09/01/2012

Era Uma Vez... - novo cinema brasileiro

 "Era Uma Vez..." faz parte desse movimento diverso mas com uma marca própria, que é já conhecido como Novo Cinema Brasileiro.

Anterior a Capitães da Areia (ver análise), plasticamente quiçá inferior, está no entanto bem acima no que respeita ao rigor da abordagem social. Uma história de amor tipicamente carioca é o pretexto para refletir dum modo cativante e universal o tema da relação entre pobres e ricos no Brasil.

Vale a pena ler a crítica aqui e, se conseguir adquiri-lo, ver o filme.

24/12/2011

Grandes Bandas

Radiohead - a fluidez tensa de existir

Para ver no You Tube clique nas imagens a seguir:
        Miniatura
1ª Imagem: No surprises - (apesar de ter 15 anos, esta música parece que foi feita para os nossos dias: "You look so tired and unhappy / Bring down the government / They don't, they don't speak for us")
2ª imagem: Creep - Vídeo oficial em HD - NÃO legendado (paciência com o anúncio inicial...)
3ª Imagem - Creep - Fantástica versão em piano e coro (filme "A rede social")
4º Imagem - From the basement 2008 (completo, gravado ao vivo no estúdio, excepcional)

Creep (Intruso, estranho) 

Oxford. Mais uma banda universitária em busca do rock alternativo, quando toda a cidade fervilhava de experiências underground. O nome Radiohead seria adotado, após múltiplas apresentações locais e algumas músicas editadas, em 1992, quando lançam o LP "Pablo Honey", que inclui Creep, tema com incontáveis "covers" em todo o mundo. Inicialmente proibido pela BBC por demasiado depressivo (!?), está hoje classificado como um dos 15 melhores temas para viola/guitarra de sempre. O tema é na verdade tão impactante que corre a história duma jovem que se suicidou depois de ouvi-lo.

O mais relevante nesta banda é o seu enorme rigor musical, a consistência entre as letras e a vida real inteligente, e a sua permanente criatividade. Com influências que vão desde o jazz, folk, eletro, passando pela música concreta, até à música sinfónica, não obstante a colagem simplista ao Hard Rock que lhe é feita, Radiohead vai muito além disso, como é visível na incrível sensibilidade melódica e nas experiências vanguardistas de muitos temas, sempre no registo único que é a marca da banda. Thom  Yorke, vocalista, pianista e guitarrista, é considerado o seu principal mentor, embora a produção da banda sempre fosse trabalho de equipa, da qual fazem parte integrante, para além dos músicos, os técnicos e amigos que se engajaram na produção.

Com várias faixas nos tops mundiais e a consagração da crítica e dos mais altos prémios, os Radiohead têm resistido ao apelo mercantil/consumista. Nos últimos anos optaram por gravar no seu próprio estúdio e promover o seu trabalho autonomamente através da Net.

Capa de Amnesiac (2001)
 A intensidade da melhor música dos Radiohead é um grito contra o sem-sentido da vida numa sociedade dominada pela superficialidade, pelo exibicionismo, pela sede do poder e pelo dinheiro. Embora Thom Yorke recuse liminarmente o rótulo de "músico de protesto", há uma carga óbvia de revolta no percurso musical da banda

Os álbuns Kid A (2000) e Amnesiac (2001), apesar de controversos,  são talvez o ponto mais alto dos Radiohead. Depois da paragem motivada por divergências resultantes do deslize para o pop subsequente ao disco OK Computer(1997) e também pela depressão profunda que atingiu Thom em 1998, o álbum Amnesiac é um retorno às origens, à autenticidade e ao dramatismo underground da fase inicial, mas de uma forma bem mais amadurecida e complexa. É  um álbum pesado - não vale a pena ouvi-lo se procura mero entretenimento. 

Mas se quiser fazer um exercício de escuta atenta dos Radiohead prepare-se para uma ato de transcendência. A sua música,  pelo menos a da melhor fase, é como uma oração a um deus ignorado, sem rituais obscurantistas, nem igrejas.

Os Radiohead: Thom Yorke, Jonny Greenwwod, Colin Greenwood, Ed O'brien e Phil Selway

31/10/2011

Cinema

INSIDE JOB (título em Portugal: A VERDADE DA CRISE)

ou... AS PROVAS DO CRIME                                                         --> Análise crítica


Documentário. Usando técnica dinâmica e inovadora, revela com nitidez implacável toda a sordidez da grande crise financeira de 2008, cujos efeitos devastadores não param de afetar o mundo.

Interessante mas desfocado na denúncia das injustiças sociais, vale pela homenagem ao mestre que foi Jorge Amado. Narrativa fluida e tensa q.b., o que não chega  para adequar a pujante obra do escritor aos tempos atuais.
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15/10/2011

Técnicas de manipulação (previna-se!)

Boa síntese de algumas ideias do grande linguista, politólogo e ativista, o norte-americano de origem judaica, professor Noam Chomskiaqui

Num jornal português on-line, encontrei um excelente artigo sobre o mesmo tema que vale apena ler. É o "Mudar de Vida", num artigo de António Poeiras.

 Muito atuais pela forma como estão a ser manipuladas as pessoas, fazendo-as acreditar serem elas as culpadas da crise, em vez dos parasitas, especuladores e corruptos, ou colocando todo o foco da atenção no futebol, no entretenimento, na  (in)segurança pública, etc., mantendo a desinformação sistemática em relação às causas reais da crise.

Técnicas, usando os média (sobretudo as TVs) dominados por interesses ultraminoritários, com "analistas" bem pagos e que mais não são que jagunços ideológicos profissionais, vão fazendo a multidão passiva e apática, enquanto um conjunto de conquistas civilizacionais é retirado. Uma após outra. O mundo vai recuando para níveis civilizacionais de há 50, 100 anos atrás. 


Fique prevenido e confira os textos nos links:

http://www.institutojoaogoulart.org.br/noticia.php?id=1861


http://www.jornalmudardevida.net/?p=2360#comment-24123

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08/09/2011

Sobre este blogue

Neste blogue, procurarei disponibilizar informações e estudos de natureza científica no âmbito das Ciências Sociais, a saber, Economia, Política, Sociologia e outras correlacionadas. 

Essa, através de publicações e do movimento associativo docente, foi  a minha principal forma de intervenção cívica durante muitos anos. 

Parece pois natural fazer deste sítio um repositório dos diversos materiais que fui ou vou produzindo.

Mas um blogue, pela sua natureza universal, não deve ser coisa chata, destinada apenas aos coca-bichinhos intelectuais. Por isso tocará temas da atualidade como cinema, temas mediáticos, etc.

Boas leituras sobre temas que, afinal, são os que - goste-se ou não - condicionam o presente e o futuro das nossas vidas, eis os meus votos !

Rui Tojal