22/11/2012

Carta à srª Merkel

Embora Angela Merkel já tenha visitado Portugal há alguns dias, aqui fica o resumo da carta que lhe foi entregue por um grupo de cidadãos:


Para ver o texto completo, clique aqui

Exmª Srª Chanceler Merkel

Escrevemos-lhe em antecipação à sua visita oficial a Portugal no próximo dia 12 de Novembro. (...)

Julgamos poder afirmar que a maioria dos portugueses discorda das suas políticas e poderia ter consigo uma conversa honesta e para si instrutiva acerca do que se está a passar no nosso País e na Europa. Uma das primeiras coisas que lhe poderíamos explicar é como Portugal perdeu, só no último ano, 22 mil milhões de euros em depósitos bancários — mais do que aquilo que agora é obrigado a cortar em despesas sociais. Mas há mais: em transferências de capitais, Portugal perdeu pelo menos 70 mil milhões de euros desde o início da crise. Se este número faz lembrar alguma coisa é porque ele é praticamente igual ao montante do resgate ao nosso país. O que isto significa é que a insolvência de Portugal é, em primeiro lugar, o resultado das insuficiências das lideranças europeias e de gravíssimos defeitos na construção da moeda única.

(...) As políticas atuais agravam os nossos problemas e impedem-nos de os resolver. Quanto mais prolongadas estas medidas de austeridade forem, mais irreversíveis serão os seus efeitos negativos.

Estamos de luto pelo nosso País. (...) os portugueses vêem como uma tragédia que a nossa juventude, a geração mais formada da nossa história, em que tanto investimos e de que tanto orgulho temos, esteja a abandonar em massa o nosso país por causa das políticas que a Srª Chanceler foi impondo.

Tal como também se vive aqui como uma provocação a Srª Chanceler vir acompanhada de empresários alemães, com o propósito de fazerem negócios proveitosos para o seu país, mas desastrosos para o nosso que vê todos os dias nas notícias o seu património a ser privatizado para lucro de todos menos do povo português.

E estamos de luto também pela Europa. O grau de distanciamento e recriminação entre os povos e os países da União é estarrecedor (...)

Use esta visita como um momento de aprendizagem. Use a aprendizagem para mudar de rumo.

Com os nossos cordiais cumprimentos,



16/11/2012

A pequena Islândia como um grande exemplo

Islândia, ilha maldita, incómoda, silenciada pelos media ocidentais, particularmente os europeus. A falar-se dela, é de forma omissa, sem detalhes. Ao contrário da Grécia, cujos podres, reais ou imaginários, são exibidos ad nausea.

Vejam o vídeo que descreve honestamente  a silenciada revolução islandesa, mas convido-vos a ler também as notas abaixo:






Em Portugal sempre que se toca na Islândia, logo os "bandidinhos" avençados nos media ao serviço dos "bandidões" tratam de esconjurá-la, com frases como:"Ah, mas é diferente! - lá a dívida era dos bancos, aqui é do Estado" ou  "nada a ver, a Islândia é pequenininha". E por aí fora.

Ora bem, vamos ser sérios:

1º) O problema da Islândia não é nada diferente. Tal como lá, a maior parte da dívida externa portuguesa é privada, concretamente, dois terços dela. E apenas um terço é do Estado. Apesar de os números estarem a ser alterados ano após ano, porque o Estado está absorvendo a dívida dos privados, como ocorreu com a vergonhosa nacionalização do BPN, primeiro, e com a injeção de capital nos bancos todos por parte do Estado, recentemente. Mas há mais truques, quando uma empresa despede, quem fica com a batata quente é o Estado, pagando os subsídios de desemprego. No fundo, nada diferente da Irlanda e da Islândia, como se vê...

2º) Sobre a Irlanda (nome parecido, outro país) também foi o mesmo palavreado: que ali era só um problema dos bancos privados, nunca do Estado como cá. Mas no final a batata quente ficou nas mãos do Estado irlandês, que tomou a dívida dos bancos. Descubra as diferenças com Portugal.

Em resumo, o truque é "convencer-nos" que os países são muito diferentes, tomando a situação num dado momento, descontextualizando-a, de modo a que cada povo se baralhe e não sofra o contágio das lutas dos outros países.

3º)  Quanto à Islândia ser pequena, que coisa mais ignorante!...  O problema é estrutural, portanto é para ver em % e em proporção: dívida externa versus PIB, peso relativo das dívidas  privada e pública, dependência face ao exterior, etc.

Sobre isso, convido de novo a ler neste blogue, o separador Verdade dos  Números.

No essencial tanto a Islândia, como a Irlanda, como Portugal, são economias abertas. A Islândia e a Irlanda são ilhas, mas a primeira era uma importante praça financeira, como muitas movimentações de capital internacional, boa parte do progresso islandês assentava nisso;  a segunda vem dependendo imenso do investimento estrangeiro, principalmente norte-americano, atraído pelos baixissimos impostos sobre os lucros. Portugal, desde os anos 60, com a adesão à EFTA, passou a ser também uma economia cada vez mais aberta.

À medida que a crise se aprofundava, percebeu-se que o problema de Portugal, da Espanha e dos dois citados países insulares era no essencial o mesmo. No centro da crise de todos estão os bancos privados. Com mais escândalo aqui ou acolá, há um ponto em comum: o risco de insolvência bancária está no olho do furacão. Essa insolvência, uma parte dela pelo menos, é reflexo da insolvência das famílias e das empresas, afundadas em dívidas pela desastrosa gestão do Euro.

De resto, a dívida pública portuguesa (clique para ver quadro) não é muito diferente da de vários outros países europeus, como Bélgica, Irlanda, ou Itália, e boa parte dela surge da especulação pós-2008 e da falta de intervenção do BCE. A dívida externa portuguesa total é pesada, sim, mas está na média da OCDE. A dívida líquida, está abaixo de vários países importantes, entre eles, os EUA.

E até hoje, não vimos a dívida norte-americana ser  rebaixada sequer do luxuoso triplo A em que artificialmente se mantém.

Uma carta dos desempregados para a D. Jonet

Eis um extrato da carta do MSE (Movimento Sem-Emprego) às vergonhosas declarações em que essa pseudo-defensora dos pobres - sempre na base da caridadezinha, ela é das que nao conhece o ditado chinês: "Dá um peixe a um pobre, matas-lhe a fome por um dia; ensina-o a pescar, matas-lha para toda a vida".

«O mundo de Jonet é o mundo da classe dominante, do privilégio, da riqueza, do poder desmesurado, dos estereótipos que ajudam a lavar o sangue que lhe escorre das unhas. No mundo de Jonet, as PPPs, os submarinos, a exploração, o assalto dos governantes, são propaganda subversiva ao serviço de gente acomodada, inútil, descartável. No mundo de Jonet "não existe miséria" como "em Portugal", não é assim? Em suma, no mundo de Jonet não se vive o que é preciso para se ganhar um pingo de vergonha.

Se estiver disponível, teríamos todo o gosto em entregar-lhe esta carta em mãos.
Sem cordialidade mas com muito mais educação,
Seus detractores,
O Movimento Sem Emprego.»

14/10/2012

Para quem nem é muito fã da Marisa, como eu...

... glup, engolir em seco e ver o vídeo, de preferência em écrã total e até ao fim.
Eu achava a Marisa, apesar da sua grande voz, um pouco estranha. E, na fase inicial da carreira,  via-lhe uma tendência para  imitar a Amália - que é inimitável.
De repente, porém, vendo este vídeo, tive um impulso de divulgá-lo.
Num momento DRAMÁTICO (pesando as palavras) DA VIDA DO PAÍS, esta interpretação da Marisa diz tudo. Voz e emoção, apenas:
A propósito, vários grupos de cidadãos convocaram em15 de Outubro, uma manifestação sob a palavra de ordem  "Cerco a S.Bento! Este não é o nosso Orçamento",  início de mais um vasto protesto contra o OGE que avaliza todo um novo assalto destrutivo da classe média e do País.

13/10/2012

Publicidade oportunista no Google Chrome

Verifica-se uma invasão de publicidade oportunistaque opera apenas no navegador Google Chrome, usando os textos de Blogues e do Facebook, pelo menos.
Após algum esforço, já que a configuração das contas tem vindo a complicar-se - certamente não por acaso - lá descobri como eliminá-la.
Aqui vai a dica: junto ao nome e foto, no topo, entra-se em "Privacidade" / no fim da página / em "Centro de privacidade" / aí, separador Publicidade / nas FAQs - no item 12 / Gestor de preferências de anúncios (cookies)  / Preferências nos anúncios / aplicar "Remover" em todos.
È de lamentar que tenham sido feitas alterações tão complicativas. E, sobretudo, que a Google permita publicidade à revelia do utilizador.


12/10/2012


É isso mesmo: juntar tudo que possa ser reunido, todos os fatores, todos os elementos, e oferecer RESISTÊNCIA à destruição que está a ser imposta ao País!

28/09/2012

Governo recua em detalhes, mas mantém...

... a sua política de submissão à Troika , refinando os meios de esbulho.

Depois de ter tentando aplicar à generalidade das classes médias as medidas de saque, o que mereceu da parte destas uma resposta contundente dada nas ruas em 15 de Setembro, os reformados são de novo o alvo principal, reincidindo na expropriação de duas pensões anuais, apesar do TC ter já ilegalizado anteriormente essa medida (trata-se de um sétimo do seu rendimento-base), Mas fala-se também num novo aumento do IRS ainda em cima disso (custa a acreditar, como é possível tanto desaforo??).

Mas também a generalidade da classe média continua na mira,  agora com formas mais dissimuladas de espoliação, como os aumentos no IRS e no IMI, entre outros.

A par disso, prossegue uma parte essencial da política de destruição nacional -  a privatização de empresas fundamentais como a TAP e a RTP, lançando entretanto balões de ensaio sobre aquele que é "apenas" o maior banco, desde sempre público, a CGD.

Uma dúvida que se coloca é esta: não tendo Portugal uma situação tão má quanto a pintam os media (convido os leitores a lerem neste blogue as páginas Verdade dos números e Causas da crise), porquê um ataque tão brutal à população e ao país?

A resposta só pode ser encontrada na falta de escrúpulos dos especuladores, do FMI, e dos países "ricos" europeus que, sendo eles mesmos vítimas dos especuladores a partir de Wall Street, acabam descarregando sobre os vizinhos menos abonados os custos da crise.


CATASTROIKA

Oportuno ver com a devida atenção (para curta metragem é longo, mas vale a pena!) um vídeo que descobri recentemente embora tenha já alguns meses:  CATASTROIKA.

Trata-se de um filme baseado na tragédia do povo grego, mas que parte mais de trás, da Perestroika russa e das privatizações selvagens que se seguiram - aplicando-se muito do conteúdo, ipsis verbis, a Portugal.

Nele são desmontadas as políticas neoliberais - a entrega do património social aos grupos privados a preços de liquidação - seguidas na Rússia, no Chile, na Argentina, na Alemanha, no Reino Unido, na França, na Grécia - demonstrando-se com clareza que não passam de um mero saque - nada tendo a ver com os pretextados ganhos de eficiência. Pelo contrário, a maior parte das empresas - v.g., as produtoras de energia - não só pioraram com a privatização, como os preços de venda dos respectivos bens e serviços ao público registaram depois dela subidas galopantes.

Algo que perturba e faz alguma confusão é a passividade da maioria das populações ante toda esta destruição. Ainda por cima sendo acompanhada da queda do nível de vida.

Como é possível não reagir, quando se é roubado dum património - material e de direitos - que é de todos e que levou séculos a construir, desde nossos tetravôs até agora?

Só uma profunda alienação mental, realizada ao longo de décadas através dos media altamente manipulados, com ideólogos bem treinados a fazer de "especialistas", ou através  das religiões e outras ideologias distratoras dos problemas sociais, a par dum consumismo insano, conjugado com o stress do ciclo vicioso Trabalho e Pluriemprego  X Consumo Alienado e Despesista X Mais Trabalho Extenuante, arrastando na debilitação da saúde, inclusive psiquiátrica, boa parte da população.

Só isto explica a fácil manipulação das pessoas, e que elas se movam por interesses imediatistas, sem verdadeiro sentido de pertença a uma comunidade com interesses comuns.

Veja, por favor (clique abaixo) :


Catastroika, 2012 (legendado em português) | 420doc#11

16/09/2012

15.Setembro.2012



E O PAÍS REAGIU!


Ver notícia na página Atualidade

Av. dos Aliados - Porto


15/09/2012

Estudo da Viabilidade da Segurança Social

Dada a propaganda mentirosa que atribui à redução da população ativa a crise na Segurança Social, passo a apresentar  um estudo muito simples que demonstra a viabilidade dos Fundos de Pensões públicos, mesmo com  a evolução desfavorável da pirâmide etária.

Ele baseia-se no princípio de que, mesmo que diminua a população ativa, mantendo-se ou aumentando o PIB, basta alterar a largura das fatias do "bolo" da repartição do Rendimento.

HIPÓTESE ABSTRATA DE EVOLUÇÃO

- PIB versus POPULAÇÃO ATIVA e  INATIVA


Se o Rendimento Nacional / PIB se mantém ou aumenta, enquanto a população ativa diminui, isso quer dizer que os gastos totais em salários diminuem. Ora essa redução de custos salariais, em vez de ser desviada para aumentar os lucros das empresas, deve ir para a Segurança Social, por razões de justiça. Ninguém fica a perder e o sistema fica a ganhar.


SIMULAÇÃO DE UM SISTEMA DE PENSÕES DE REFORMA

Admitamos um sistema com os seguintes dados, que são uma aproximação à situação portuguesa.

NOTA: Em 2010, a proporção real entre as pessoas em idade ativa  (15 aos 65 anos)  e  3ª idade  (mais de 65) era 3,68 ativos por cada idoso.

Claro que para efeito deste modelo teríamos que subtrair à população ativa, os desempregados, os estudantes, as donas de casa, os incapacitados, etc., dado não contribuirem, o que reduzirá a proporção real entre ativos e 3ª idade, para mais perto de 2,5 (o número varia de ano para ano).

Confira os números reais da Segurança Social em:

http://www1.seg-social.pt/preview_documentos.asp?r=34057&m=PDF

MODELO PARA ESTUDO

Atente-se que a Segurança Social não paga apenas aos pensionistas, também subsidia os desempregados, os incapacitados, as ISS, o RSI, o abono de família, etc., o que torna as contas mais complicadas. Mas o modelo acima mantém-se válido, apenas é mais simplificado. 

Genericamente, podemos dizer que em 2010 havia um défice de cerca de 10% entre o volume de descontos  obrigatórios para a Segurança Social e o volume de pensões e subsídios pagos. 

Ora isso resultou apenas de decisões políticas dos governos.

Se em 2010 existia esse défice no sistema, foi porque o governo decidiu não financiá-lo adequadamente. Ainda recentemente, o governo Passos & Portas reduziu a TSU das empresas e anulou as contribuições para a CGA, secando-lhe totalmente os financiamentos.

Isto é o culminar do
 assaltos aos Fundos de Pensões, secando-os para arranjar pretextos para roubar os reformados. A que acrescem as quantias desviadas para outras despesas do Estado e para pagamentos a privados.

Depois, alguns comentadores estrategicamente colocados nos media,  tratam de atribuir as culpas à pirâmide de idade, de forma abusiva. Com fins inconfessáveis: empurrar para o setor privado os fundos de pensões, ao mesmo tempo que culpam o Estado e arranjam um pretexto para roubar nas pensões.


PIB ESTABILIZA mesmo que Nº DE ATIVOS REDUZA 

Também é preciso notar que, numa situação normal da Economia (a atual é uma exceção), o PIB vai sempre aumentando ou pelo menos estabiliza, o que significa que mesmo com população ativa menor, isso em nada tem que interferir com a provisão da Segurança Social.

As prestações totais diminuem porque a população ativa decresce ?

É simples, aumenta-se prestação transferida por cada ativo para a Segurança Social. E tal não significa que o trabalhador pague mais. Podem ser as empresas, ou o Estado.

Mas, sendo as empresas, não é um encargo a mais para elas? Não, porque se com menos pessoal se produz igual ou maior valor  - VAB (valor acrescentado), cuja soma nacional dá o PIB - , isso significa que, tendo uma empresa menos trabalhadores, logo menor peso dos salários, ela lucraria mais, portanto é só questão de transferir uma parte desse lucro suplementar para a Segurança Social. 

Assim, o salário de cada trabalhador no ativo não é afetado. O lucro global das empresas, também não.


OUTRAS HIPÓTESES

Poderíamos admitir outras hipóteses que melhorassem o modelo, como:


- Obter taxas de juros superiores para o capital do Fundo de Pensões (nalguns países conseguem-se taxas de 8% ou mais, ao ano)

- Aumento do capital dos Fundos de Pensões através de transferências do  Estado (afinal seria uma mera restituição do que foi desviado anteriormente) o que aumentaria os juros auferidos e diminuiria a necessidade  de prestações para a Segurança Social.


CONCLUSÃO

Demonstra-se assim que, mesmo com hipóteses negativas, o modelo pode ser viável e equilibrado, sem prejuízos para ninguém.

Registe-se, por contraste, a atual política governamental exatamente em sentido contrário: é aos trabalhadores que exige mais esforço e não às grandes empresas. Ou seja, o Governo atual propõe para 2013 um aumento do desconto da parte dos trabalhadores, e uma redução das prestações das empresas.

É injusto, e economicamente negativo, porque afeta ainda mais o já debilitado mercado interno.


13/09/2012

É desta vez que o país vai reagir?

manifestação 15.setembro

Após o novo ataque cerrado que o governo de Passos e Portas desferiu contra os reformados, os trabalhadores e as classes médias e baixas em geral, grupos de cidadãos organizam-se nas redes sociais e convocam uma nova manifestação para o próximo sábado, 15.

O slogan proposto é criativo e bem claro. Eis o cartaz e o percurso previsto em Lisboa:



Uma pergunta inocente: Porquê este percurso "esquisito", e porquê terminar na Praça de Espanha? Que órgão de soberania é que existe lá? Dessa, não gostei...

Gostei, sim, dum outro desenho que circula pelos blogues, acho que dispensa explicações !


 


13-09-2012

13/03/2012

Portugal é o país que mais sobe na ameaça de insolvência

Confirmam-se, e da forma mais clara possível,  as previsões da mensagem publicada neste blogue em 15/Fevereiro.

Segundo a jornalista Mafalda Aguilar, em notícia do SAPO Economia, baseada no Wall Street Journal,  «o preço dos credit default swaps (CDS) sobre Obrigações do Tesouro (OT) de Portugal a cinco anos, que funcionam como uma espécie de seguro que os investidores pagam para se protegerem de um cenário de incumprimento por parte de um país, está hoje a aumentar 40 pontos para 1.299,79 pontos. É a maior subida no mundo, segundo o monitor da Bloomberg, que analisa 59 países». Ver aqui.

Aparentemente, o único que ainda não percebeu isso é o governo, que prossegue a sua política autista de "bom aluno" da troika, e insiste obstinadamente na recusa da renegociação da dívida.

15/02/2012

Portugal cumpre vontade da "troika" mas fica à beira do abismo

Num artigo de 14 de Fevereiro último, o correspondente do New York Times, Landon Thomas, compara a situação grega com a portuguesa e afirma claramente que, apesar de Portugal, ao contrário da Grécia, ter cumprido tudo que a "troika" exigiu, a dívida portuguesa só se tem agravado e a economia do país não demonstra capacidade para responder ao crescente peso da dívida.

Link para o artigo de Landon Thomas no NYT, que abriu um debate público sobre o tema, AQUI.

De notar que mais importante que olhar um só ano isolado, é ver a tendência mais recente.

Ver por exemplo análise do Eurostat,  aqui (atentar no 3º gráfico do Eurostat).

Reportando-nos à dívida pública da UE e aos últimos 2 anos, a Grécia é o país com pior evolução, logo seguida de Portugal, que piora cerca de 20% de 2009 para 2012. A Itália, cujo Estado é mais endividado que o português, quase estanca a dívida estatal no mesmo período. Observe-se que uma parte desta dívida é interna, outra externa. (ver dados abaixo)

Além disso, não basta olhar para esse único indicador. Outros são essenciais para completar a análise, como por exemplo a dívida externa total.(ver quadro no final da página)

Ora Portugal tem uma dívida externa pesada, de 2,3 vezes (230%) o seu PIB, pior que a Grécia (160%) e muito pior que a Itália (110%). Isto significa também que a maior parte da dívida externa portuguesa é privada, contrariando algumas mentiras propaladas - tenha-se em conta que uma parte da dívida do Estado é interna (38%) (fígura 4. do link) -  subscrita por bancos, fundos de pensões e por particulares nacionais. Portanto sómente os restantes 62% são dívida do Estado ao exterior o que, fazendo as contas,  se traduz em que cerca de 2/3 da dívida externa portuguesa era, em 2009, de privados.

NOTA: O atual Governo tem estado a fazer com que o Estado assuma parte da dívida dos bancos, sendo pois  natural que ao longo de 2012 o peso do Estado na dívida externa aumente por via desta manobra artificial.


DADOS ESTATÍSTICOS DE SUPORTE:

Relação Dívida Pública / PIB  (%)
- evolução 2009-2012

Na União Europeia:

2009
2010
2011
2012

%
%
%
%
Grécia 
129,3
144,9
159,1


Itália
115,5
118,4
119,6



Portugal 
83,0
93,3
*112,0
*118,0
 *Previsão
Irlanda  65,2
92,5
104,9
Bélgica  95,9
96,2
*100,5 *Previsão
França79,0
82,3
85,0

Reino Unido  69,679,9
85,0
Alemanha   74,4
83,2
82,0
Espanha         53,8
61,0
66,0
Fontes:Eurostat,Reuters

Fora da U.E.
2009
2010
2011
2012
Japão
*216
*220
*233
*238
*Estimativas

EUA
*85
*94
*100
*105
 Fonte: Le Figaro- ver mapa mundial por anos e por países


  Relação Dívida Externa / PIB                                   

A
B


 
D.externa
PIB
Relação A / B
Portugal
507
222
2,3
Grécia
553
342
1,6
Itália
2.328
2.144
1,1
Alemanha
5.208
3.278
1,6
França
5.021
2.666
1,9
EUA
13.640 
14120
0,9
Japão
2.132
5.108
0,4
Fonte: Index Mundi
    Em dóls. EUA
Ano: 2009



Toda a U.E. - RELAÇÃO DÍVIDA PÚBLICA / PIB, em % (2011-3º trimestre)
FonteB.C.E.
EL-Grécia IT-Itália PT-Portugal IE-Irlanda BE-Bélgica EA17-Eurozona FR-França UK-Reino Unido HU-Hungria EU27-União Europeia DE-Alemanha AT-Áustria MT-Malta CY-Chipre ES-Espanha NL-Países Baixos PL-Polónia DK-Dinamarca FI-Finlândia LV-Letónia SI-Eslovénia SK-Eslováquia CZ-Rep.Checa LT-Letónia  SE-Suécia RO-Roménia LU-Lituânia BG-Bulgária EE-Estónia

Veja um gráfico animado da evolução da dívida pública de países europeus até 2011 (para melhor visualização dos valores exatos, aconselho tocar na linha de cada país), aqui - Eurostat.

Outro dado importante - relação entre dívida externa e o PIB, link para um bom artigo no blogue Geoscópio

Uma análise interessante, doutra dívida, a dos agentes privados. "15 dos 27 países da UE têm dívidas privadas superiores ao limite de 160% do PIB considerado seguro pela Comissão Europeia". Ver jornal Globo aqui.

A finalizar, o PIB per capita em vários países:

Produto Interno Bruto - valor absoluto e por habitante

PIB  (1 milhão €)
PIB per capita (1000 €)
2008
2009
2010
2008
2009
2010
2011
UE 27
1.135.6511.070.5411.114.58525,023,524,4
Eurozona 17
842.931812.234832.90228,127,027,6
Bélgica
31.57431.04232.45732,331,532,6
Alemanha
224.388215.660225.18930,129,030,331,4
Irlanda
16.38414.58114.21740,535,934,9
Grécia
21.19021.06920.66620,720,520,1
Espanha
99.57295.32395.66223,922,822,823,3
França
176.086172.323176.22230,129,329,8
Itália
143.562139.331141.64526,325,425,7
Hungria
9.5758.2858.80610,59,19,7
Polónia
32.93628.10532.2969,58,19,3
Portugal
15.65115.28015.66516,215,816,2
Reino Unido
164.067142.662155.52229,325,327,4
Islândia
93878586632,327,229,9
EUA
886.035907.045990.38131,932,535,4
Fonte: Eurostat



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