portugal sempre que se toca na Islândia, logo os "bandidinhos" avençados nos media ao serviço dos "bandidões" tratam de esconjurá-la, com frases como:"Ah, mas é diferente! - lá a dívida era dos bancos, aqui é do Estado" ou  "nada a ver, a Islândia é pequenininha". E por aí fora.

Ora bem, vamos ser sérios:

1º) O problema da Islândia não é nada diferente. Tal como lá, a maior parte da dívida externa portuguesa é privada, concretamente, dois terços dela. E apenas um terço é do Estado. Apesar de os números estarem a ser alterados ano após ano, porque o Estado está absorvendo a dívida dos privados, como ocorreu com a vergonhosa nacionalização do BPN, primeiro, e com a injeção de capital nos bancos todos por parte do Estado, recentemente. Mas há mais truques, quando uma empresa despede, quem fica com a batata quente é o Estado, pagando os subsídios de desemprego. No fundo, nada diferente da Irlanda e da Islândia, como se vê...

2º) Sobre a Irlanda (nome parecido, outro país) também foi o mesmo palavreado: que ali era só um problema dos bancos privados, nunca do Estado como cá. Mas no final a batata quente ficou nas mãos do Estado irlandês, que tomou a dívida dos bancos. Descubra as diferenças com Portugal.

Em resumo, o truque é "convencer-nos" que os países são muito diferentes, tomando a situação num dado momento, descontextualizando-a, de modo a que cada povo se baralhe e não sofra o contágio das lutas dos outros países.

3º)  Quanto à Islândia ser pequena, que coisa mais ignorante!...  O problema é estrutural, portanto é para ver em % e em proporção: dívida externa versus PIB, peso relativo das dívidas  privada e pública, dependência face ao exterior, etc.

Sobre isso, convido de novo a ler neste blogue, o separador Verdade dos  Números.

No essencial tanto a Islândia, como a Irlanda, como Portugal, são economias abertas. A Islândia e a Irlanda são ilhas, mas a primeira era uma importante praça financeira, como muitas movimentações de capital internacional, boa parte do progresso islandês assentava nisso;  a segunda vem dependendo imenso do investimento estrangeiro, principalmente norte-americano, atraído pelos baixissimos impostos sobre os lucros. Portugal, desde os anos 60, com a adesão à EFTA, passou a ser também uma economia cada vez mais aberta.

À medida que a crise se aprofundava, percebeu-se que o problema de Portugal, da Espanha e dos dois citados países insulares era no essencial o mesmo. No centro da crise de todos estão os bancos privados. Com mais escândalo aqui ou acolá, há um ponto em comum: o risco de insolvência bancária está no olho do furacão. Essa insolvência, uma parte dela pelo menos, é reflexo da insolvência das famílias e das empresas, afundadas em dívidas pela desastrosa gestão do Euro.

De resto, a dívida pública portuguesa (clique para ver quadro) não é muito diferente da de vários outros países europeus, como Bélgica, Irlanda, ou Itália, e boa parte dela surge da especulação pós-2008 e da falta de intervenção do BCE. A dívida externa portuguesa total é pesada, sim, mas está na média da OCDE. A dívida líquida, está abaixo de vários países importantes, entre eles, os EUA.

E até hoje, não vimos a dívida norte-americana ser  rebaixada sequer do luxuoso triplo A em que artificialmente se mantém.

Uma carta dos desempregados para a D. Jonet

Eis um extrato da carta do MSE (Movimento Sem-Emprego) às vergonhosas declarações em que essa pseudo-defensora dos pobres - sempre na base da caridadezinha, ela é das que nao conhece o ditado chinês: "Dá um peixe a um pobre, matas-lhe a fome por um dia; ensina-o a pescar, matas-lha para toda a vida".

«O mundo de Jonet é o mundo da classe dominante, do privilégio, da riqueza, do poder desmesurado, dos estereótipos que ajudam a lavar o sangue que lhe escorre das unhas. No mundo de Jonet, as PPPs, os submarinos, a exploração, o assalto dos governantes, são propaganda subversiva ao serviço de gente acomodada, inútil, descartável. No mundo de Jonet "não existe miséria" como "em Portugal", não é assim? Em suma, no mundo de Jonet não se vive o que é preciso para se ganhar um pingo de vergonha.

Se estiver disponível, teríamos todo o gosto em entregar-lhe esta carta em mãos.
Sem cordialidade mas com muito mais educação,
Seus detractores,
O Movimento Sem Emprego.»

14/10/2012

Para quem nem é muito fã da Marisa, como eu...

... glup, engolir em seco e ver o vídeo, de preferência em écrã total e até ao fim.
Eu achava a Marisa, apesar da sua grande voz, um pouco estranha. E, na fase inicial da carreira,  via-lhe uma tendência para  imitar a Amália - que é inimitável.
De repente, porém, vendo este vídeo, tive um impulso de divulgá-lo.
Num momento DRAMÁTICO (pesando as palavras) DA VIDA DO PAÍS, esta interpretação da Marisa diz tudo. Voz e emoção, apenas:
A propósito, vários grupos de cidadãos convocaram em15 de Outubro, uma manifestação sob a palavra de ordem  "Cerco a S.Bento! Este não é o nosso Orçamento",  início de mais um vasto protesto contra o OGE que avaliza todo um novo assalto destrutivo da classe média e do País.

13/10/2012

Publicidade oportunista no Google Chrome

Verifica-se uma invasão de publicidade oportunistaque opera apenas no navegador Google Chrome, usando os textos de Blogues e do Facebook, pelo menos.
Após algum esforço, já que a configuração das contas tem vindo a complicar-se - certamente não por acaso - lá descobri como eliminá-la.
Aqui vai a dica: junto ao nome e foto, no topo, entra-se em "Privacidade" / no fim da página / em "Centro de privacidade" / aí, separador Publicidade / nas FAQs - no item 12 / Gestor de preferências de anúncios (cookies)  / Preferências nos anúncios / aplicar "Remover" em todos.
È de lamentar que tenham sido feitas alterações tão complicativas. E, sobretudo, que a Google permita publicidade à revelia do utilizador.


12/10/2012


É isso mesmo: juntar tudo que possa ser reunido, todos os fatores, todos os elementos, e oferecer RESISTÊNCIA à destruição que está a ser imposta ao País!